Um dos muitos e grandes benefícios que o Ministro LUIZ FERNANDO CIRNE LIMA fez ao turfe brasileiro foi a possibilidade de animais ganharem nos hipódromos da faixa B (Tarumã e Cristal, e hoje mais Campos) até o limite do prêmio da Gávea e de Cidade Jardim.
Os criadores e os proprietários paranaenses e gaúchos reclamavam da tradicional forma de enquadramento, vitória na faixa B contava igual na faixa A.
Brilhantemente, o Ministro CIRNE LIMA encontrou uma saída para o problema, determinando por Lei, que até o valor do prêmio na faixa A, os ganhadores da faixa B não tinham consideradas as vitórias. Por mero exemplo, se a dotação na Gávea era de 4000 reais, os cavalos paranaenses e gaúchos poderiam ganhar até 3999 reais, não importando o número de vitórias, e mantendo o direito de correr o páreo de perdedores.
Com esse conceito, todos ganharam, pois os sem maiores habilitações ficam para as corridas de suas origens, e os centros principais só recebem os de pelo menos alguma competência.
Outra decorrência da Lei CIRNE LIMA, foi a possibilidade por mim aproveitada, de mandar potros de São Paulo para iniciarem no Tarumã, e só depois de ganhadores, irem para Cidade Jardim e/ou Gávea. Em troca, animais bem vitoriosos nos centros maiores, iam para os hipódromos médios, Tarumã e Cristal, aumentando o contingente das turmas mais fortes.
Assim, mantive durante alguns anos, um razoável lote de animais em treinamento no Tarumã e no Cristal. E foi no Tarumã que aconteceu um fato muito significativo. Àquela época, não havia vacinação obrigatória e adequada em todos os animais alojados nas diversas Vilas Hípicas, o que ocasionou, por mais de uma vez, a interrupção, não só dos transportes, como também das corridas.
Quando houve uma paralisação das corridas em Cidade Jardim, e eu liderava a estatística de proprietários no Tarumã. Os transportes de animais também ficaram proibidos, em função de gripe equina. Havia um segundo colocado ameaçador, Carlos Eduardo Gurgel do Amaral Valente, sobrinho do titular do Haras Valente. Para melhor me defender, mandei o BOLINO passar o mês de dezembro no Paraná, pois sem corridas em São Paulo era a melhor solução. Entrei no mês de dezembro com poucas vitórias na frente do adversário, e chegamos à última semana do ano, ainda com uma vantagem de vitórias ao meu favor. No final, ganhei com 2 vitórias à frente.
À noite, telefonei do Rio para o Paraná para saber de detalhes, e tomei conhecimento de que proprietários radicados no Tarumã, haviam oferecido ao Carlos Eduardo a transferência simbólica de uns tantos animais com boas chances de vitórias, aumentando a chance dele me ganhar. Ele simplesmente havia recusado, alegando que desejava tentar uma vitória limpa.
CARLOS EDUARDO GURGEL DO AMARAL VALENTE, um bom turfista, um gentleman.
por Milton Lodi