Homenageado deste domingo, em Cidade Jardim, Ricardo Lara Vidigal nasceu em 1926. Foi proprietário de um
dos maiores haras da criação nacional, o Malurica, assim chamado em razão das letras do nome da sua esposa, MAria
LUcia, e do seu próprio, RICArdo.
Homem de muitas posses, veio de família pobre. Ricardo Lara Vidigal
começou a trabalhar muito cedo, aos dez anos de idade. Dedicou–se com afinco para alcançar a fortuna,
destacando–se no mercado imobiliário da cidade de São Paulo. Não admitia que lhe chamassem de sortudo, pois passou
dificuldades em sua infância, ainda que neto de Antenor de Lara Campos, “um baluarte do Jockey Club de São Paulo”,
que chegou a financiar o clube em momentos difíceis.
Começou no turfe montando o haras no terreno de sua
imensa mansão no Morumbi, pois a área continha 5 alqueires. Também, no local, chegou a criar vacas e pôneis,
possuindo dezenas de cães.
Em 1955 fez o seu registro como proprietário no Jockey Club de São Paulo.
Dois anos depois, arrematou, no Tattersall de Cidade Jardim, a égua mais cara de um leilão, Sienna, criada pelos
irmãos Seabra. Adiante, percebeu que precisava de mais espaço. Em 1967, comprou 24 alqueires junto ao Posto de
Monta, em Campinas, adquirindo, posteriormente, mais uma área em Bituva. Mantinha uma cocheira no Tarumã, em
Curitiba, hipódromo no qual estreava a maioria dos seus potros, sob o comando do treinador Aristides dos
Santos.
Muito cuidadoso, ele mesmo supervisionava o haras e remunerava com generosidade seus
funcionários, tratando–os com muito respeito, exigindo, porém, que o trabalho fosse realizado com o maior esmero
possível.
Teve bons reprodutores como Major’s Dilemma, Zaluar, Captain Kidd, Itamaraty e Old
Connell.
Seus melhores produtos, como criador, entre outros, foram a clássica Donética (Major’s Dilemma
e Monética, por Mogul), que venceu, entre outras provas importantes, o GP São Paulo, em 1978, Kenético (Earldom e
Donética, por Major’s Dilemma), ganhador do GP São Paulo de 1983, o milheiro Êxito (Captain Kidd e Araby, por John
Araby), bicampeão da milha internacional (78/79) paulista, e a égua Ceilema (Major’s Dilemma e Sheila, por Cadir),
laureada na primeira Taça de Prata (1974). Todos treinados por Anísio Andretta, profissional que merecia de
Ricardo Lara Vidigal ampla confiança.
Falecido há cerca de 6 anos, nenhum de seus seis filhos deu
seqüência ao excelente trabalho em prol da criação brasileira de PSI. Autêntico gentleman, teve uma vida
vitoriosa. Um homem prático e simples, respeitado e admirado por todos que o conheceram.
por Roberto Micka