Manoel Ribas, um apaixonado turfista, foi um
importante nome no Paraná. Como autoridade máxima do estado, como interventor, criou um Posto de Fomento
Agropecuário, para, principalmente, atender e incentivar a criação do cavalo de corrida. Heitor Berleze trabalhava
no tal posto e, com a inauguração em 1944, de lá saiu para assumir a administração e a gerência do Haras Paraná,
de Alô Ticoulat Guimarães e Farid Surugi. Era o "faz–tudo", cuidava do solo, das cercas, das cocheiras,
do completo manejo dos animais, um capataz completo. Homem cordial e de grande competência, era ele o próprio
coração do haras.
O Haras Paraná, como alguns outros haras brasileiros, teve oportunidade de se
aproveitar de uma das conseqüências da 2ª Grande Guerra, de 1939 à 1945. Muitos animais PSI foram oferecidos pelos
ingleses e pelos franceses, para saírem da mira dos alemães, e dentre eles veio um filho de FAIRWAY, barato, um
cavalo não de primeira linha, que foi para o Haras Paraná. FAIR TRADER resultou como um ótimo reprodutor, líder
por anos das estatísticas paranaenses. O Haras Paraná basicamente não era de comprar, mas de barganhar, o plantel
de reprodutoras era apenas regular, mas os filhos de FAIR TRADER ganhavam muito, eram disputados pelos
compradores. A forma habitual da venda dos potros era peculiar. O haras vendia os produtos nas barrigas, o
comprador começava a pagar o potro a partir da égua cheia, e assim o haras era financiado pelos próprios
compradores.
Por trás de todo o engenhoso processo, cuidando de tudo e fazendo a "máquina"
funcionar, estava Heitor Berleze.
O Heitor tinha um filho pequeno, que conhecia todos os pedigrees dos
garanhões e das éguas, as campanhas dos produtos do haras, e era ele quem esclarecia as visitas, aos compradores,
aos proprietários, que tinham no menino um cabedal de informações. O menino aproveitava as idas dos caminhões de
cavalos aos outros haras, do Paraná e de São Paulo, para conhecer o que se passava nos outros centros criatórios.
O menino Duílio cresceu, estudou, formou–se em veterinária e, com a morte do Heitor e do encerramento
das atividades do Haras Paraná, começou a criar em um sítio que o pai comprara, no bairro do Barro Preto, nas
cercanias de Curitiba.
Hoje, onde era o Haras Paraná, está tudo pavimentado, inclusive com
auto–estradas, e o sítio do Duílio é pretendido para ser extinto e transformado pelo dito progresso.
Duílio Berleze é um pequeno criador, com menos de meia dúzia de éguas, de padrão compatível com as suas
possibilidades, vive da profissão, a paixão pela criação e os conhecimentos desde a época do Heitor garantem
competência.
Sempre atento ao andar das coisas do turfe, vendendo anualmente os seus poucos potros e
negociando éguas, de preferência cheias de garanhões de sucesso, dando chance para o surgimento de animais cada
vez melhores. Agora, em setembro de 2007, BUCANEER, um filho de Boatman de criação de Duílio Berleze, que comprou
a égua–mãe em leilão do Haras Mossoró,venceu no Hipódromo de Maroñas, Uruguai, o Gran Premio de Honor, prova de
Grupo 1, em 2800 metros.
Honra ao mérito.
por Milton
Lodi