Nome completo?
Celson Afonso de Oliveira Mendes Neto
Qual sua idade?
Re: 31 anos
Como você entrou para o turfe?
Venho de uma família ligada as corridas. Ainda criança frequentava o hipódromo pra ver meu tio Reisinho (J.F. Reis) montar. Com 14 anos, comecei a trabalhar como assistente de treinador com meu outro tio, Leonardo Reis (L.J. Reis), ajudando na cocheira, dando banho nos cavalos, etc. Como eu tinha peso e tamanho, e meu irmão, Bruno Reis, teve uma boa passagem pela Escola de Aprendizes, fui incentivado a seguir o mesmo caminho. Resolvi aceitar o convite, mesmo sem nunca ter montado em um cavalo antes.
Como você avalia sua trajetória como jóquei?
Por mais que eu tenha me esforçado, acredito que eu não tinha aquele "algo a mais". Nunca foi um sonho ser jóquei. Minha passagem como aprendiz foi discreta, não venci muito, mas era uma época bem diferente. Fui aprendiz junto com Josiane Gulart, Ivaldo Santana, Mazini, Marcelo Gonçalves, Josni Ribeiro, Rodrigo Salgado, Dalto Duarte, entre muito outros. Era mais concorrido na época, aprendiz não descarregava em claiming, eu não era um dos mais inexperientes, digamos assim (risos), e ainda disputávamos montarias com jóqueis como J. Ricardo, L. Duarte, T. J. Pereira, I. Correa, M. Cardoso, J. Leme – fora os que ainda estão montado hoje em dia. Quando passei à jóquei, quase não montava mais, estava desmotivado e parei logo que pude.
Qual foi o cavalo que mais marcou sua carreira como jóquei?
Então, eu não tive a oportunidade de montar bons cavalos, quando alguma montaria um pouco melhor despontava, na corrida seguinte já não era mais minha (risos). Mas tinha um cavalo que eu gostava muito, Frenetic, do Stud Amigos da Barra. Ele tinha um problema locomotor, mancava e nenhum jóquei queria montá–lo. Inclusive, já tinha sido retirado no cânter algumas vezes. Junto com seu treinador, meu grande amigo João Coutinho Filho, comecei a galopá–lo diariamente. Ia na cocheira regularmente para vê–lo, etc. Resumindo, ganhamos cinco. Era um cavalo de claiming, mas tenho um carinho muito grande ele.
Você sente muita saudade das pistas?
Tenho boas lembranças, mas não chega a ser saudade. (risos)
Como surgiu a chance de ir para a TV?
Quando passei a jóquei, estava disposto a tentar algo novo. Trabalhei como agente de montarias de jóqueis como Marcelo Cardoso e Ilson Correa. Fui redeador do Stud São Francisco da Serra, trabalhando com o treinador J. C. Sampaio, depois do Stud Alvarenga, com o saudoso L. T. Holanda. Comecei a me interessar pela profissão de treinador e, ainda como jóquei, tentei absorver muito com a forma que cada treinador levada no dia a dia cada um de seus animais. Tudo caminhava para isso. Mas com todas essas funções, eu acabava, mesmo que sem correr atrás, ficando muito bem informado. Amigos pediam palpites e acertava muito. Um dia, surgiu um convite para fazer marcações nas corridas de Campos para a antiga revista. Logo depois, surgiu a oportunidade de indicar para as corridas da Gávea no site oficial do JCB , com uma coluna chamada "Papo de Cocheira". Meses depois, fui convidado para a TV e o resto todo mundo sabe. (risos)
E na TV, qual momento mais marcante?
Imagina a cena: Ricardinho, campeão de tudo, nunca havia vencido uma Tríplice Coroa. Ele ganha o Derby com Plenty Of Kicks e lá estou eu, na pista, montado em um cavalo para entrevistá–lo. Na primeira pergunta ele desabou e começou a chorar de emoção.
Por Lucas Eller