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Julho | 2010

Coberturas 2005 / 2009, por Milton Lodi
22/07/2010 - 09h08min

Assim como em todos os anos, o criador José Carlos Fragoso Pires Júnior fez um levantamento referente a atuação dos garanhões que nas últimas cinco estações de monta mais trabalharam. Dois critérios norteiam o trabalho, quais sejam, não são considerados os cavalos que já morreram, e para figurar na relação o cavalo tem que ter coberto pelo menos em uma estação o mínimo de 40 éguas.

A relação é muito interessante, e naturalmente os cavalos já sediados normalmente no Brasil recebem mais éguas em 5 anos que os de "shuttle", que trabalham normalmente em uma ou duas estações e vão embora. Pela ordem decrescente do numero de éguas servidas nos 5 anos, estão: Nedawi – 404, Redattore – 381, Public Purse – 369, Mensageiro Alado – 361, Blade Prospector – 335, Red Runner – 333, Durban Thunder – 330, Wild Event – 310, Crimson Tide – 302, Northern Afleet – 301, True Confidence – 297, Our Emblem – 271, Amigoni – 264, Giant Gentleman – 262, Hard Buck – 260, Choctaw Ridge – 254, Torrential – 251, Inexplicable – 248, Dodge – 248, First American – 244, Dancer Man – 234, Fahim – 218, Fritz – 209, Top Size – 202, Sulamani – 201, Holzmeister – 191, Point Given – 184, Yagli – 182, Tiger Heart – 174, Spring Halo – 172, Mastro Lorenzo – 169, Signal Tap – 168, Mig – 156, Dubai Dust – 155, Shudanz – 151, Music Prospector – 150, Put It Back – 150, Hibernian Rhapsody – 136, Thignon Lafré – 126, Bonapartiste – 125, Fast Fingers – 124, Impression – 119, Siphon – 117, Qais – 117, Elusive Quality – 116, Silent Name – 116, Gilded Time – 112, Vettori – 110, Astor Place – 105, Christine’s Outlaw – 102, Notable Guest – 97, Orward Royal – 95, Pitú da Guanabara – 90, Artax – 86, Gregoriano – 85, Sinndar– 81, Miesque’s Son – 75, Linngari – 72, Watchmon – 71, Avanzado – 69, Good Reward – 67, Molengão – 66, Pioneering – 66, Top Hat – 58, Crafty C.T. – 50, Salute The Sarge – 46, Silent Times – 42.

É de se notar que alguns cobriram nas cinco temporadas, e outros até só em uma. O quadro mostra, no entanto, que todos receberam, pelo menos em uma temporada, número razoável de éguas.

É uma das leis da seletividade, aos melhores cavalos todas as oportunidades possíveis, e nada para os rins, os inferiores que pouco ou nada tem a oferecer. No Brasil, a não ser em casos muito especiais, cavalos que fizeram campanha nas pistas nacionais só deveriam ser utilizados na reprodução ganhadores e até no máximo colocados até terceiro lugar (tendo em vista a imensidão do país e o poderio de investimento de haras menores espalhados pelo território) em provas de grupo I e/ou de grupo II nos Hipódromos da Gávea e de Cidade Jardim. Esse critério, embora pouco rígido, pelo menos impediria que cavalos sem nenhuma classe viessem a produzir. É necessário lembrar que o bom pode ou não transmitir as suas qualidade, o ruim não pode dar o que não tem. O criador José Carlos Fragoso Pires Júnior há muito preconiza que o registro na produção de cavalos que fizeram campanha no Brasil deveriam se submeter a um critério financeiro que determinaria uma quase simbólica taxa para os ganhadores de grupo I na Gávea ou Cidade Jardim, outra para os de grupo II, e assim escala gradativa até um valor forte, grande, inibidor para perdedores ou semelhante. Essa escala progressiva poderia não impedir, mas pelo menos desencorajaria a ida para a reprodução daqueles que na verdade em principio não estariam aptos a um desejado programa de seletividade.

Há cavalos de ótimos resultados clássicos que praticamente não estão cobrindo. Não seria o caso de ser estudado um plano de aproveitamento? Desde que o cavalo esteja segurado, disponha de um indispensável número mínimo de éguas, se não um só mais um grupo de pequenos criadores de uma mesma região, com um indispensável acompanhamento veterinário, quem sabe até com o acompanhamento de Associação Regional, será que seria impossível ser montado um esquema desses?

Já há muitos anos que a criação de cavalos de corrida no Brasil, para a grande maioria, não é uma atividade lucrativa, ainda mas que a competitividade exige permanentes investimentos. E as atuais condições do turfe brasileiro não são condizentes com a realidade. Para os criadores médios e os pequenos, as condições são muito difíceis.

Voltando ao presente trabalho, em percentuais aproximados e em simples apreciação pois há garanhões que se deslocam de um Estado para outro, o Rio Grande do Sul tem 56,8%, o Paraná tem 19,3%, São Paulo tem 16,4% e Ponta Porã 7,4%. Repito esses percentuais variam um pouco em função de eventuais trânsitos dos cavalos, mas a grosso modo esse é o panorama.

Se houvesse em nosso país uma conscientização melhor do problema, se houvesse mais dinheiro circulando em nosso turfe, se a atividade fosse mais difundida e recebesse uma condigna atenção do Ministério e dos meios de divulgação, se houvesse palestras, congressos, material de divulgação de novas técnicas, conceitos e regulamentos, idéias para melhorar, enfim, se houvesse um movimento visando um futuro melhor para a criação e as corridas, seria muito bom. Mas na pratica, é muito "se".

Há muitos anos eu alvitrei a hipótese da injustamente falecida Sociedade de Criadores e Proprietários de São Paulo promover um leilão de arrendamento. É claro que com regulamento bem adequado para os donos dos reprodutores e os interessados em levar por um ou mais anos um cavalo de padrão clássico que estivesse em disponibilidade, com a possível segurança e conforto para os cavalos e uma garantida proteção financeira, o tal leilão poderia ser um dos bons caminhos no sentido da substituição de cavalos inferiores por outros de muito melhor categoria. Mas a época a idéia foi entendida como inexeqüível, um "sonho de uma noite de verão".

Mas o que importa é não parar de tentar melhorar, em todos os sentidos, na criação e nas corridas.



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