O saudoso treinador Ernani de Freitas costumava dizer que “não há uma sem duas”. Com o tempo, a expressão terminou incorporada ao linguajar do turfe carioca. Hoje à tarde, conduzindo o potro Brave Tide, favorito do oitavo páreo, o jóquei Marcelo Cardoso consagrou definitivamente o ditado do velho mestre.
No dia 30 de julho passado, Marcelo, no dorso do também favorito Arte Concreta, de propriedade da Coudelaria Jéssica e apresentado por Dulcino Guignoni, conseguiu uma vitória espetacular nos 1.600 metros do páreo que encerrava a reunião.
Ponteando, entrou na reta final. Pouco adiante, o cavalo, num movimento brusco e totalmente incomum, atirou–se para dentro (de encontro à cerca) e, em seguida, fez uma diagonal até o meio da raia – como trazia luz, não prejudicou qualquer concorrente. Marcelo, revelando uma perícia circense, conseguiu permanecer montado. Ficou com o pé esquerdo fora do estribo e mal se equilibrava no direito. Ainda assim, refeito do susto, apesar da incômoda posição, ele que havia sobrado para terceiro, voltou a exigir Arte Concreta, que retomou o galão e partiu para a vitória.
Há três semanas, o veterinário Flávio Geo, após produzir uma interessante edição, colocou o vídeo da corrida no YouTube (www.youtube.com – a busca deve ser feita por Marcelo Cardoso ou Incredible Recovery II).
Não há, mesmo, uma sem duas!
Hoje, novamente com a farda da Coudelaria Jéssica e montando um favorito preparado por Dulcino Guignoni, o bridão repetiu a proeza. Brave Tide galopava com facilidade rumo ao disco, quando, na altura dos 400 metros finais, do nada, correu violentamente em direção à cerca externa, obrigando Marcelo a destribar. A síntese “não caiu por milagre” define o lance com perfeição.
E, mais uma vez, quando tudo parecia perdido, eis que, com o chicote na direita e montando como se estivesse “em pelo”, Marcelo surge de forma quase inacreditável, dominando a carreira disputada, claro, em 1.600 metros.
Agora, Flávio Geo, é com você. O Marcelo fez, de novo, a parte dele.
por Zig