Flechoise, a reprodutora (*)
Curioso como um assunto que imaginei que não interessasse muito seja tão comentado. Na última semana, contei o que o Canícula foi para a criação nacional e, numa rápida passagem, também falei de Flechoise que, cheia de Fiterari, nos deu Apolo.
Pois bem, muitos leitores perguntaram sobre Flechoise, se eu podia contar sua história. É possível que eu não saiba toda. Aliás, nem sei sua pelagem, embora pareça quase certo que Flechoise tenha sido tordilha, pela filiação e pelos tordilhos que produziu.
Na França, ela ganhou quatro corridas, inclusive o Gran Handicap de La Manche. Sua melhor corrida foi um segundo no Prix Saint Cloud, prova de Grupo I. Coberta por Fiterari, ela veio para o Brasil, onde nasceu seu primeiro produto, o craque Apolo, que era castanho (alazão, Dr. Moacyr?), ganhou 12 carreiras, dez delas clássicas. Seus poucos filho, porém, não mostraram as qualidades do pai.
Depois veio Cajoai, tordilha ganhadora clássica. Ela produziu Nyx, ganhadora de sete carreiras, inclusive o GP Diana. Cajoai também produziu Vevey, que ganhou oito carreiras.
Dois anos depois, Flechoise já nos dava outro cracão: Ever Ready, cujo pai era Santarém. Ganhou oito no Rio e em São Paulo, inclusive os GPs Cruzeiro do Sul, Presidente Vargas, Costa Ferraz e Pau Magé. Formou dobradinha com Albatroz, no GP Brasil. Reprodutor e avô clássico. Quem procurar na linha de Old Master, vai encontrar Ever Ready.
A seguir, aparecia Gualara, tordilha vinagre, com seis vitórias e mãe de Onyz, ganhador de sete. Jezebel, sua filha seguinte, não era sã, mas seus cinco filhos foram ganhadores, inclusive Rocket, que obteve oito vitórias, sendo três clássicas, e 11 colocações em provas de Grupo.
A tordilha La Fleche foi a sexta filha de Flechoise. Também tordilha, ganhou oito, inclusive o GP Cordeiro da Graça, mostrando velocidade espetacular. Isso explica porque suas filhas Udaipur e Good Girl também brilharam no quilômetro do GP Cordeiro da Graça. Aliás, Good Girl ganhou por dois anos seguidos o Grande Prêmio Costa Ferraz.
Depois, produziu Irish Song – cinco vitórias –, Majorca e Nagpur – uma vitória cada, em pouquíssimas apresentações – e, com Helíaco, Amaralina, mãe de um cavalo que todos diziam que seria um craque, mas que se acidentou na segunda apresentação: Rei Nagô. Para finalizar, Galanteria, que foi vendida ao Haras Mossoró cheia de African Boy, e deu à luz a um castanho registrado Dail Eireann, agora com um ano e meio.
Tudo isso partiu da feliz compra de Flechoise coberta por Fiterari. E agrada ao leitor essa conversa sobre grandes reprodutores. Temos Nuvem e Empeñoza na agulha.
(*) Texto publicado originalmente na Revista JCB, na década de 1980, por Heitor de Lima e Silva, o Bolonha
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