Passamos a observar, mais atentamente, a atuação das Comissões de Corridas que se sucederam em Pernambuco e,
ultimamente, em São Paulo. Já vimos cavalo subir duas turmas com apenas uma vitória e precisar obter reparação
judicial para o fato; vimos aprendiz ser suspenso por 60 dias por um delito de raia, somado à sua postura fora
dela, porém, injustificadamente, apenas tipificado pelo que fez dentro da pista; enfim, sofremos as conseqüências
das arbitrariedades dos julgadores das corridas, que se colocam como seres superiores e inatingíveis, sob o amparo
de um Código de Corridas ultrapassado e benevolente. Contudo, cumpre lembrar que as demais normas que compõem o
sistema jurídico pátrio estão prontas a coibir desmandos, inclusive no que concerne ao turfe de uma maneira
geral.
Respeitamos opiniões contrárias e a supremacia das Comissões em matérias de corridas em cada
hipódromo, porém, não podemos concordar com atos ARBITRÁRIOS, DESMEDIDOS e CONTRÁRIOS ao Estado Democrático de
Direito, como a Resolução que puniu sete jóqueis profissionais, simplesmente para mostrar quem é que manda e quem
deve, calado, obedecer. Autêntico regime de exceção em pleno século XXI!
Ora, pelo que consta na matéria
do Raia Leve datada de 11/09/2007 às 16:40, protestavam os profissionais por conta “do valor da multa cobrada pelo
excesso de peso constatado na repesagem (então, R$ 300,00) e, também, à época, a imediata liberação do uso da
sauna”, ou seja, uma reivindicação decorrente da outra, pois não são poucos os jóqueis que dependem do uso da
sauna para “fazer o peso”. Mais um sacrifício, dos muitos a que estes verdadeiros heróis estão sujeitos. Montam,
em determinadas situações, animais sem a mínima condição, sujeitos a graves danos às suas integridades físicas,
sem que, às vezes, sejam sequer acompanhados por ambulâncias.
Mas não é de hoje que as Comissões de
Corridas, espalhadas pelo Brasil, cometem arbitrariedades: comissários chegam ao absurdo de julgar páreos tendo
animais de sua propriedade inscritos, não se constituindo em surpresa, já que, como se acham superiores às leis,
desconhecem, também, o significado das palavras ÉTICA e MORAL. Subjulgam as normas, desmerecendo as pessoas que
produzem o espetáculo apaixonante para todos nós: os profissionais. Todos esses pais–de–família, invariavelmente,
têm o seu honesto sustento, com muita dificuldade (salvo raríssimas exceções), condicionado à sua atuação
profissional. Então, vemos que pelo menos sete famílias terão agravadas suas necessidades nesses próximos 21
dias.
Talvez isso (passar necessidade) esteja muito distante de quem decide algo tão desmedido, mas
não de quem aqui vos escreve. Conhecemos bem os dois lados da moeda e nos compadecemos das dificuldades dos
amigos. Por isso, não nos podemos calar frente a tamanhos descalabros.
No Brasil, existe uma chamada
“Lei de Greve” (Lei n° 7.783/89), que talvez pudesse socorrer–nos em momentos como esse, mesmo aos profissionais
autônomos. Quanto mais por motivos absolutamente justos. Caberia, no mínimo, uma reparação material pelos dias
parados e moral pela suspensão injusta.
Vamos além: lamentamos muito que os jóqueis não demonstrem UNIÃO
neste momento, pois uns serviram de bodes–expiatórios para os outros. Quando se faz greve, quando se compra uma
briga destas em nome de uma categoria para que todos ganhem, por reivindicações justas, não é correto que apenas
sete percam. Onde perdem sete, todos perdem! A UNIÃO é que faz a força e só assim poderão os jóqueis enfrentar as
adversidades que a profissão lhes impõe. A reivindicação é de todos e não de apenas dos punidos. Então
corre–se o risco de que não tenhamos mais carreiras, se todos forem suspensos.
Portanto, é hora dos
demais pilotos juntarem–se às reivindicações, colocando as mãos em suas consciências e observando que o
movimento também os beneficiaria.
Para finalizar, é importante que se lembre sempre de um ditado: o
mais difícil dos acordos é sempre melhor que a mais fácil das contendas. Estejam dispostos a negociar em paz, mas
sempre JUNTOS, sempre UNIDOS, pois vocês só têm a ganhar com isso e só assim conseguirão êxito, sem que para isso
seja necessário e justo que apenas uma parcela sofra as conseqüências.
Concluindo, solidarizamo–nos aos
amigos jóqueis e aproveitamos para externar toda a nossa indignação frente à qualquer espécie de ditadura,
incompatível com o atual mundo globalizado.
por Fábio Câmara