No dia 4 de janeiro deste ano, Jorge Ricardo fez sua estréia, na Argentina, como jóquei contratado do Stud Rubio B. e começou uma tremenda maratona com viagens no meio da semana, intercaladas às atuações nas corridas do Hipódromo da Gávea.
Seriam seis meses de uma “quarentena” imposta pelo sindicato local aos jóqueis estrangeiros. A estréia não foi lá das melhores, pois, com três montarias, conseguiu um segundo, um quarto e chegou fora do marcador na oportunidade restante. Uma semana depois, no dia 11, veio a primeira vitória, no dorso de Mandon. Ricardo Benedicto, dono do Stud Rubio B., enfatizou, logo após a foto no winner’s circle, que “era uma grande alegria poder contar com Jorge Ricardo”. Disse, também, que seria espetacular se o piloto brasileiro batesse o recorde mundial nas pistas argentinas.
Bom, o recorde não veio, mas ninguém duvida que 2007 será o ano de Ricardinho. Terminada a corrida de terça–feira, o brasileiro já venceu 183 páreos na Argentina e, com apenas seis meses de “liberdade”, está entre os quatro primeiros colocados nos dois maiores hipódromos do país.
O ano de 2006 superou todas as expectativas
O ano hípico argentino é diferente do nosso e igual, por exemplo, ao dos americanos. Abrange o ano calendário, de janeiro a dezembro, embora respeitando a mudança de idade dos corredores, em 1° de julho, como acontece em todo continente sul–americano. A temporada 2005/2006, no turfe carioca, marcou mais uma vitória de Ricardo, na estatística, com um total de 259 vitórias, das quais 111 foram conquistadas no período entre 1° de janeiro e 30 de junho, portanto, em 2006. Ainda no primeiro semestre, ele venceu duas provas (Chanel Dawi e Queen Maud), em Cidade Jardim, na véspera do GP São Paulo e, já em agosto, no dia do GP Brasil, ganhou com o cavalo Rei Nagô, do Stud Chico City II, na Gávea, totalizando, no ano que termina, 114 primeiros lugares em solo brasileiro. Com as 183 obtidas em hipódromos argentinos, por enquanto, Ricardinho levantou 297 provas em 2006, um total superior ao que alcançou na temporada 2005/2006, na Gávea.
Um Raio X, nos três principais hipódromos argentinos
Durante a “quarentena” que teve de enfrentar, de janeiro a 16 de junho, Ricardo conseguiu vencer 27 páreos para o Stud Rubio B., e quando foi liberado para assinar montarias de outros proprietários, começou a colher os resultados. No dia 2 de setembro, atingiu a marca de 90 vitórias em hipódromos argentinos, mas ainda dizia, humildemente, estar conhecendo os animais e procurando trabalhar muito, com a intenção de ganhar a confiança de treinadores e proprietários. Daí em diante, seguiu vencendo constantemente, inclusive provas importantes do calendário clássico. Até ontem, Jorge Ricardo venceu 84 páreos no Hipódromo Argentino de Palermo, 75 em San Isidro e 26 em La Plata. A informação pode parecer errada, pois, se somarmos, o resultado dará 185. Acontece que o campeão perdeu duas de suas vitórias em Palermo. Os corredores Kabul Card e Cap Marshall foram desclassificados por medicação proibida.
A disputa pelo recorde mundial voltará a ser atração
Até domingo, o canadense Russell Baze somava 9.549 vitórias, portanto, 19 a mais que Ricardo. Mesmo montando em hipódromos de menor porte e em provas de campos reduzidos, Baze não terá vida fácil em 2007 e o brasileiro, sem dúvida alguma, ficará em seus calcanhares. Montando mais, totalmente ambientado ao turfe argentino, Ricardo agora é o caçador e Baze que tome bastante cuidado, pois a fera não tem nada de mansa e está pronta para dar o bote. A torcida brasileira estará firme com ele!
por Marco Aurélio Ribeiro