Na madrugada de segunda–feira, 13, o presidente do Jockey Club Brasileiro, acompanhado por dois
diretores, compareceu a um programa de TV, creio, com a finalidade de promover e divulgar o Grande Prêmio
Brasil.
Iniciativa de marketing louvável, poderia ser aproveitada para levar ao conhecimento do
telespectador fatos históricos e esclarecedores sobre a festa máxima do turfe carioca, a qualidade e
características dos competidores inscritos, além de alguns detalhes didáticos sobre o turfe, incentivando, assim,
o público distante a comparecer no evento. Mas, a ocasião acabou por se transformar num acontecimento político,
quando foram enaltecidos os dois mandatos sucessivos da atual administração, nos quais o turfe foi relegado ao
esquecimento.
Para o leigo, a diretoria se apresentou como empreendedora, saneadora e com aceitação de
80% dos associados da entidade, que o dirigente máximo classificou, em função dos interesses distintos, como três
clubes em um, onde sua administração é comemorada pelo social e combatida por uma oposição sem expressão e
essencialmente turfística. Na ocasião, aproveitou para comparar a melhor situação do turfe carioca em relação ao
paulista, situação esta, que não mencionou, mas herdou da administração Fragoso Pires, levantando, ainda, a
bandeira das “slots machines” como tábua de salvação para o turfe mundial, cuja aprovação dificilmente ocorrerá no
Brasil, tentando justificar, dessa forma, a fracassada administração do turfe carioca, hoje em completo abandono e
com seu patrimônio em ruínas, o que, entretanto, não acontece com a sede social da Lagoa, maior reduto eleitoral,
com poder para escolher o presidente do clube.
A partir de um determinado momento, o louvável objetivo
de promover o Grande Prêmio Brasil, tornou–se secundário quando o presidente, instigado por um de seus
companheiros de administração, foi solicitado a se manifestar quanto a permanência à frente do clube, num terceiro
mandato, cujo sufrágio será realizado no próximo mês de maio. Eis que, respondendo ao colega, exemplificou o
“sucesso” de administradores vitalícios como Ricardo Teixeira e Carlos Nuzman, justificando a conveniência de um
bom administrador, segundo ele próprio, se eternizar num cargo de direção.
Ao desligar o aparelho de TV,
no fim do programa, no qual o dirigente foi enaltecido pelos próprios entrevistadores, cheguei à triste conclusão
de que pouco resta ao turfe carioca caso o terceiro mandato venha a se concretizar. Estaria, portanto, condenado a
sobreviver a um terceiro, quarto, quinto, sexto, sétimo?
Daí, a candidatura de Claudio Ramos renova a
esperança.
por Francisco Portinho