Estamos no limite
Durante décadas, o turfe brasileiro foi grande, apaixonou e movimentou multidões de aficionados. Gerou fortunas, construiu hipódromos clássicos, futurísticos e confortáveis, conquistou e multiplicou patrimônios, qualificou e desenvolveu crescentemente a criação do PSI, gerando milhares de empregos em um mercado forte, motivado e evolutivo nas várias e fundamentais profissões interligadas ao turfe.
O que teria ocorrido ao vigoroso e potencializado mercado turfístico brasileiro para assimilar, quase sem reação, tão drástica e progressiva decadência de seus principais hipódromos?
A questão logicamente não é simples de ser respondida sem o mais amplo diagnóstico. E, possivelmente, deve ter sido transformada em pesadelo constante pela maioria dos dirigentes e grupos administrativos pelos quais pesou a responsabilidade de reverter e buscar saídas para tão crítico enigma de gestão.
Justiça seja feita. Certamente, foram muitos os dirigentes interessados, bem–intencionados, que ousaram prospectar, nas profundezas meândricas de suas entidades, causas e soluções capazes de, adiante, virem a ser transformadas em ações, na busca de realinhamento e reestruturação de suas combalidas estruturas. Alguns tiveram mais êxito, outros menos, mas o importante foram seus esforços, valorizados e reconhecidos pelos turfistas atentos, bem como pelos parceiros de empreitada. O problema é realmente tremendo e as causas de difícil identificação e solução.
De outro lado, o turfe brasileiro dispensa comentar a passagem dos inomináveis, que construíram este cenário de terror e que certamente ainda estão por aí, locupletando–se através do imenso esforço alheio, após traírem a confiança dos abnegados, mesmo in memorian, que edificaram ao longo de décadas, o outrora, tão imponente e luminoso império turfístico brasileiro.
Na verdade amigos, não nos é mais possível simplesmente assistir. Estamos ali, no limite e é absolutamente necessário se envolver. A menos que, sentados, calados e apáticos, aceitemos, num futuro nem um pouco distante ou inviável, termos como única opção turfística nacional os construtivos e rentáveis (para eles) “simulcastings” americanos e europeus.
Nossa criação, já então reduzida a criatório sindicalizado, aguardará pelas minguadas e desvalorizadas encomendas em série, de importadores eventuais, enquanto nossos proprietários, valorosos investidores, diversificarão atividades, provavelmente imobiliária, transformando áreas eventualmente não penhoradas dos ex–hipódromos, bem como os qualificados e futuramente desativados centros de treinamento, em resorts ou condomínios de alto luxo.
por Renato Borda, turfista, mora em Porto Alegre