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Provas de Grupo, por Ivamar 10/10/2006 - 20h15min
COLINA VERDE mostra o lado mais nobre do turfe
A grande atração de sábado no Brasil, tendo por palco Cidade Jardim, São Paulo, foi o fundamental GP Diana (GI), terceira e última prova da Tríplice Coroa de potrancas, evento criado em 1957 e que, como em alguns anos, contou com a presença de uma candidata ao título, o que fazia da carreira um dos momentos mais esperados pelo turfista.
E para alegria dos que amam o puro–sangue de corrida, COLINA VERDE conquistou a quarta e mais importante vitória de sua campanha, que tem sete atuações, tornando–se a quinta tríplice coroada paulista. E como das vezes anteriores, exibiu espantosa capacidade de aceleração ao ser acionada por Ivaldo Santana no início da reta, quando estava entre as últimas no campo de 14 concorrentes. Esgueirando–se entre elas, rapidamente passou para a ponta e livrou aproximadamente quatro corpos sobre a segunda, HAMADRÍA (Torrential), que surpreendeu. Em terceiro e quarto, longe e separadas por pequena diferença, FADA DE BIRIGUI (Trempolino) e CHATTE (Burooj), esta correndo menos. CHANEL DAWI (Nedawi), completou o marcador.
Colina Verde, criação do Haras Santa Camila e propriedade do Haras Fazenda Boa Vista, é treinada por Olavo Jerônimo. Para os 2.000 metros, na grama muito pesada, assinalou 2Â’05”514, pior que o dos potros. Nada mais tendo a provar, sua missão, agora, será promover a criação brasileira no exterior, o que certamente fará com o mesmo brilho, desde que por caminhos certos e sem precipitação.
Mesmo sem ter os fenomenais Northern Dancer e Mr. Prospector no sangue, o pedigree da campeã é esplêndido. Descendente em linha paterna de Nasrullah, tem como pai Know Heights (Shirley Heights), que vem se firmando como dos melhores em atividade no Brasil. Sua mãe, a boa velocista Verdadeira (Purple Mountain e Key of Hill, por Tumble Lark), é irmã inteira de Subaru Purple, que venceu o GP Ipiranga (GI) e de Abraçado (ganhador de Grupo II).
A terceira mãe de Colina Verde, Emerald Hill (Locris e Embuia), invicta no Brasil e tríplice coroada há exatos 29 anos, produziu o reprodutor clássico Jade Hill (Tumble Lark), pai de Play Violin (GP Ipiranga).
Embuia (Sunny Boy e Emoción) é irmã materna de Emotive (Tang), terceira mãe de Empeñosa Fitz, Latency e Emotion Parade, que venceram provas de Grupo I na Argentina, os dois últimos este ano.
Emoción (Orsenigo), além de Embuia e Emotive gerou, entre outros, Embuche (Le Haar), líder de sua geração e que também venceu o GP Diana, além do OSAF paulista, Jockey Club Brasileiro (St Leger) etc.
Esta linha materna remonta, no Brasil, à fantástica Empeñosa (Full Sail), que além de Emoción é mãe, entre outros, do invicto Emerson (Coaraze), ganhador do Derby Paulista, do Derby Brasileiro e do Derby Sul–Americano, e que, por sua vez, é pai de Rescousse, vencedora do Diana francês e segunda no Arco do Triunfo.
Fuco, novo líder carioca
Domingo, a atração turfística, no Brasil, foi o GP Linneo de Paula Machado (GI), Grande Criterium, realizado no Hipódromo da Gávea, em 2.000 metros, grama.
Confirmando o resultado do clássico–teste, há um mês, FUCO (Nedawi e Rondesir, por Ghadeer) e ALCAZAR (Thignon Lafré) atropelaram para terminar em primeiro e segundo, respectivamente, tendo tido o ganhador dificuldade para alcançar o adversário. No confronto anterior, diferença de meio corpo. Agora, apenas cabeça. Em terceiro, a dois corpos, também vindo de trás, QUICK HAWK (Spend A Buck), que está mostrando ser potro muito forte, pois continua correndo bem apesar do natural desgaste das viagens feitas a São Paulo. Os três são candidatos lógicos ao próximo GP Derby Paulista, que está sem favorito, principalmente pela ausência de Tudo Azul, exportado. Completando o marcador, BRITISH NIGHTMARE (Public Purse) e TARECO (Rainbow Corner), também em boas atuações. Ao contrário, Quick Gipsy decepcionou ao retroceder totalmente na reta. Algo de anormal se passou, ou a vitória, em agosto, na Milha Internacional, foi por acaso.
Fuco, criação da Fazenda Mondesir e propriedade do Stud Raça, foi dirigido por Tiago Josué Pereira e apresentado por Mozart Dutra Ribeiro. Os 2.000 metros, na grama pesada, foram percorridos em 2Â’04”56. Foi a terceira vitória, segunda clássica, primeira de grupo, em nove apresentações.
COLD CAIÇADO surpreende
No Hipódromo Paulistano, também no sábado, foi realizado o GP Jockey Club de São Paulo (GI), na grama, em 2.000 metros, segunda prova da Quádrupla Coroa.
Reabilitando–se de duas corridas fracas, COLD CAIÇADO (Pleasant Variety e Régia Caiçada, por Lamerok) livrou meio corpo sobre QUICK ROAD (Jules), vencendo com firmeza. O principal adversário só diminuiu a aceleração nos 200 metros, mostrando que sua distância ideal é a milha. Em terceiro, a aproximadamente três corpos do vencedor, AMIGO PERU (Talloires), e em quarto, perto, o andarilho FARENHEIT (Spend A Buck). ALTO TAQUARI (Yagli) chegou em quinto, no complemento do marcador.
Cold Caiçado, criação e propriedade de Gianni Franco Samaja, foi pilotado por Ivaldo Santana e é treinado, assim como Colina Verde, por Olavo Jerônimo. Para o percurso, na pista pesada, assinalou 2Â’04”941.
Eu Também: categoria internacional
Em Cidade Jardim, ainda no sábado, tivemos o GP Presidente Antônio Correa Barbosa (GII), em 2.200 metros, para produtos de 3 anos e mais idade.
O triunfo, quinto, quarto de grupo, em seis apresentações, todas na areia, terminou com o potro EU TAMBÉM. O filho de Wild Event e Charmosa, por Fain, não tomou conhecimento dos adversários, tecnicamente fracos. Este fato, porém, perde totalmente a importância para todos que assistiram à carreira. Foi uma exibição de gala, de um puro–sangue muito superior. Outro potro, LEAVING ALONE (Vettori), formou a dupla, em promissora atuação. O 4 anos PANTALEON (New Colony), que vinha de várias vitórias na areia, mas em páreos mais fracos, foi apagado terceiro, longe do segundo. A seguir, NIGELO (Know Heights), também de 4 anos, e JOLI BLANC (Midnight Tiger), de 7.
Eu Também, criação do Haras Guaiuvira e propriedade de João Boyadjian, foi conduzido por João Moreira, é treinado por Victorio Fornasaro e assinalou, na pista encharcada, 2Â’14”669, tempo excepcional. É possível que venha a correr no Derby argentino, mas quero crer que depois, a exemplo de Colina Verde, deixe–nos para sempre, participando, quem sabe, de provas nos Estados Unidos ou em Dubai.
Ever Love fracassa. Nhecolândia vence
Éguas de 4 anos e mais idade foram apresentadas, sábado, na grama de Cidade Jardim, no Clássico Mário Ribeiro Nunes Galvão (L), no percurso de 2.000 metros.
Cercado de muita expectativa, pois marcava o reaparecimento de Ever Love, líder entre as fêmeas nascidas em 2002, o clássico foi frustrante para os turfistas. Infelizmente, a filha de Nedawi nunca esteve no páreo, em atuação completamente anormal, principalmente pelo fato de que suas rivais (todas de sua geração, à exceção de Dadeland, de 5 anos) nunca estiveram nem perto da liderança da turma. Por certo, aparecerá, nos próximos dias, a explicação para o fracasso, que a excepcional corredora não merecia ter em seu currículo. A vitória terminou com NHECOLÂNDIA, por Purple Mountain (avô materno de Colina Verde) e Information Phone, por Minstrel Glory, que mandou na carreira em todo o percurso e atingiu o disco com mais de dois corpos sobre NAYARA GOLD (Know Heights). Atropelando pela cerca externa, NOSSA CAROLINA (Royal Academy) foi bom terceiro. EVERT CHRIS (Nedawi) e DADELAND (Roi Normand) completaram o marcador. Juju Willie, que vinha de vitória na turma, não a confirmou.
Nhecolândia, criação do Haras Ponta Porã e propriedade do Haras Santa Luzia da Água Branca, foi dirigida por Ivaldo Santana, que venceu três das quatro provas clássicas da tarde, e é treinada por Wanildo Garcia Tosta. Tempo na pista pesada: 2Â’03”898, surpreendentemente melhor que os de Cold Caiçado e Colina Verde.
Próximas atrações
Rio de Janeiro
Sábado, no Hipódromo da Gávea, o destaque da semana é o Clássico Octavio Dupont (L), em 1.600 metros, grama, para potrancas de 3 anos. São 15 as inscritas e mais da metade, com possibilidades.
Domingo, a atração é a Prova Especial José Bastos Padilha, em 3.200 metros, grama, para produtos de 4 anos e mais idade, onde Reux e Idomeneo parecem ter destaque, ainda que Absolut e Notec possam se reabilitar de suas recentes apresentações. Sem importância, como as anteriores, será realizada a Prova Especial das Américas, em 1.200 metros, na areia, para produtos de 3 anos e mais idade, no feriado de 12 de outubro, quinta–feira. A exemplo de muitos, um páreo que se confunde com os de pesos especiais (disputados o ano inteiro), mas que têm um nome, fazem parte da Temporada Clássica e, injustamente, dão status a seu ganhador, colocando em descrédito, pelo menos para as pessoas atentas, o chamado Black Type.
São Paulo
Na corrida de sábado, em Cidade Jardim, consta o novo Clássico Emerson (L), para produtos de 3 anos. Na distância de 2.400 metros, grama, talvez aponte concorrentes ao próximo GP Derby Paulista. Como se esperava, nenhum dos melhores da geração foi inscrito.
A Prova Especial Presidente Carlos Paes de Barros, em 1.000 metros, grama, para produtos de 3 anos e mais idade, recebeu as inscrições de seis concorrentes. Novamente em ação, Norway Boy e Montesinos, em aparente negra, presentes ainda Sun Exotic e Ipê Roxo.

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