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Agosto | 2006
Comparações, por Milton Lodi 15/08/2006 - 19h20min
É natural e comum, turfistas se perguntarem sobre cavalos de épocas diferentes, tentarem comparar animais que correram em condições diversas, em função do tempo que passou. Quando surge um corredor de padrão melhor, muitas vezes é perguntado "se ele era melhor do que o FARWELL". Esse FARWELL era de físico privilegiado, grande porte, que já tomava a ponta logo após a largada e seguia sempre, não parava, pelo contrário, corria mais. Ganhou as quinze corridas de que participou no Brasil. Fora do Brasil correu duas vezes, em ambas foi prejudicado por fortes diarréias, mas mesmo assim tirou dois ótimos segundos, após muita luta, na grama de San Isidro. Sua forma agressiva de correr, e a supremacia que sempre demonstrava, criaram a idéia de um cavalo muito superior, quase imbatível. É mais do que justificável, ser ele um ponto de referência quando o assunto é qualidade. Esse fantástico FARWELL, era de criação e propriedade dos Haras Jahú e Rio das Pedras, nasceu e foi criado no Jahú, dos irmãos Nelson e João Adhemar de Almeida Prado. Era filho do inglês Burphan, um Hyperion, em égua de nome Marilú, uma filha de Wood Note em uma das linhas clássicas de José Paulino Nogueira, Haras Bela Esperança. Mas o correr do tempo trouxe novidades. Antigamente, cada criador só contava com as coberturas dos seus próprios garanhões. Hoje, há um fácil acesso a reprodutores de outros haras inclusive com leilões de coberturas e habituais vendas diretas. Os tempos das corridas eram aferidas manualmente. Hoje, até eletronicamente. Em São Paulo, de uns tempos para cá, o partidor é colocado cerca de vinte metros antes da seta inicial da distância a ser percorrida, como forma de ser registrado um tempo menor, pois os animais já passam correndo pelo início do páreo propriamente dito. A cuida dos pisos das pistas é diferente de antigamente. No setor criacional, houve a introdução de rações balanceadas, de vacinações sistemáticas, de adubações mais adequadas, de um início de amansamento, de uma cuida já visando uma doma mais racional. Enfim, são muitas as diferenças entre as condições oferecidas ontem e hoje. Com essas condições diferenciadas, é impossível um confronto equânime. Se fosse possível eleger–se o melhor, o de mais qualidade, o campeão, eu pessoalmente diria que o FARWELL foi o melhor (e por ironia do destino, mostrou–se estéril na reprodução; nunca teve filhos). O "Homem de Cavalos" dos Haras Jahú e Rio das Pedras, o responsável geral pela criação e também pela saúde dos animais em treinamento, o veterinário Fernando Pereira Lima, que conheci em Buenos Aires quando FARWELL foi correr o 25 de Mayo de 1960, contou–me que o craque com 1 ano de idade tinha tamanho dos 2 anos do haras, e que ele, para deter o absurdo crescimento, que sugeria um cavalo adulto da ordem de 550 a 600 quilos, fez um tratamento através de hormônios, anabolizantes, no sentido de uma precoce consolidação óssea, assim diminuindo a intensidade do crescimento (não sou veterinário, tecnicamente é possível que eu não esteja me pronunciando corretamente, mas penso que deu para entender). Uma das boas coisas do turfe é o direito que cada turfista se dá para avaliar as qualidades dos animais. No meu caso pessoal, não se considerando bons ganhadores clássicos nascidos no HARAS IPIRANGA, mas que defenderam outros interesses nas pistas, como mero exemplos, GOLF e ITAMARATY, eu colocaria os seguintes seis animais que defenderam as cores de onde nasceram: – Em 6° lugar, GOETHE (G.P. Consagração–Gr.1);
– Em 5° lugar, NEGRONI (G.P. Paraná–Gr.1, G.P. Bento Gonçalves–Gr.1);
– Em 4° lugar, MOUSTACHE (G.P. São Paulo–Gr.1);
– Em 3° lugar, GOURMET (G.P. Brasil–Gr.1);
– Em 2° lugar, GIULIANO (G.P. Outono–Gr.1);
– Em 1° lugar, KURRUPAKO (2 vitórias comuns e um segundo, em três apresentações). Comparações fazem parte de considerações sadias, na procura e exaltação das qualidades de cada um. Que venham cada vez mais animais de qualidade, para provocar interesses e comparações.
por Milton Lodi |

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