Cenário de horror permanece no peão do prado 26/11/2009 - 15h00min
"Cuidado com os pedaços de ferro escondidos pelo caminho.". Esta foi a recomendação feita por operários logo que nossa equipe
chegou ao meio da diagonal das raias. O aviso pôde ser muito bem
compreendido poucos metros depois da entrada. Um mês após a realização
do evento Oi Fashion Rocks, o cenário de horror continua instaurado no
peão do prado carioca.
Mais uma vez, o pensamento de turfistas na Gávea quanto aos prejuízos
causados pelo mega evento se confirmou. O tempo previsto de três semanas
para a reestruturação das raias está longe de ser
cumprido e os 320 mil reais recebidos com a locação do espaço
custaram, ou ainda custam, caro para o turfe.
Para o presidente do Jockey Club Brasileiro, Luiz Eduardo da Costa Carvalho,
a realização do evento trouxe e trará ainda mais benefícios
para o turfe.
"A diagonal que por anos foi usada para o treinamento de potros estava
em uma situação precária. Só uma reforma geral poderia
mudar o contexto, o que sairia muito caro para o clube. Quando se trabalha
com recursos escassos deve-se estabelecer prioridades.", contou o presidente,
lembrando que o espaço, antes coberto por mato, será regramado
pela organização do evento.
Ainda segundo Luiz Eduardo, a administração faz agora, uma avaliação
geral dos pontos positivos e negativos deixados com a locação
para, talvez até, planejar melhor futuros aluguéis da área.
"Na minha avaliação pessoal, a receita trazida com o evento
localizado na área foi extremamente importante para cobrir os prejuízos
do turfe. Todos os anos temos um déficit muito alto em relação
à atividade no clube e, para contorná-lo precisamos buscar outras alternativas
viáveis de arrecadação. O aluguel para eventos é
uma delas. Como primeira experiência tivemos um resultado positivo, mas precisamos fazer ajustes para próximas oportunidades.", concluiu.
A perspectiva geral da área não traz muito a noção
de benefício. Pilhas de parafusos, pedaços de ferro enferrujados,
britas aos montes, muito entulho e lixo podem ser vistos por qualquer espectador que se desloque para a área que fica escondida atrás do placar
das corridas. Caminhões e carros permanecem no mesmo local, entrando
e saindo diariamente, por um dos caminhos mais privilegiados do
clube, a raia de areia, palco de grandes espetáculos turfísticos.
Conforme registrado anteriormente e, talvez, até um pouco pior, poucos
metros depois da raia pequena, pode-se perceber a diagonal devastada. A pista,
em total desnível, está praticamente tomada por uma areia prensada, maciça, e perigosa aos animais, uma vez que se
confunde com as pedras espalhadas e restos da estrutura de 10 mil e 200 metros
quadrados do espetáculo da música.
A recomendação de cuidado feita pelos trabalhadores foi seguida
à risca pela nossa equipe da mesma forma que é seguida por eles.
Para se prevenirem contra pedaços de ferro, madeira e entulho
localizados na pista, os profissionais dão o famoso jeitinho brasileiro:
fazem todos os dias um caminho com tábuas enfileiradas para evitar o
risco de cortes e contusões.
Todas as fotografias mostram a real situação encontrada em parte
da estrutura do JCB para o turfe carioca. Vale a pena conferir.