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Setembro | 2007

Para errar..., por Milton Lodi
18/09/2007 - 17h15min

Em assuntos de turfe, dizem os antigos: "para errar basta abrir a boca". Por isso, quem quer falar que o faça de maneira comedida, guardando o eventual entusiasmo dentro do peito e falar de modo equilibrado, prudente, diminuindo as chances de um eventual grande erro. Nada se pode dizer de super–cavalos que infelizmente mostraram–se inférteis, como FARWELL, GUALICHO e NARVIK. Mas grandes esperanças foram depositadas em FALCON JET e em FLYING FINN, dois excelentes corredores que não se destacaram nas alturas como se imaginava.

Ao FLYING FINN foram dadas éguas que, em média, estavam muito aquém do padrão necessário a uma produção clássica. Eu pessoalmente não acho graça no FLYING FINN como garanhão, embora reconheça a baixa qualidade média das éguas que lhe foram oferecidas.

FALCON JET é um caso diferente. Fisicamente, ele era um privilegiado, sua autópsia mostrou um coração maior do que se imaginava, que bombeava grande quantidade de sangue por veias de enorme calibre, verdadeira máquina de gerar energias. Como corredor, lutava como poucos, era forte e resistente, um verdadeiro gigante nas competições. A palavra mais adequada para definir FALCON JET é "gladiador". FALCON JET, assim como outros, por exemplo HELÍACO, PROSPER, RABAT e muitos outros que também serviram de exemplos, foram prejudicados por motivos semelhantes.

FALCON JET foi reprodutor no haras em que nasceu, assim como HELÍACO, PROSPER e RABAT (dos citados). Em seus próprios haras, a consangüinidade impedia o total aproveitamento nas melhores éguas. HELÍACO, por exemplo, nasceu em conseqüência de cruzas racionais, baseadas em seqüências de sucessos, e o seu aproveitamento era impedido pelas melhores éguas do plantel, todas resultantes do mesmo processo pedigrístico criacional, e ao HELÍACO se destinavam aquelas que eram possíveis, fora do "miolo", da base. Quando HELÍACO foi aproveitado em éguas importadas da Europa, quer dizer, fora dos sangues tradicionais, mostrou–se garanhão clássico.

PROSPER e RABAT não tiveram a chance oferecida a HELÍACO e ficaram a desejar no padrão clássico. O caso do DEVON ainda foi pior, pois boas ofertas foram recusadas, para levá–lo para a reprodução após o seu prematuro encerramento da campanha nas pistas. Todas as propostas recusadas, e como o pedigree dele impedia a sua utilização no próprio haras, simplesmente ficou de fora. Houve ano de cobrir uma égua, houve ano de não cobrir nenhuma.

Essas e outras observações do meu amigo e hipólogo Bertrand Joachim Kauffmann, que ainda lembrou da natural preferência dos haras pelos seus então garanhões–chefes, levam a um raciocínio evidente. Uma troca anual entre os haras de melhor quantidade e qualidade, ensejando o maior aproveitamento daqueles garanhões, de grande valor intrínseco mas, na prática, sem as merecidas oportunidades.

Como raciocínio, apenas para exemplificar, o Haras Santa Ana do Rio Grande não poderia deixar de favorecer o campeão ROI NORMAND. O Haras São José não poderia preterir FORT NAPOLEON para ajudar DEVON ou FORMASTERUS para um eventual brilho do HELÍACO, o Haras Faxina em relação a RABAT, e assim por diante. Mas uma troca anual, equilibrada, justa, boa para todos, isso seria de muita eficácia geral.

É claro que esse raciocínio, essa idéia, esbarraria na vaidade de cada um, na natural super–valorização de seu próprio animal, em coisas desse tipo. Mas a evidência do benefício, o "refresco" no plantel, o alargamento das possibilidades de cruzas, uma série de detalhes viria coroar um necessário espírito esportivo.

Imagine–se, como mero exemplo, por um ano, PROSPER no Haras São José, HELÍACO no Santa Ana, FALCON JET no Faxina e RABAT no Mondesir, cobrindo pelo menos dez ou vinte éguas cada um, e no ano seguinte nova troca, e no outro, outra vez. Seria para todos uma linda amostragem das reais qualidades de cada um dos "injustiçados".

Houve época em que eu imaginei um "Leilão de Arrendamento de Garanhões", como início de um processo de experimentação de novos garanhões em outros haras, mas o momento não era propício.

Passando de raciocínios lógicos mas voltados para nomes do passado, vou abrir a boca para arriscar a errar, mas talvez prognosticar um sucesso.

Um dos cavalos mais promissores, entre aqueles que nessa estação de monta de 2007 se iniciam, figura um dos corredores que mais me impressionaram nos últimos tempos. Refiro–me a DURBAN THUNDER, um filho de ROYAL ACADEMY. Um corredor impressionante, de físico poderoso, que corria e ganhava sem dar chances para os adversários.

O pai de DURBAN THUNDER foi dos melhores garanhões que vieram ao Brasil no sistema de "shuttle". A linha materna já mostra uma super–égua clássica. O avô materno é o "número um" de todos os tempos.

Turfe não é matemática, mas quando dá certo, os ganhos gerais são enormes.

Outros nomes pretensiosos, entre aqueles que se iniciam, poderiam ser lembrados (AY CARAMBA seria um deles), mas a figura maior fica mesmo com DURBAN THUNDER.

Eu estou achando que abrir a boca para falar do DURBAN THUNDER não vai dar arrependimento.

por Milton Lodi



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