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Agosto | 2007

Ecos do GP Brasil 2007, por Milton Lodi
28/08/2007 - 11h53min

Na parte social, foi tudo naturalmente correto. Os visitantes, nacionais e estrangeiros, receberam tratamento adequado, cavalheiresco como era de se esperar. O baile de quinta–feira, a "Nuit de Longchamp", foi realizado no prado, e não foi muito concorrido. É uma tradição que eventualmente terá de ser revista, para que desperte maior interesse e significação.

As arquibancadas não ficaram lotadas, a afluência de público poderia ser bem maior. Na segunda–feira houve, na sede, a reunião da Associação Latino–Americana, que transcorreu como era esperado, mantendo a próxima realização para o Peru em 2008 e o Brasil para 2009. Se na Gávea ou em Cidade Jardim, isso será decidido mais adiante.

No aspecto financeiro, houve sucesso, com um resultado que beirou 9% (nove por cento) melhor que no ano anterior. Mais uma vez a publicidade foi muito restrita, e como sempre se aguarda um esforço maior no ano que se segue.

As pistas estavam boas, e em condições favoráveis aos animais, nem seca e dura, nem molhada e fofa, estava macia, muito propícia, o que mostraram os tempos. Foram batidos os recordes dos 1.400 metros na grama, em páreo comum (4 anos com 2 vitórias), e o dos 1.600 metros na grama (milha internacional). Nas outras três provas internacionais, 1.000, 2.000 e 2.400 metros, foram batidos os recordes das provas.

No GP Major Suckow, a potranca REQUEBRA largou em ritmo vertiginoso e já entrou nos últimos 600 metros na frente, perto da cerca interna, o que dá uma idéia de uma fantástica aceleração inicial frente aos mais velozes corredores do momento. Como é muito raro um puro–sangue de corrida manter–se por mais de 800 metros sem respirar e no máximo de sua velocidade, REQUEBRA deu chance a um competidor, que não correu os 1.000 metros de um fôlego só, de ultrapassá–la nos últimos metros. Se após a primeira parte vertiginosa do páreo, tivesse recebido de seu jóquei uma pausa para respirar, com a vantagem que tinha podia e merecia um "refresco", talvez não tivesse perdido. Isso não desmerece a vitória de SUPER DUDA, uma filha de NOTATION que, naturalmente corrida para uma partida final, como é o melhor em páreos curtos, venceu de forma espetacular.

No GP OSAF, que teve seu nome mudado, tivemos um final dramático e emocionante, com RE THONG, uma filha de DANCER MAN de criação do Haras Pemale, aparentemente dominada e voltando para ganhar da argentina CALANDRELLE.

Nos 1.600 metros do GP Presidente da República, na reta um duelo de gigantes. A excelente potranca filha de PUBLIC PURSE, a então invicta CELTIC PRINCESS, no início da reta teve que se aproveitar de uma passagem que lhe surgiu, providencial para quem corria perto e por dentro, mas a necessária aceleração pode lhe ter custado a vitória, apesar dela ter, como o seu mais forte oponente JET, que lhe ganhou por uma linha, batendo o recorde da distância. O vencedor JET apresentou–se no momento certo, firme, vigoroso, e fez brilhar a tradicional blusa do Haras Maringá como também o pai YAGLI, um dos novos garanhões mais pretensiosos, mas que na verdade, até o surgimento do valente JET, estava devendo.

No GP Brasil houve surpresas. O favorito QUATRO MARES sentiu e perdeu a ferradura do anterior esquerdo (ainda assim foi 5°), POTOTÓ que era talvez o mais bonito do páreo, sofreu uma brutal hemorragia na entrada da reta final, QUICK ROAD fracassou por completo, em função da raia não estar mais pesada ou por talvez estar muito corrido, ou ainda por outro motivo que não é do conhecimento geral, TOP HAT apresentou–se muito bem e dentro de suas características chegou em bom 4° lugar, HIS FRIEND foi um ótimo 3°. TANGO DE GARDEL foi o 2°, e, sem desmerecê–lo, em função das anteriores performances foi uma surpresa, tendo lutado muito e ameaçado fortemente o ganhador. L’AMICO STEVE, na verdade, era a força pelo retrospecto. Como quase todos os bons cavalos, tem uma história. Teria alcançado ótimo preço em leilão nobre, mas ficou para o próprio criador. Foi mandado para o Tarumã, a fim de ser domado, aonde correu duas vezes sem vencer. Posteriormente, foi enviado para Cidade Jardim para um dos mais conceituados treinadores de lá, e após mais seis tentativas sem conseguir ganhar, teria sido vendido por dez parcelas de setecentos reais cada. O novo treinador tirou–o das distâncias menores, preparou–o para correr em 2.400 metros, tendo obtido 6 vitórias seguidas, todas em 2.400 metros. Após um 2° lugar no GP São Paulo a pescoço do ganhador, recebeu três meses para recuperação, e já com um bom cartel clássico, apresentou–se no GP Brasil com o brilho que já demonstrara em sua ótima campanha em distância maior. Eu não sei se o mérito da alteração no traçado da campanha, tirando dos páreos curtos para a distância mais adequada pertence ao treinador, ao proprietário ou aos dois. O que eu sei é que L’AMICO STEVE é filho de SPEND A BUCK em linha materna típica do Mondesir, linha com ganhadores clássicos, com elementos de fundo como CLACKSON, DUKE OF MARMELADE e SASSAFRÁS. Um cavalo com esse pedigree ser levado a correr em distâncias menores, é um contra senso. Parabéns aos responsáveis pelo L’AMICO STEVE, deram aula.

Um dos pontos mais altos da semana do GP Brasil de 2007, foi o leilão Top Classic, realizado na sexta–feira antes das corridas, na Sociedade Hípica Brasileira. O picadeiro coberto foi transformado em ambiente acarpetado, decorado com requinte, um serviço de atendimento impecável, buffet de primeira classe, potrada linda sendo apresentada, vendas até para a África do Sul e os Estados Unidos. Foi um show, um verdadeiro espetáculo.

O evento Top Classic devia ser incluído na programação oficial das festividades da semana do GP Brasil.

por Milton Lodi



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