O treinador Cosme Morgado Neto pertence a uma geração que revelou excelentes profissionais. Por suas mãos passaram grandes cavalos, como Voando Baixo, Baby Speed e Hard Buck, entre outros.
Dedicando–se ao Stud Estrela Energia há algum tempo, foi vitorioso em sua primeira experiência internacional, quando, no início do ano, conquistou provas de expressão com Punch Punch, além de colocações contra os melhores corredores do mundo.
Seu trabalho vai além das pistas, pois examina detalhadamente as características dos animais aos seus cuidados, sem deixar de lado o estudo das filiações e, assim, planeja a campanha dos mesmos.
Ganhador das duas provas de Grupo I no sábado do GP Brasil, Cosminho ousou com Para–Choque e foi recompensado pelo êxito incontestável. Para falar das vitórias recentes, do futuro e do CT do Stud Estrela Energia, o treinador conversou com o RAIA LEVE.
Vamos falar sobre o Para–Choque, que começou a campanha atuando em provas de mais distância, chegando mesmo a competir várias vezes na milha. Como foi a decisão de especializá–lo no tiro curto?
No início da campanha, baseado na linhagem do New Colony, ele correu com destaque em distâncias médias. Largava bem, mostrava alguma velocidade e perdia carreiras incríveis, nos metros finais. Antes de ir para Dubai, no ano passado, consegui ganhar com ele, em 1.300 metros. Cheguei à conclusão de que ele não tinha nada do New Colony e tudo da mãe, Freluche, que era uma bala e vi atuar. Quando, este ano, perdeu uma corrida em cima do disco para Roi Caen, decidi trazê–lo para a curta. Logo na preparatória, mostrou perfeita adaptação. Decidi inscrevê–lo no Suckow e ele correspondeu plenamente.
Uma vez especializado no tiro curto, o que você planeja para a futura campanha de Para–Choque?
Espero a chegada do titular do stud, Stefan Friborg, para traçarmos o futuro dos nossos melhores corredores. Pretendemos repetir o projeto de levar alguns animais para Dubai, no fim do ano, e Para–Choque é um deles. Mostrou categoria e corre bem tanto na grama, quanto na areia. É possível que, antes da viagem, participe de alguma prova na Gávea. Ainda vamos decidir.
No GP Roberto e Nelson Grimaldi Seabra, você fez ponta e dupla. Crystal Day vinha de ótimas corridas e era uma candidata forte, mas a performance da Estrela Brynhild não o surpreendeu?
Sinceramente, não. Ela havia trabalhado de forma magnífica para correr na semana do GP Brasil. A idéia era inscrevê–la num páreo comum, mas, impressionado com o treino, pedi ao proprietário para pagar o added na prova de Grupo I. Por ser uma égua galopadora, pensei que com um jóquei tranqüilo, como o Marcelo Almeida, pudesse correr na frente, sem desespero. Seria uma ajuda importante para a Crystal Day e, além disso, reforçava a possibilidade de uma grande atuação e foi o que aconteceu. Repito, para mim, não foi surpresa a dobradinha.
Você disse que decidiu correr a prova de Grupo I e não o páreo comum. Decisões como essas são sempre suas?
Uma entre as inúmeras vantagens de trabalhar para o Stud Estrela Energia é a autonomia que o proprietário nos concede. É claro que converso sempre com os titulares sobre o que estou pretendendo e recebo carta branca para traçar as campanhas dos animais. É mais um privilégio que esta grande coudelaria oferece.
As duas éguas também estão nos planos do projeto de Dubai?
Sim, com toda certeza. Após a carreira, permaneceram em excelentes condições. Merecem a chance de brilhar lá fora. Estão tinindo e vamos decidir se as inscreveremos no GP Duque de Caxias, marcado para a próxima semana. É bem provável, pois não sentiram a corrida.
Cosminho, entre os produtos da nova geração, o que você espera até o final do ano?
Um de nossos melhores potros é o Realejo, que, mesmo ainda sendo perdedor, participou ativamente de uma prova clássica. Acontece que teve um problema sério e teremos de recomeçar. Ele foi acometido de cólica e nos deu um tremendo susto. Mas, felizmente, sobreviveu e já está de volta ao centro de treinamento. Temos o Oribe, que ganhou com rara facilidade e vem evoluindo. É um potro de futuro. Entre as potrancas, ainda espero muito de Realce e Hamadría.
Quantos animais estão alojados no centro de treinamento e quantos são os produtos de 2 anos, para 2007?
Atualmente estamos lotados. São 90 animais. Potros e potrancas da geração de 2004, já comprados, são 25, por enquanto.
O centro de treinamento é muito elogiado. Ele é tão bom assim mesmo?
Para ser sincero, não conheço nada parecido. A pista externa, de areia, tem 1.000 metros de volta fechada e, por dentro dela, temos uma raia de grama, de quase 900 metros. Estamos construindo (a base já está pronta) uma pista de polytrack, por dentro da de grama, que servirá apenas para galopes. Será a primeira na América do Sul. É uma raia que protege muito a integridade física dos animais, evitando manqueiras e acidentes.
Quando você for para Dubai, como será o esquema por aqui?
Não mudará muita coisa. A temporada por lá, desta vez, será menor para nós, provavelmente entre janeiro e março. Meu segundo–gerente ficará encarregado de tocar o trabalho em Teresópolis, de acordo com o planejamento que deixarei traçado e, se necessário, virei ao Brasil, uma ou duas vezes, durante o período, para eventuais ajustes. O esquema será muito bem organizado.
por Marco Aurélio Ribeiro