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Houve época, na Gávea, que surgiu uma novidade que facilitaria a respiração, aumentaria a capacidade pulmonar, ou semelhante. Eram umas tiras de borracha adesiva, colada nas imediações do nariz, nada mais do que isso. Na Gávea, muitos dos melhores jóqueis começaram a usar.
Assistindo pela televisão a realização de uma Breeders’ Cup, nos Estados Unidos, vi o famoso treinador Wayne Lucas, dizer que os seus cavalos participantes de provas naquele evento, iriam todos de Lasix e também com as tirinhas de borracha adesiva, ele não podia assegurar que ajudavam, mas mal não fariam, e ele queria lançar mão de tudo a que tinha direito. Jóqueis e cavalos passaram a se utilizar daquele artifício cada vez mais.
Em uma semana do GP Brasil, a Associação Brasileira de Veterinários, com sede em São Paulo e à época presidida por Antônio Carlos Bolino, professor em duas Faculdades e de grande sucesso em sua vida profissional, promoveu um importante evento no Rio de Janeiro, sexta e sábado, em que o ponto principal foi uma palestra sobre o tema VIAS AÉREAS, na qual uma veterinária norte–americana, com livros publicados e reconhecida mundialmente como a maior autoridade no assunto, iria até franquear a palavra aos assistentes, para perguntas e respostas diretas.
A veterinária, com simplicidade, discorreu sobre o aparelho respiratório, os problemas mais e menos comuns, problemas pulmonares, enfim, fez uma apresentação de alto gabarito. Foi muito aplaudida. Franqueada a palavra para debates, já ao final, alguém perguntou quanto ao uso das tais tiras de borracha, que aumentariam a capacidade respiratória. Ela discretamente sorriu, e disse simplesmente e de forma conclusiva, que não havia qualquer fundamento científico. Em português claro, "uma simples e grande bobagem".
Meu Deus, quantos incautos jogaram dinheiro fora com aquele artefato ridículo, que até em farmácias para humanos era encontrado.
Assim como aquela "novidade" chegou, depois sumiu.
por Milton Lodi