Nome completo?
Ronaldo Marins Lima.
Qual sua idade?
38 anos
Você já tem quantos anos de profissão?
Desde 2002 já treinava cavalos, mas foi em 2004 que consegui minha matrícula. Então já tenho um total de 14 anos treinando.
O que te levou a ser um treinador de cavalos de corridas?
Minha família é toda ligada ao turfe meu pai foi aprendiz na década de 60, no programa trazia o nome de N.Lima, montou pouco tempo. Meu tio também montou nessa época e tinha o nome no programa de P.Lima, daí a paixão pelo turfe. No segundo ano da faculdade de veterinária meu amigo Ricardo Lima um dos titulares do Haras das Estrelas, me mandou um cavalo para treinar achando que eu levava jeito para a coisa, daí em diante estou até hoje.
Qual foi o melhor cavalo que você já treinou?
Na verdade acho que foram dois, o Ta Luv que era um arenático de primeira que em dez saídas obteve sete vitórias, sendo cinco clássicas e duas comuns. E outro excelente animal que treinei foi El Demolidor que venci minha primeira prova de Grupo, e que obteve nada mais, nada menos que dezesseis vitórias que não é nada fácil nesse nosso turfe, esses dois deixam muitas saudades.
Qual foi o cavalo que mais te marcou sentimentalmente falando? Por que?
Foi o El Demolidor, que além de vencer dezesseis corridas sob meus cuidados, depois de sua oitava vitória passou a ser de minha propriedade e me ajudou em todos os aspectos, tanto financeiro, quanto profissional.
Qual foi a vitória que mais te marcou? E a derrota?
Foi a da All In em um clássico aos dois anos. Sempre tive um sonho de comprar uma potranca para mim mesmo e vencer uma prova clássica de dois anos. Ela era ótima potranca e foi muito legal a experiência, gastei minhas economias todas nela por esse sonho [risos], mas graças a Deus ela me recompensou muito bem.
As derrotas não são poucas nesse esporte, mas acho que elas me ensinaram bem. Mais até do que as vitórias. A derrota que mais me marcou foi no GP Costa Ferraz G3, no ultimo pulo para a potranca Sweet Roar, com uma potranca que eu tinha que se chamava Thaegen (Dancer Man e Lady Guria), que era uma “máquina” de correr, mas que tinha muitos problemas físicos e não sabia se ela teria outra oportunidade dessa, por isso foi uma derrota amarga. Ela era tao boa, que depois dessa carreira, ela foi segundo para o Desejado Thunder “dando carga” nele.
Quantos cavalos você esta treinando no momento?
Estão sob os meus cuidados 38 animais no momento.
Qual o segredo do seu sucesso, tendo em vista que está na melhor fase de sua carreira?
Acho que sou meio obcecado por achar o caminho ideal para chegar a vitória com os meus pensionistas. Amo o que faço e não paro de aprender nem um minuto, trabalho praticamente 24 horas por dia [risos]. A cabeça não para nunca.
Tem alguma história curiosa no Turfe que possa repartir com os leitores do Raia Leve?
Acho que foi quando mandamos o animal Meu Chuck para o gênio do meu amigo D. Guinoni. Enviei o potro que estava sentindo o verão na Gávea e disse a ele que acreditava muito em seu potencial, que já obtivera duas vitorias comigo, e algumas colocações clássicas. No dia seguinte que o potro chegou no centro de treinamento, o “mago” bateu na porta de minha casa, sentou na varanda comigo e perguntou: “E ai, Ronaldo Lima, me passa todas as informações do potro para eu caprichar com ele, para ganharmos uma prova importante logo!”
Três meses depois, [risos] ele venceu a Milha Internacional. Achei muito legal um cara com sua bagagem ter a humildade de me pedir informações sobre um assunto que para nos, simples mortais, entendemos que ele saiba tudo.
por Lucas Eller