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Outubro | 2007

Altamyr Vieira e o amor pelo turfe
09/10/2007 - 20h44min

Glória Vieira/arquivo pessoal

Altamyr, no sossego do interior

Nos últimos dias, alguns leitores do Raia Leve se manifestaram, através do espaço a eles dedicado, relembrando e pedindo notícias sobre o antigo treinador Altamyr Vieira, um dos profissionais mais queridos que passaram pelo Hipódromo da Gávea.

Na plenitude de seus 82 anos, morando com a família em Itaperuna, interior do Rio de Janeiro, Altamyr está feliz. Aposentado há cerca de dez anos, acompanha as corridas pela parabólica e está sempre torcendo por antigos colegas e para proprietários e amigos que fez ao longo do tempo.

Lembra com saudade dos áureos tempos do turfe carioca, onde existia amor pela atividade e uma rivalidade saudável entre coudelarias e profissionais. Grandes jóqueis valorizavam ao extremo as corridas e, sem desmerecer os profissionais de hoje, afirma que havia mais qualidade nos velhos tempos e um glamour que ficou para trás. Impressionantemente lúcido e alegre, como sempre foi, Altamyr conversou com o Raia Leve.

Como começou sua história no turfe?

Cheguei ao Rio em 1943, com 18 anos, e fui trabalhar como cavalariço na cocheira de Nélson Pires, onde aprendi a lidar com os cavalos. Algum tempo depois fui promovido a segundo–gerente e, sinceramente, não lembro direito quando consegui a matrícula de treinador. Foi um longo aprendizado, que me ajudou muito na carreira.

No início você cuidou para algum proprietário grande ou começou com poucos animais?


Comecei como avulso, contando com a ajuda de alguns proprietários com os quais fiz amizade. Mas, depois tive uma experiência muito boa no Stud Seabra, onde consegui bons resultados. Passei muitos anos na cocheira 34 da Vila Hípica, que pertencia a meu sogro, Manoel de Oliveira. Nas últimas décadas tive ótimos proprietários como Gilberto Gama, Lino, Amadeu e outros grandes amigos que fiz pela vida.

Qual foi o melhor cavalo que você treinou?


Veja bem, nunca tive assim um grande craque, mas cuidei de ótimos cavalos. Que eu me lembre, o Anzac, do Stud Seabra, foi um dos melhores, pois com ele obtive resultados expressivos. Era, realmente, muito corredor. Cuidei de bons cavalos ao longo do tempo. A Moina, por exemplo, era uma égua muito valente e fiel.

Parar é sempre difícil para qualquer profissional. Como você encarou a aposentadoria?


De forma tranqüila, pois a renovação acontece normalmente em todos os setores da vida. Vim para Itaperuna onde está toda a minha família. Meus irmãos, cunhadas, enfim, toda minha gente está aqui. É claro que, depois de uma vida inteira no turfe, a saudade bate forte, mas estou com saúde, perto de pessoas que gostam de mim e continuou sempre atento. Acompanho as corridas e torço pelos amigos e antigos colegas.

O turfe, nas décadas de 50, 60 e 70, era respeitado e o hipódromo viva cheio. Era melhor naquela época?


Sem dúvida alguma, havia um glamour que não existe mais. A rivalidade entre os profissionais e os proprietários era muito grande, porém, limpa. Havia torcidas organizadas para jóqueis e studs. O Hipódromo da Gávea lotava quase toda semana e o GP Brasil era uma festa de fazer gosto. Realmente, comparando com o que existe hoje, tenho que admitir que, naquela fase, o turfe era nobre e muito respeitado. Havia uma quantidade enorme de jornalistas especializados e os cavalos se concentravam na Gávea. Hoje, grande parte está nos centros de treinamento.

Muita gente sente saudades suas. O que dizer a eles?

Que também sinto muitas saudades e quero aproveitar para mandar um forte abraço para os amigos queridos que fiz ao longo de uma vida inteira. Estou perto, qualquer dia vou fazer uma visita.

por Marco Aurélio Ribeiro



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