Prezados amigos do Raia Leve,
Chegamos à semana do
GP Brasil, este ano deslocado para o terceiro domingo, com um campo relativamente pequeno e desfalcado de alguns
craques que todos gostariam de ver em ação.
Mesmo assim, é esperado um bom público e teremos conosco o
nosso Ricardinho, atual líder mundial. Li aqui neste espaço que possui seis vitórias a mais do que o canadense
Russel Baze. Ricardinho monta o excepcional Quatro Mares, na minha modesta opinião, o melhor animal de sua geração
e minha torcida será, naturalmente, para o "Nosso Campeão".
Rebuscando um pouco na memória e
há que rebuscar às vezes bastante, associando fatos e pessoas, me veio à mente um grande feito, ocorrido faz
muitos anos e do qual um Ricardo foi protagonista. Neste instante abro espaço para voltar ao ano de 1967 durante o
GP Brasil e o Ricardo, não era o Jorge, mas sim seu pai Antonio.
Semana de Brasil, chuva e raias
pesadas. Brasil com um campo também reduzido, talvez até pela presença de um "avião" argentino chamado
Tagliamento. Vinha de ganhar o São Paulo, em tempo recorde, sem nunca haver tomado conhecimento de seus
adversários.
Cavalo voluntarioso, corria de ponta, como o fazia Farwell, largava e chegava correndo. Seu
piloto habitual, Orestes Cosenza, iria montá–lo. Parecia impossível ser batido, todos só comentavam quem formaria
a dupla. Até a raia pesada o favorecia, pois corria na frente, podendo ser levado sempre pelo melhor trecho da
pista, sem possibilidades de quaisquer prejuízos.
Os animais alinharam na seta dos 3.000 metros. Uma vez
alçadas as cintas, não havia ainda o partidor, Tagliamento tomou a ponta, entrou na reta na primeira passagem
absoluto, braceando a seu feitio. Os demais se agrupavam num lote secundário, pois Tagliamento trazia luz
considerável para o segundo.
Nenhuma alteração significativa até a altura dos 1.000 metros finais,
quando, do pelotão intermediário, começa a despontar um "crioulo" de nome Duraque. Vem se chegando pouco
a pouco e, em plena reta, ocorre o que parecia impossível, Duraque emparelha e domina Tagliamento, livra um corpo
e cruza o disco, para delírio das tribunas lotadas.
Era um sentimento sadio de vingança, era um nacional
o vencedor, era o inimaginável feito realidade. Duraque fora esquecido nas apostas, mas será sempre lembrado por
aqueles que o viram vencer naquela tarde de agosto.
Até aqui somente falei de Duraque, mas e seu jóquei?
Sim, seu jóquei era Antonio Ricardo.
Correra o cavalo como o sabia fazer, com maestria, cálculo de corrida,
confiança, energia e tantos outros atributos.
Quando após todas as comemorações naturais do momento,
finalmente, o saudoso Luiz Reis, o Cabeleira, conseguiu entrevistar o Ricardo, lembro–me que do âmago de sua alma
poética, no curso da entrevista, fez a seguinte observação: "Ricardo você esteve fantástico, não se
distinguia o jóquei do cavalo, vocês para mim eram um Centauro, uma só criatura".
Ricardo, com seu
jeito bem característico arrematou: "Acredito, você está dizendo, mas se não se monta assim, não se ganha
corridas".
Hoje, quarenta anos passados, ainda me emociono ao lembrar daquela tarde cinzenta de
agosto, de um brilho todo especial para o nosso turfe, graças a um "Centauro" surgido ao longo dos 3.000
metros do GP Brasil e formado pelo binônio Ricardo/Duraque.
Ricardinho, você tinha à época 6 anos, não
sei se se lembrará claramente dos fatos aqui narrados, mas certamente seguem vivas em sua memória outras vitórias
com as quais seu pai Antonio emocionou a Gávea.
Esta foi a maneira que encontrei de, através de uma forma
simples, homenageá–los por tantas alegrias que a Família Ricardo nos tem proporcionado ao longo destes tantos
anos.
É sempre uma alegria ver um Ricardo na pista, como veremos no próximo domingo.
Obrigado
a vocês, Antonio e Jorge.
Um abraço a todos.
por João
Guimarães