A) Quando das vésperas do GP Brasil de Um Milhão de Dólares, em 1995, um diretor do Jockey Club Brasileiro entendeu de visitar o grupo de cocheiras onde estavam instalados os animais que tinham vindo de fora para competir. Foi bom, pois notou que o cavalo norte–americano havia sido ferrado para correr com agarradeiras, o que era proibido. A contragosto, ameaçados de não poderem participar do páreo, concordaram em corrigir o problema. No dia da corrida, o tal diretor ficou no prado, no Serviço de Veterinária, para receber todos os competidores inscritos, e em especial o tal das ferraduras com agarradeiras. Aquele estava em ordem, como todos menos um, um brasileiro. O treinador foi chamado e avisado que com agarradeiras na grama o cavalo ia ser retirado, era proibido. Foi quando o cavalariço, que segurava o cavalo, inopinadamente disse que negócio era aquele, todos os cavalos daquele treinador, corriam sempre na grama com agarradeiras, sem quaisquer problemas. Daí, duas conseqüências: a retirada das agarradeiras de imediato, e a diminuição do número de vitórias em pista de grama daquele treinador.
B) JOHN AISCAN era um hipólogo de primeira linha, entendia muito de pedigrees e dos tipos físicos dos animais. Escrevia artigos para as melhores revistas de turfe no plano internacional, vivia parte do ano na Inglaterra e nos Estados Unidos, e em suas habituais viagens costumava passar uns dias no Brasil. Gostava muito de assistir corridas e de examinar animais, aos quais muitas vezes se afeiçoava, como, por exemplo, a ELPENOR (ia visitá–lo no Rio Grande do Sul, sempre que podia). Seu alto padrão de conhecimento lhe dava autoridade para emitir conceitos, algumas vezes inusitados, como se segue. Após a fantástica Tríplice–Coroa de SECRETARIAT, ele foi ao haras onde se encontrava BOLD RULER, o pai. Examinou BOLD RULER, pediu para examinar também outros garanhões, dentre eles o francês HERBAGER, que ficava em box próximo, e disse que, sob o aspecto morfológico, ele não tinha dúvidas em afirmar que SECRETARIAT era filho de HERBAGER, e não de BOLD RULER. Por onde JOHN AISCAN andava, ele afirmava isso. Eu mesmo ouvi dele essa afirmação.
C) Entre 1992 e 1995, em uma segunda–feira, logo após ficar pronta a relação dos animais inscritos, chegou à Comissão de Corridas do JCB, no prado, um proprietário que manifestou o desejo de assistir ao sorteio, já que seu cavalo tinha muita chance, desde que não largasse por fora de todos, pois sem pelo menos um à sua direita, ele não fazia a curva. O sorteio era, e é, público, e feito por computador, bastando apertar uma tecla. Os sorteios dos páreos foram se sucedendo, e o proprietário repetindo sem parar que só não podia ser por fora de todos. Quando chegou o momento do páreo em questão, o diretor presente deu–lhe o direito de apertar a tal tecla, que ordenaria os sete competidores inscritos. Falando sem parar, o proprietário apertou a tecla, sorteou o seu cavalo com o número sete, o de fora de todos, e inconformado foi–se embora. Eu não me lembro se o cavalo dele fez a curva.
D) Estava para ser corrida a primeira prova da Tríplice–Coroa carioca, e o Haras Guanabara (Roberto e Nelson Grimaldi Seabra) apresentava a parelha BUCAREST, uma ótima potranca que ia com o jóquei Ubirajara Cunha, e RED CAP, estreando na Gávea e montado pelo jóquei preferencial da coudelaria, o especial Francisco Irigoyen. Os olhares todos estavam em RED CAP, com fama de ser um bom potro de São Paulo e que iria contar com a preferência do jóquei oficial. A corrida se desenrolou como o esperado, BUCAREST na ponta, naturalmente fazendo corrida para o companheiro, com o chileno quieto, lá atrás, esperando a reta final. E naturalmente todas as forças do páreo esperando pelo Irigoyen. Quando todos deram conta de que RED CAP não estava no páreo, ele é que estava fazendo corrida para BUCAREST, lançaram–se em busca da égua, mas BUCAREST tinha muita qualidade, e não se deixou alcançar. BUCAREST – RED CAP foi um caso típico de um "faixa" ao inverso.
E) Li o que se segue, há muitos anos, em uma publicação turfística, mas, não posso assegurar que foi verdade. Em um prado pequeno, foi corrido um páreo com 3 animais, que chegaram pela ordem: A – B – C. Na volta dos jóqueis da raia, o do C reclamou que o B o havia prejudicado muito. A Comissão de Corridas concordou, e modificou a ordem de chegada para: A – C – B. Na repesagem, a balança mostrou que faltava peso no material do A, que foi desclassificado para último, sem direito a qualquer prêmio, ficando o resultado oficial para: C – B – A. Assim foram pagas as apostas. Dias depois, o exame antidoping mostrou que o cavalo C havia corrido sob a ação de estimulantes. E de acordo com o Código Nacional de Corridas, o cavalo C foi desclassificado para último, sem direito a quaisquer prêmios. Resultado final do páreo: Em primeiro lugar o B, e em último, empatados sem direito a prêmios, o A e o C. Não houve 2° nem 3° colocados, pois as desclassificações são claras nos dois casos, falta de peso e doping, para último, sem direito a quaisquer prêmios.
Resumo:
1° Resultado: A – B – C
2° Resultado: A – C – B
3° Resultado: C – B – A
4° Resultado: B (A e C empatados em último).
por Milton Lodi