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Outubro | 2006

Tríplice Coroa no Rio, a única certa?
10/10/2006 - 22h25min

Gerson Martins

Júnior defende a Tríplice Coroa Nacional

Em todos os principais centros turfísticos do mundo, ou seja, na América do Sul, América do Norte, Europa e Ásia, a Tríplice Coroa, destinada a potros e potrancas, é disputada no que poderia se chamar de primeira metade dos três anos.

O único turfe onde as provas que definem um tríplice coroado são realizadas na segunda metade dos três anos é o carioca. E isso vem do início do século passado, quando o Rio era absoluto no cenário brasileiro e os dirigentes, alegando a maturidade tardia dos potros e potrancas, decidiram se contrapor ao mundo inteiro, marcando as carreiras da Tríplice Coroa para o segundo semestre após os animais completarem os 3 anos hípicos.

Para falar sobre o assunto, conversamos com o criador e proprietário José Carlos Fragoso Pires Júnior, que, inclusive, já publicou um artigo sobre o assunto, sugerindo a Tríplice Coroa única.
 
Júnior, o turfe carioca é o único correto em relação à Tríplice Coroa?

Evidentemente que não. Esta decisão foi tomada no início do século passado e se mantém até hoje. Em São Paulo, quando o turfe tomou corpo, eles aproveitaram o espaço vago e corretamente, em minha opinião, marcaram as provas da Tríplice Coroa a partir de setembro, dando início à disputa no GP Ipiranga. As fêmeas, este ano, começaram em 12 de agosto, no GP Barão de Piracicaba.

Você entende que, no Rio, a mudança já deveria ter ocorrido?

Hoje, com as melhorias na criação do PSI, no que diz respeito à alimentação, pastagem, manejo etc, o cavalo de corrida passou a atingir a maturidade mais cedo, e um PSI recém–virado de 2 para 3 anos, é muito mais maduro do que no início do século passado. Sendo assim, a realização da Tríplice Coroa na primeira metade da campanha dos 3 anos é mais correta do ponto de vista técnico.

Você defende a realização de uma Tríplice Coroa Brasileira, como acontece nos Estados Unidos, por exemplo. Como seria?

Já existem muitos adeptos à idéia, mas outros tantos, por bairrismo, talvez, preferem que seja mantida a fórmula atual. Uma só Tríplice Coroa, tanto para machos, quanto para fêmeas, seria o ideal. E nas distâncias de 1.600, 2.000 e 2.400 metros.

E como seriam realizadas estas provas?

Tanto a Tríplice Coroa de Produtos, como a Tríplice Coroa de Fêmeas obedeceriam o seguinte esquema de módulos, com as disputas realizadas na pista de grama:

Módulo A:
1ª prova Produtos.....GP 2000 Guinéus (1.600m)
2ª prova Fêmeas.......GP Diana (2.000m)
3ª prova Fêmeas.......GP Criadores (2.400m)

Módulo B:
1ª prova Fêmeas.......GP 1000 Guinéus (1.600m)
2ª prova Produtos.....GP Jockey Club (2.000m)
3ª prova Produtos.....GP Derby Brasileiro (2.400m)

Em um mesmo ano, num hipódromo, seriam disputadas provas do Módulo A enquanto no outro as do Módulo B. No ano seguinte, seria alternado, ou seja, aquele que teve a disputa do Módulo A, faria a do Módulo B e vice–versa. A razão disso é que um hipódromo terá o GP Diana enquanto o outro o GP Derby Brasileiro, de forma alternada, pois são as principais provas da geração.

Você tem uma idéia formada também sobre as datas destas provas, correto?

As datas das disputas seriam, todos os anos, as seguintes:

Fêmeas:
1ª prova...........3° domingo de agosto
2ª prova ..........3° domingo de setembro
3ª prova...........3° domingo de outubro

Produtos:
1ª prova...........1° domingo de setembro
2ª prova...........1° domingo de outubro
3ª prova ..........1° domingo de novembro

Como você chegou à conclusão deste sistema?

Este sistema mostrou–se mais adequado pois exige duas viagens para o potro que se encontra no hipódromo onde está sendo disputado o Módulo A, e apenas uma viagem se o potro estiver alojado no hipódromo onde esteja sendo disputado o Módulo B. O mesmo para o caso das potrancas. Resumindo, o potro (ou a potranca) faria no mínimo uma viagem e no máximo duas.

Haveria, também, uma redução de despesas para os Jockeys?

Certo, para os Jockeys Clubs (Rio e São Paulo) haveria uma redução de despesas de prêmios pela metade, pois ao invés de cada entidade gastar com seis provas de Grupo 1 (três para a Tríplice Coroa de produtos e três para a de fêmeas), totalizando os dois juntos 12 (doze) provas de Grupo 1, os dois clubes iriam gastar apenas o equivalente a três provas de Grupo 1, cada.

No artigo que você publicou, há algum tempo, você também dedicou um tópico quanto à nomenclatura das provas. Em sua opinião, como deveriam ser identificadas as carreiras da Tríplice Coroa?

Na minha opinião elas não deveriam ter nomes de pessoas vivas ou mortas, e sim, nomes com significado internacional (a fim de que possam ajudar aos estrangeiros a ter um melhor entendimento do nosso turfe, assim como valorizar a nossa exportação) e que possam se perpetuar, criando uma tradição, principalmente, também, pelo caráter rotativo entre Rio e São Paulo. O nome da prova não muda; muda apenas o local da disputa.

Como Fragoso Pires Júnior, muitos criadores e proprietários apostam na Tríplice Coroa Nacional. Por outro lado, existem os defensores da fórmula atual, onde fala mais alto a tradição local. Pelo menos, os dirigentes do Rio de Janeiro poderiam repensar e deixar de ser “diferentes” em relação ao mundo das corridas. Se não houver um acordo em relação à Coroa brasileira, que cada um tenha a sua, na mesma época. Afinal, hoje em dia, muitas das principais provas da geração têm sido disputadas em datas semelhantes, como aconteceu no último fim de semana.

por Marco Aurélio Ribeiro



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