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Abril | 2007

Claudio Ramos: É preciso mais amor ao turfe
03/04/2007 - 20h02min

Gerson Martins/arquivo RL

Claudio, voz de respeito no turfe brasileiro

Advogado, criador e proprietário de cavalos de corrida, vice–presidente da Associação Carioca dos Proprietários do Cavalo Puro–Sangue Inglês – a ACPCPSI, Claudio Ramos é uma das raras unanimidades do turfe brasileiro.

Respeitado e querido nos diversos segmentos do PSI, sua paixão pelos cavalos e corridas remonta aos tempos de menino, quando era levado por seu pai e Victor Guilhem ao hipódromo, às matinais e às cocheiras da Gávea.

Teve seu primeiro corredor em 1985 e começou a criar seis anos depois. Preocupado com a situação do turfe brasileiro e, em particular com o carioca, teme pelo futuro desta atividade tão apaixonante e se diz decepcionado com a falta de interesse e capacidade daqueles que dirigem o turfe do Rio de Janeiro.

Claudio vai contar um pouco de sua história, falar sobre como está vendo o aflitivo cenário e abordar ações que poderiam evitar que tudo se agrave ainda mais. Vai falar, também, sobre seu Ivoire, sério candidato à vitória no Derby do próximo dia 15.

Claudio, de onde vem sua ligação com o turfe?

Desde pequeno comecei a freqüentar o hipódromo, levado por meu pai e seu amigo Victor Guilhem, grande proprietário na época e me apaixonei pelas corridas. Lembro que sempre comparecia aos trabalhos matinais e às cocheiras de Geraldo Morgado. O primeiro páreo que assisti foi uma disputa espetacular entre os cavalos Verbo, de dona Zélia Peixoto de Castro, e Mano a Mano, que, se não me engano, era do Haras Chapéu de Sol. Foi um páreo sensacional. Mas, em 1961, quando Jânio Quadros proibiu a presença de menores nos hipódromos, tive que me afastar e perdi um pouco do contato.

Quando você se tornou proprietário?

Em 1985, quando, junto com três amigos, formamos o Stud Click e compramos um potro no leilão do Haras Santa Ana do Rio Grande. Chamava–se Confrade e foi uma emoção diferente. Depois disso, comprei algumas éguas, que particularmente me interessavam mais que os cavalos. Já, naquele tempo, pensava em criar meus próprios corredores.

Efetivamente, quando começou como criador?

No ano de 1991, já com meu registro de criador, mandei algumas éguas para o Haras Ponte Nova e criei ali os meus primeiros produtos. Quarantaine e Queen Nina, que adquiri junto ao Haras Nacional, foram duas delas.

E o Haras LLC veio quanto tempo depois?

Em 1996 comprei terras de lavoura em São José dos Pinhais e dei início à construção do haras. Joaquim Alda, que trabalhava para o Haras Santa Maria de Araras, foi o grande responsável pela construção do LLC e devo muito a ele. Em 1997 já com tudo pronto, as éguas chegaram e a criação teve início, nesta nova etapa.

Nestes 10 anos de atividade, qual foi o melhor cavalo que você criou?

Sem dúvida, Feito Craque, que tem uma excelente campanha. É um cavalo diferenciado e na pista de areia conseguiu ótimos resultados. Também tenho muito carinho por um animal que não teve sorte, pois mancou do tendão, o D’Orsay Doré, que mostrou ser muito corredor nos treinos.

Quantas éguas tem o LLC e qual seu critério para vender parte da criação?

Nosso plantel é de 20 éguas e, na verdade, somente comecei a vender no ano passado, quando coloquei alguns produtos em leilão. Antes, no haras, vendi a Hamadría ao Stud Estrela Energia. Ela começou muito bem, mas infelizmente morreu em Dubai. Vendo poucos potros, mas procuro oferecer os mais perfeitos, aqueles sem qualquer tipo de problema.

Como você vê a situação atual do turfe?

Com muita preocupação e certo pessimismo. Os problemas estão aí, mas parece que aqueles que podem, ao menos, tentar resolvê–los, não tomam qualquer providência neste sentido. Em São Paulo, nota–se esforço, mas as dificuldades são grandes. Mas, pelo menos, conseguimos enxergar que eles estão tentando.

Mas e no turfe carioca?

Acredito que as coisas estejam ainda piores. Não há interesse e falta capacidade e profissionalismo. A atual administração desestruturou o pouco que ainda havia. O movimento de apostas não cresce, as pistas estão em péssimas condições e os programas são mal feitos. O apostador, que em todo lugar do mundo é bajulado e a ele são oferecidas todas as facilidades, aqui é simplesmente ignorado. O poder, por aqui, é centralizado numa só pessoa, que deveria se dedicar mais ao turfe, mas não o faz.

Têm acontecido muitos casos de manqueira. Você acha que as raias são responsáveis?

Evidentemente que sim. No primeiro mandato, o atual presidente cortou pela metade todos os custos com a manutenção. Não se mexe na pista de areia há muito tempo e não há reposição, como acontece em todos os centros de treinamento, por exemplo. Outro dia, junto com o treinador José Ferreira dos Reis, percorri parte da pista de grama e conseguimos encher um saco com pedras, além de notar diversos buracos no percurso. Reisinho pediu para subir à Comissão de Corridas, a fim de entregar o nosso “achado” e não foi recebido.

Mas o que poderia ser feito para que tudo isso melhore?

É preciso mais dedicação e escolher as pessoas certas para desempenhar as funções específicas. Os criadores estão parando suas atividades e a toda hora somos surpreendidos por leilões de liquidações. Os proprietários estão sempre insatisfeitos por chamadas que não atendem às suas necessidades. É preciso mais vontade, mais amor ao turfe. Do jeito que as coisas se encontram, o futuro é incerto para os apaixonados e para aqueles que dependem do turfe para sobreviver. Não fazer nada é ficar assistindo de camarote a dissolução do patrimônio alheio, conquistado com tanto amor e dedicação.

Vamos falar, agora, sobre o Ivoire, um sério candidato à vitória no Derby?

São animais da categoria do Ivoire que ainda nos mantêm ligados ao turfe. Ele venceu aquele páreo cheio de prejuízos, mas é um potro de muita categoria. Diante da impossibilidade do Correa montá–lo, Reisinho teve a idéia de convidar o Ricardo, que esteve no Rio na semana passada. Ele aceitou a montaria e a primeira coisa que pediu foram os CDs com as corridas do cavalo, para poder conhecê–lo melhor. Torço para que tenhamos uma pista leve, onde ele rende o máximo. Um Derby é o sonho de todo criador e proprietário e Ivoire veio ainda potrinho, ao pé, quando adquiri sua mãe, em leilão.

por Marco Aurélio Ribeiro



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