Na parte social, foi tudo naturalmente
correto. Os visitantes, nacionais e estrangeiros, receberam tratamento adequado, cavalheiresco como era de se
esperar. O baile de quinta–feira, a "Nuit de Longchamp", foi realizado no prado, e não foi muito
concorrido. É uma tradição que eventualmente terá de ser revista, para que desperte maior interesse e
significação.
As arquibancadas não ficaram lotadas, a afluência de público poderia ser bem maior. Na
segunda–feira houve, na sede, a reunião da Associação Latino–Americana, que transcorreu como era esperado,
mantendo a próxima realização para o Peru em 2008 e o Brasil para 2009. Se na Gávea ou em Cidade Jardim, isso será
decidido mais adiante.
No aspecto financeiro, houve sucesso, com um resultado que beirou 9% (nove por
cento) melhor que no ano anterior. Mais uma vez a publicidade foi muito restrita, e como sempre se aguarda um
esforço maior no ano que se segue.
As pistas estavam boas, e em condições favoráveis aos animais, nem
seca e dura, nem molhada e fofa, estava macia, muito propícia, o que mostraram os tempos. Foram batidos os
recordes dos 1.400 metros na grama, em páreo comum (4 anos com 2 vitórias), e o dos 1.600 metros na grama (milha
internacional). Nas outras três provas internacionais, 1.000, 2.000 e 2.400 metros, foram batidos os recordes das
provas.
No GP Major Suckow, a potranca REQUEBRA largou em ritmo vertiginoso e já entrou nos últimos 600
metros na frente, perto da cerca interna, o que dá uma idéia de uma fantástica aceleração inicial frente aos mais
velozes corredores do momento. Como é muito raro um puro–sangue de corrida manter–se por mais de 800 metros sem
respirar e no máximo de sua velocidade, REQUEBRA deu chance a um competidor, que não correu os 1.000 metros de um
fôlego só, de ultrapassá–la nos últimos metros. Se após a primeira parte vertiginosa do páreo, tivesse recebido de
seu jóquei uma pausa para respirar, com a vantagem que tinha podia e merecia um "refresco", talvez não
tivesse perdido. Isso não desmerece a vitória de SUPER DUDA, uma filha de NOTATION que, naturalmente corrida para
uma partida final, como é o melhor em páreos curtos, venceu de forma espetacular.
No GP OSAF, que teve
seu nome mudado, tivemos um final dramático e emocionante, com RE THONG, uma filha de DANCER MAN de criação do
Haras Pemale, aparentemente dominada e voltando para ganhar da argentina CALANDRELLE.
Nos 1.600 metros
do GP Presidente da República, na reta um duelo de gigantes. A excelente potranca filha de PUBLIC PURSE, a então
invicta CELTIC PRINCESS, no início da reta teve que se aproveitar de uma passagem que lhe surgiu, providencial
para quem corria perto e por dentro, mas a necessária aceleração pode lhe ter custado a vitória, apesar dela ter,
como o seu mais forte oponente JET, que lhe ganhou por uma linha, batendo o recorde da distância. O vencedor JET
apresentou–se no momento certo, firme, vigoroso, e fez brilhar a tradicional blusa do Haras Maringá como também o
pai YAGLI, um dos novos garanhões mais pretensiosos, mas que na verdade, até o surgimento do valente JET, estava
devendo.
No GP Brasil houve surpresas. O favorito QUATRO MARES sentiu e perdeu a ferradura do anterior
esquerdo (ainda assim foi 5°), POTOTÓ que era talvez o mais bonito do páreo, sofreu uma brutal hemorragia na
entrada da reta final, QUICK ROAD fracassou por completo, em função da raia não estar mais pesada ou por talvez
estar muito corrido, ou ainda por outro motivo que não é do conhecimento geral, TOP HAT apresentou–se muito bem e
dentro de suas características chegou em bom 4° lugar, HIS FRIEND foi um ótimo 3°. TANGO DE GARDEL foi o 2°, e,
sem desmerecê–lo, em função das anteriores performances foi uma surpresa, tendo lutado muito e ameaçado fortemente
o ganhador. L’AMICO STEVE, na verdade, era a força pelo retrospecto. Como quase todos os bons cavalos, tem
uma história. Teria alcançado ótimo preço em leilão nobre, mas ficou para o próprio criador. Foi mandado para o
Tarumã, a fim de ser domado, aonde correu duas vezes sem vencer. Posteriormente, foi enviado para Cidade Jardim
para um dos mais conceituados treinadores de lá, e após mais seis tentativas sem conseguir ganhar, teria sido
vendido por dez parcelas de setecentos reais cada. O novo treinador tirou–o das distâncias menores, preparou–o
para correr em 2.400 metros, tendo obtido 6 vitórias seguidas, todas em 2.400 metros. Após um 2° lugar no GP São
Paulo a pescoço do ganhador, recebeu três meses para recuperação, e já com um bom cartel clássico, apresentou–se
no GP Brasil com o brilho que já demonstrara em sua ótima campanha em distância maior. Eu não sei se o mérito da
alteração no traçado da campanha, tirando dos páreos curtos para a distância mais adequada pertence ao treinador,
ao proprietário ou aos dois. O que eu sei é que L’AMICO STEVE é filho de SPEND A BUCK em linha materna
típica do Mondesir, linha com ganhadores clássicos, com elementos de fundo como CLACKSON, DUKE OF MARMELADE e
SASSAFRÁS. Um cavalo com esse pedigree ser levado a correr em distâncias menores, é um contra senso. Parabéns aos
responsáveis pelo L’AMICO STEVE, deram aula.
Um dos pontos mais altos da semana do GP Brasil de
2007, foi o leilão Top Classic, realizado na sexta–feira antes das corridas, na Sociedade Hípica Brasileira. O
picadeiro coberto foi transformado em ambiente acarpetado, decorado com requinte, um serviço de atendimento
impecável, buffet de primeira classe, potrada linda sendo apresentada, vendas até para a África do Sul e os
Estados Unidos. Foi um show, um verdadeiro espetáculo.
O evento Top Classic devia ser incluído na
programação oficial das festividades da semana do GP Brasil.
por Milton
Lodi