Foi em 1992, quando da eleição da chapa oposicionista liderada por Fragoso Pires. Foi a primeira vez em que a situação perdeu nas eleições do Jockey Club Brasileiro.
O maior de todos os problemas encontrados na Comissão de Corridas era o pequeno número de inscrições para a confecção dos programas semanais. Naquela época, a média girava em torno de 150 por semana, era um problema conseguir páreos mais encorpados e em número satisfatório.
Com o correr do tempo e as melhorias gerais nas condições do clube, no setor das corridas, inclusive e principalmente, com os sucessivos aumentos de prêmios concedidos à época, tem–se hoje normalmente, 40 páreos semanais, com média da ordem de 8,5 cavalos/páreo, e volume total de inscrições de 450 inscrições ou mais.
Mas para se chegar a isso, medidas importantes tiveram que ser tomadas.
Por exemplo, havia um stud com bom contingente de animais, que inscreveu 7 animais, sendo uma parelha, no páreo principal da semana. Quando as inscrições estavam sendo apuradas, a Comissão de Corridas foi avisada por telefone, do Serviço de Controle Anti–Dopagem, que estava seguindo documento, dizendo de substância proibida encontrada em animal treinado pelo treinador dos cavalos do tal stud. A Comissão, de imediato, telefonou para o proprietário dos sete animais, dizendo da necessidade da indicação de um outro treinador responsável, já que aquele que assinava as papeletas, estava sendo suspenso por doping. O proprietário não gostou e disse que se era a Comissão que não aceitava o treinador inscritor, ela que indicasse o substituto. Com isso a Comissão não concordou, a responsabilidade, no caso da inscrição, era do proprietário, já que era ele quem tinha que indicar quem iria atender os cavalos, quem faria jus a eventuais prêmios ou até, a eventual suspensão. Não houve acordo, o proprietário manteve–se irredutível. E disse mais, com o acentuado problema da falta de suficientes inscrições, ele duvidava que os animais não participassem dos programas.
Ele foi informado de que até o dia seguinte, às 17 horas, se não houvesse a indicação do treinador, os nomes dos sete animais sequer figurariam nos programas. O proprietário duvidou. No dia seguinte, às 15 horas, a Comissão voltou a telefonar, lembrando do compromisso até as 17 horas. Nesse horário, sem notícia a respeito, a Comissão cancelou as sete papeletas de inscrições assinadas pelo treinador, então já suspenso.
Às 17:30 horas, o proprietário telefonou, para saber como tinha ficado o problema, e naturalmente ficou sabendo que os sete animais já não figuravam nos programas.
O proprietário não acreditava que isso pudesse acontecer, sete inscrições a menos nos magros programas, e desesperado, passou a telefonar para diretores amigos. A notícia extravasou, e a credibilidade do JCB aumentou.
Outro caso, naqueles tempos difíceis de formação dos programas, foi quando numa prova especial, a rigor obrigatória, foram inscritas apenas duas éguas, uma parelha, de um proprietário muito bem relacionado com a Diretoria. Sabendo das enormes dificuldades do clube, e de um páreo sem apostas e de dotação significativa para a época, retirou as inscrições de sua parelha. O páreo não foi disputado por falta de inscrições, e o JCB foi poupado financeiramente.
Para ser formado o programa, páreos eram juntados para serem conseguidos números suficientes para a programação, e os diretores telefonavam para os proprietários inscritores dos páreos juntados, explicando daquela necessidade para a formação do programa. Ou era daquela forma ou os animais ficariam nas cocheiras. Sempre os proprietários compreendiam o problema, e aceitavam de bom grado.
Hoje em dia, com mais do triplo das inscrições semanais, o problema muitas vezes é o inverso, páreos programáveis tem que ser "cortados", não programados, para serem mantidos os 40 páreos semanais entendidos como o número melhor.
por Milton Lodi