No ano em que nasceu MANGUARÍ no Haras Mondesir (o cavalo predileto do meu pai), 1945, nasceu também EMPEÑOSA, no Haras Argentino S.A. Com um régio pedigree, EMPEÑOSA foi a leilão em Buenos Aires em 1947, com muitos pretendentes. Ela era filha do inglês FULL SAIL, pai, dentre outros animais de grande expressão clássica, de FILON, um dos vencedores do GP Brasil. A mãe ERMUA, ganhadora de 4 corridas na Argentina, era filha de CONGREVE, sem quaisquer dúvidas um dos nomes mais importantes da criação argentina em todos os tempos. ERMUA foi extraordinária mãe, e dela descende um enorme número de grandes ganhadores clássicos, não só em seu país, como, também, no Brasil e ainda na Europa.
EMPEÑOSA foi comprada por alta soma pelos irmãos brasileiros Roberto e Nelson Grimaldi Seabra, do Haras Guanabara. Estreou na Argentina em 1948, mostrando–se de alta qualidade, e entre suas importantes vitórias, podem ser lembradas: no Selecion, na Polla de La Plata e também na Polla de Palermo. Após sagrar–se como a melhor fêmea de sua época na Argentina, veio para o Brasil, continuando a sua vitoriosa campanha nos clássicos e Grandes Prêmios. Encerrou suas atividades como corredora com 10 vitórias, sempre contra o que havia de melhor.
Foi para a reprodução continuando a sua seqüência de sucessos. Extraordinária mãe, avó e bisavó, EMPEÑOSA é dentre muitos outros descendentes clássicos. Só como pequenas referências, EMPEÑOSA foi mãe de EMERSON (invicto em 5 corridas, inclusive os Derbies Sul–Americano, Paulista e Carioca, e garanhão clássico na Europa), EMOCION (Dianas paulista e carioca) e EMPYREU (ganhador clássico e segundo colocado em provas da tríplice coroa). EMPEÑOSA foi avó de: EMBUCHE (GPs Diana, José Guathemozin Nogueira, Jockey Club Brasileiro, Marciano de Aguiar Moreira). Como bisavó (3ª mãe), apresentou a tríplice coroada EMERALD HILL, invicta nas pistas brasileiras, tríplice coroada paulista. E o curioso é que repetiu–se com EMERALD HILL o que havia acontecido com EMPEÑOSA, ela que é no momento a última tríplice coroada paulista, agora como bisavó (3ª mãe), está no pedigree de COLINA VERDE, extraordinária vencedora das duas primeiras etapas da tríplice coroa (os GPs Barão de Piracicaba e Henrique de Toledo Lara), nas duas importantes provas mostrando qualidade e classe, aceleração impressionante.
O turfe brasileiro aguarda com atenção e ansiedade o GP Diana, o último degrau para COLINA VERDE, que já está consagrada como corredora extraordinária, sagrar–se, merecidamente, tríplice coroada.
Tudo começou com a feminina EMPEÑOSA.
Os detalhes técnicos, que me permitiram montar esse artigo, foram–me dados pelo meu amigo Bertrand Joachim Kauffmann, fora de dúvidas um dos melhores hipólogos e homens de turfe que conheci e conheço.
por Milton Lodi