Homenageado, hoje, em Cidade Jardim, John Manteufel Aiscan nasceu na Letônia, em 1922, e faleceu em Lexington, Kentucky, em 1995, quatro dias após completar 73 anos.
Era Engenheiro Agrônomo, além de jornalista de turfe. Morreu sem fortuna, mas jamais vendeu sua consciência. Foi um dos maiores conhecedores de cavalos puro–sangue no mundo. Colaborou com algumas das melhores revistas especializadas no assunto, entre elas a “Turfe e Fomento”, publicada no Brasil, e a francesa “Course et Elevage”.
Muito inteligente, falava um pouco de várias línguas e conheceu o turfe em 26 países, nos cinco continentes. Nunca se cansava de viajar. Um dia estava na França, n’outro já seguia para a Normandia com o intuito de examinar uma égua ou um reprodutor.
Não cultuava o turfe como uma ilusão ou uma diversão, e sim, com imensa seriedade. Jamais comentava sobre um cavalo em campanha ou um reprodutor sem que o tivesse visto de perto. Detestava os vendedores de boa conversa que criavam histórias fantasiosas para oferecer um cavalo. Chamava–os de “charlatans”.
John Aiscan visitou o Brasil pela primeira vez na década de 60, a convite da família Paula Machado, para quem fazia análise do plantel e apresentava sugestões para coberturas. Procurava ver de forma apurada e sempre anotava tudo. Dificilmente, alguém inspecionou mais cavalos do que Aiscan.
Aqueles que freqüentam o turfe europeu vão se lembrar de suas matérias na revista “Course et Elevage” fazendo menção a cavalos e éguas brasileiras, inclusive um excelente artigo sobre a égua Risota e sua descendência. Também aconselhou criadores europeus, do nível de Paul de Moussac, por exemplo, a adquirir éguas clássicas brasileiras.
O grande hipólogo tinha algumas idéias claramente definidas: não conseguia entender como alguns criadores usavam filhos ruins de Northern Dancer ou Mr.Prospector ao invés de bons corredores da Argentina, Brasil ou Austrália.
John Aiscan nos deixou, mas seu vasto conhecimento tem sido, em parte, publicado ao redor do mundo. Graças a ele e seus escritos é que nós passamos a ter um pouco mais de informações sobre conformação e características de cavalos puro–sangue de todo o mundo. Nunca o turfe teve pessoa tão militante, apaixonada e aplicada.
Assim era John Aiscan.
por Roberto Micka
Texto livre, adaptado a partir de depoimentos de Samir Abujamra, Eduardo Guimarães e Phillippe Jousset, revista PSI n° 35, ano 3.