Quanto vale hoje Big Brown? Eu diria que os US$25 milhões recusados antes do Kentucky Derby, foram muito bem
recusados. Afinal, se o anãozinho Smarty Jones foi sindicalizado – diga–se a bem da verdade – pela não muito sagaz
Three Chimneys por US$39 milhões, os US$50 milhões que hoje parecem estar sobre a mesa de Big Brown ainda não me
parecem apetitosos. Seria inteligente para seus responsáveis fechar o negócio antes do desfecho da tríplice coroa?
Talvez o seu Carvalho ache que sim, afinal o turfe, em sua ótica de expert (??!!), está indo mal no mundo inteiro.
Assim sendo é melhor se ter US$50 milhões nas mãos do que US$75 ou US$100 milhões voando?
Este é o
turfe, que, para alguns dirigentes do turfe carioca, está caindo no completo descaso mundial. Um turfe que dá este
tipo de exemplo, mesmo em um país em recessão, que não consegue nem determinar seu candidato democrata, que mantém
duas guerras milionárias fora de suas fronteiras e cujo galão de gasolina já suplantou a barreira dos US$4.
Imaginem se as coisas estivessem correndo as mil maravilhas nos Estados Unidos...
Mas há de se convir que
trata–se de um turfe sem Judas Iscariotes e sem Hardy Ha Hás.
Recentemente recebi de um amigo, uma piada
que pode até ser considerada sacrílega. Desculpem aqueles que assim a compreenderem. Mas mostra o que um Judas
pode vir a fazer, mesmo em um centro de sanidade indiscutível como o paraíso, que não é o caso do turfe
brasileiro, sobrevivente às mais duras doenças que a ele são impetradas pelo descrédito tanto da parte do governo,
quanto da imprensa de longo apelo, aliados a dirigentes cuja obtusidade córnea os fazem a acreditar “petreamente”
em sua cegueira e numa possibilidade do turfe mundial estar podre e pronto para cair a qualquer momento de
maduro.
Vamos a ela, ou seja, a piada.
Jesus estava preocupado. Chama os seus discípulos e
apóstolos para uma reunião de emergência, devido ao alto consumo de drogas na Terra. Depois de muito dialogarem,
chegam à conclusão sobre a melhor maneira de combater a situação e resolvê–la de forma definitiva. Não adiantavam
meias medidas. Como fazer sem conhecer o problema in loco? A solução seria provar a droga eles mesmos e depois
tomar as medidas adequadas. Decide–se que uma comissão de discípulos desça ao mundo e recolha diferentes drogas.
Todos escolhidos a dedo. Efetua–se a operação secreta e dois dias depois começam a regressar os comissários. Jesus
espera à porta do céu, quando chega o primeiro apóstolo:
–Quem é?
–Sou o Paulo.
Jesus abre a porta
incontinente, já que o céu não é o Rio de Janeiro.
– O que traz Polé?
–Trago haxixe de Marrocos e a triste
notícia que ainda não pegaram o Bin Laden.
– Uma pena, mas o que se podia esperar se o Georginho não sabe nem o
caminho de sua própria casa... Entra.
Minutos depois.
–Quem é?
–Sou Pedro.
Jesus abre a
porta, feliz com a volta de uns de seus favoritos.
–E o que trazes, Pedroca?
–Trago maconha do Brasil e a
notícia que o Flamengo é bicampeão.
– Ótimo. Vou dar mais uns anos de vida ao Joel. Entra Pedroca.
Em
meia hora, novas batidas à porta:
–Quem é?
–Sou Tiago.
–E o que trazes, Tatá?
–Trago lança perfume da
Argentina e a certeza de que Palermo está a mil! Turfe de primeiro mundo! Tem até gente no hipódromo.
– Não
podia ser de outra forma, lá há profissionalismo não clubismo. Entra, Tatá.
Impaciente com a demora dos
demais, Jesus sorriu ao ouvir novo bater à porta.
–Quem é?
–Sou Marcos.
– O Rizzon?
– Não este
está na penca de Alegrete.
–E o que trazes, então?
–Trago marijuana da Colômbia e a certeza de que a FARC é
coisa do Chavez da Venezuela.
–Não poderia esperar que fosse distinto. O Hitlerzinho das candongas está a fim
de botar fogo no mundo, Entra Marquinhos.
Sem fechar a porta, notou que outro de seus discípulos chegava
espavorido.
– O que trazes Matoca?
–Trago cocaína da Bolívia e a convicção que o Evo Morales já engoliu o
Lula no caso do gás natural.
–Coitado do índio, vai ter indigestão. Entra. Você por acaso viu o João?
– Vem
logo atrás de mim.
E vinha mesmo.
– E tu, o que trazes Jonjoca?
–Trago crack de Nova
Iorque. O Belmont Stakes vai “bombar” e eu cravei o Big Brown como o senhor pediu. No mais, Bush está em baixa e o
neguinho por cima do hambúrguer.
– Muito bem, melhor que seja ele e não a Hillary. Entra.
– O Senhor virou
machista?
– Que a Maria Madalena não nos ouça, mas esta estória de mulher de presidente virar presidente não me
parece que está funcionando. Veja o que está acontecendo na Argentina. Já se esqueceram da Isabellita. Imaginem se
isto se torna moda no Brasil...
Os minutos se sucederam e novas batidas não tardaram a soar.
– Quem
é?
– Sou Lucas.
–E o que trazes, Luquinha?
–Trago speeds de Amsterdam.
– Nada mais? Nenhuma
notícia?
– Nada acontece na Holanda, Senhor.
– Isto é verdade. Eles parecem mesmo uns laranjas. Muito bem,
filho. Entra.
Horas se passaram e nada de Judas. O que será que aquele danadinho estava aprontado desta
feita. Mas, finalmente, duas batidas foram ouvidas ao final da tarde.
– Quem é?
– Sou Judas.
Jesus
abre a porta. Tinha o perdoado e ele parecia que finalmente havia se reformado como ser humano.
– E tu, o que
trazes, Juju?
– POLICIA FEDERAL! OPERAÇÃO INFERNO NO CÉU! TODO MUNDO NA PAREDE, MÃO NA CABEÇA!
– Mas meu
filho, eu sou o SENHOR...
– ENCOSTA AÍ, Ô CABELUDO!
Pois é, não tenho mais idade para vender pizzas
ou me tornar professor em uma universidade. O meu medo é que alguém bata às portas do Hipódromo da Gávea, neste
final de maio, e ao invés de aumentar as dotações das carreiras, amplie a piscina da sede da Lagoa, transforme a
pista de grama em um campo de golfe e penhore nossas arquibancadas para pagar as dívidas herdadas da administração
anterior.
por Renato Gameiro