Há muitos anos, na Associação Brasileira, foi por ela criada uma comissão composta de 15 membros, para estudar, discutir e propor um novo agrupamento para as provas do Calendário Clássico Nacional.
A graduação das provas deve seguir o conceito de tradição da prova, sua repercussão no meio do turfe, sua dotação, a qualidade dos concorrentes, tudo isso sendo expressado em escala, ou seja, havendo um "afunilamento" na direção do Grupo 1. Digamos, como raciocínio, que os Clássicos (Listed), devem representar 40% das provas do Calendário; 30% as de Grupo 3; 20% as do Grupo 2; e 10% as de Grupo 1; não necessariamente nesses percentuais, mas sempre em números decrescentes dos Clássicos para o Grupo 1.
É natural que a cada ano, os páreos se apresentem com perfil diferente, páreos mais ou menos cheios, com melhores ou piores competidores, etc. Uma Comissão Especial analisaria, anualmente, o comportamento dessas provas, e uma piora ou melhora por dois anos consecutivos na magnitude da prova provoca uma reclassificação. Assim, os clubes promotores de corridas estão permanentemente cuidando para que as provas não caiam de grandeza.
O tal grupo de 15 membros, constituído por turfistas cariocas, paulistas, paranaenses e gaúchos, reuniu–se três vezes, e logo na primeira reunião, 80% do trabalho já ficou acertado, ficando os outros 20% para outras reuniões. Aí criou–se o problema.
Com a grande distância técnica entre os habituais programas do JCB e do JCSP, as provas principais do JCP e do JCRS, via de regra, eram freqüentados por cavalhadas de qualidade inadequada aos pretendidos padrões das provas.
A não ser quando um cavalo de categoria melhor ia do Rio ou de São Paulo para correr o GP Paraná ou o GP Bento Gonçalves, por exemplo, os ganhadores, eram cavalos sem expressão clássica, padrão "4 anos, 2 vitórias", na Gávea ou em Cidade Jardim. Quer dizer, cavalos comuns, ganhando status de ganhadores de Grupo 1.
Uma das vantagens de uma nova reclassificação, além da colocação das provas em seus adequados lugares, era provocar uma reação técnica do Paraná e do Rio Grande do Sul, por exemplo, que caminhariam para a criação de uma "Comissão Permanente do GP Paraná", e uma equivalente, referente ao GP Bento Gonçalves, que em procedimento permanente, cuidariam da promoção do evento próximo, contactando os proprietários dos bons corredores que pudessem vir a participar, solicitando apoio financeiro dos proprietários, dos criadores, dos sócios do Clube, da Prefeitura, do Governo Estadual, de empresários, enfim, de qualquer fonte de onde possa sair vantagens, dinheiro, promoção para o grande evento anual do Clube. Uma Comissão Permanente iria dinamizar, lutar para eventos mais significativos, dessa forma indiretamente alçando, ascendendo a posição dos Grandes Prêmios.
Mas o trabalho não foi sequer submetido à aprovação da Associação, àquela altura, já nas mãos de outro Presidente, que cedeu a pressões e as impropriedades dos agrupamentos ficaram como estavam, e aí estão até hoje.
Protegidos pela inanição, com a garantia de que por pior que seja o padrão apresentado pelo evento, ele não é tocado, o clima de piora mantém–se.
Pobre Turfe Brasileiro.
por Milton Lodi