Dr. Igor, poderia nos dizer um pouco como foi seu início no turfe?
Tenho o privilégio de há doze anos atuar como veterinário na criação de PSI.
Os cavalos sempre me chamaram atenção, de alguma forma, desde criança, e fizeram parte do meu convívio. Gostava de ir nas canchas retas no interior, mas o contato mais intenso com a criação e as corridas se deu durante a graduação onde direcionei a formação profissional aos cavalos, em especial ao PSI.
Quais Haras você atende?
Atualmente trabalho no Haras Di Cellius e no Haras Lorolu, em ambos desenvolvemos um trabalho em regime de pensionato onde prestamos serviço a importantes criadores e também criando para as próprias fardas.
Quais são os reprodutores com os quais você trabalha hoje? Todos no Di Cellius? Há alguma curiosidade em relação a algum destes animais?
Hoje sob minha supervisão, no Haras Di Cellius, temos os garanhões Bold Start (USA), Taludo, Mig, Mutasallil(USA). No Haras Lorolu, o Acteon Man. Não diria curiosidade, mas a observação das características de temperamento e físico de cada indivíduo se torna fundamental no planejamento da utilização reprodutiva deles.
No Haras Di Cellius há inúmeras éguas de grande qualidade em relação à campanha e/ou pedigree. Poderia destacar algumas?
Algumas éguas já nos brindaram com animais clássicos, com Shanay, mãe de Dolly Max, premiada no Troféu Mossoró. Andrea Girl, mãe de três ganhadores de grupo, entre eles, Garota do Verde e Hielo, bicampeão do GP José Pedro Ramirez G1. Atualmente contamos no plantel entre outras com Blue Coax, mãe de First Line e Power Sound, mãe de Poker Face, excelente cavalo em carreira e que inicia sua trajetória como garanhão. Não posso deixar de citar Back For Good, mãe de Belo Acteon, ganhador do GP Brasil, e hoje reprodutor, e Dancing Chris, mãe de Famous Acteon, ganhador do GP Cruzeiro do Sul, G1, matrizes que não estão no Di Cellius, mas todas são éguas que me oportunizaram criar ganhadores de grupo 1.
Quem visita o Haras Di Cellius se encanta com a estrutura e forma de manejo do haras. Qual o grande segredo para se criar animais tão bonitos?
Realmente o haras nos proporciona estrutura excelente com os investimentos feitos pelo titular, Giselto Krutzmann. Estas melhorias nos permitiram desenvolver um bom trabalho na criação e preparação de potros. Na criação, acredito não haver segredo, Como já mencionei basta ter uma boa estrutura e uma equipe bem montada, estes sim são fatores essenciais. A criação para ter resultados deve estar baseada em um bom manejo (alimentar e sanitário) e também credito na boa apresentação dos animais, a dedicação de todos envolvidos em observar e respeitar as individualidades dos animais.
Aliás, nesta semana, na quinta–feira, dia 9, o Haras Di Cellius participa, junto com o outros importantes haras, de um leilão de potros promovido pela APPS. Algum comentário sobre as 6 inscrições do Di Cellius?
Estamos às vésperas de mais um leilão, o que sempre gera grande expectativa. Neste leilão iremos apresentar potros de bom físico e que são irmãos de cavalos clássicos, como irmãos de Poker Face, First Line e Hiper Negro.
Como a criação Di Cellius é muito maior, haverá outro leilão?
Sim. Em breve, os demais potros serão ofertados ao mercado em leilão na sequência. Neste leilão iremos apresentar poucos animais por se tratar de um leilão com a participação de vários criadores e isso limita o número de vagas.
Há algum destaque entre os demais?
Entre os potros que serão colocados à venda, temos um potro por Public Purse na ganhadora de Grupo 2, First Line. Também destaco os filhos de Mastro Lorenzo, sua última geração no Brasil e Tiger Heart hoje um dos garanhões de destaque em provas de velocidade.
Qual foi a sua maior alegria no turfe?
As alegrias são distintas, sejam elas de participar do nascimento de um potro, no qual se estudou o cruzamento, acompanhou toda gestação até o momento de vê–lo correndo no campo e posteriormente nas pistas. As vitorias sempre nos trazem alegria e de uma forma especial as de provas de grupo. Posso dizer que a de Belo Acteon, no GP Brasil de 2011, foi emocionante por se tratar de uma prova das mais importantes do nosso calendário e também da forma em que se deu a vitória, com uma chegada de arrepiar.
Famous Acteon, Dolly Max e Hielo que são ganhadores de grupo 1 e também proporcionaram enorme alegria. Espero poder em breve ter a satisfação de participar da criação de novos craques.
O senhor é um jovem profissional e também pequeno criador. O senhor acha que o turfe pode ser atraente para um jovem (como turfista, proprietário, criador ou profissional) hoje em dia?
O turfe é uma atividade contagiante, creio sim, que possa ser atraente aos jovens. Sempre que posso levo os meus filhos ao haras para assistir algum páreo. Se cada um dos envolvidos levar um filho, neto ou amigo ao convívio do cavalo e das corridas, tenho certeza que teremos novos apaixonados pelo turfe e isso será importante para manter e ampliar a atividade.
Como você vê o turfe há cinco anos atrás e atualmente?
O turfe assim como nosso País passa por um momento de instabilidade. Os clubes com dificuldade financeira e o aumento dos custos da atividade em geral tornam o turfe por vezes pouco atraente. Como atuo diretamente na criação, um dado que se torna preocupante é a redução de criadores, matrizes e por consequência menor número de nascimentos ano após ano. Levando os números como base, a redução em qualquer atividade deve ser um sinal de alerta.
Diante das dificuldades financeiras enfrentadas pelo turfe brasileiro atualmente, acha que poderia ser feito algo para atrair novos proprietários e manter os atuais?
Algumas iniciativas, como explorar os meios de comunicação que cheguem as pessoas fora dos muros do turfe me parece necessário. Apresentar o turfe ao público em geral é fundamental para atrair novos adeptos para a atividade. O marketing é fundamental em qualquer atividade. Os diversos meios da mídia especializada desenvolvem um bom trabalho, mas que na maioria das vezes ficam restritos aos que já são conhecedores do turfe. Outro ponto determinante é o incremento dos prêmios, que é essencial para que se ter um equilíbrio financeiro aos envolvidos, mesmo que isso passe por buscar meios de incentivo governamental e mudanças na política de apostas.
Através do Raia Leve, gostaria de deixar alguma mensagem especial aos turfistas, aos profissionais ou aos dirigentes de turfe brasileiros?
Gostaria de agradecer a todos proprietários e criadores que nos confiam o cuidado de seus animais. Desejar aos turfistas um ótimo festival do GP Brasil e que sigam acreditando. Com projeto, organização e trabalho é possível obter resultados.
da Redação