Existem fatos inexplicáveis em nossas vidas. Na última sexta–feira, 26, chegava a Porto Alegre, Aluizio Eugenio Cavalcanti Marques, o “Pipo”, meu amigo há 27 anos.
Ele fez parte de minha vida particular e turfística. Por exemplo: quando ficou confirmada a gravidez da Andréia, a primeira ligação que recebi foi a dele. Relatei o fato e ele disse: “O padrinho serei eu”. Virei–me para a Andréia que acenou com a cabeça positivamente. E assim foi.
Muitas vezes brigávamos – não brigar para valer, mas sim de birra. Brincávamos muito, apelidávamos os amigos sem eles saberem, ríamos à vontade. Grandes jantares, um bom whisky e amigos. Sobravam no turfe!
Pois bem, voltando ao parágrafo inicial. Ao chegar à capital dos pampas, o Pipo me ligou. “Rizzon, em 20 minutos nos encontramos para almoçar no Galpão Crioulo”. Liguei para casa e avisei que passaria para pegar o Alexandre.
Aliás, o “Xande” adorava o Pipo. Falava quase todos os dias por telefone com o padrinho. Estar com ele era o máximo. Ao final do almoço, o Pipo lhe deu R$ 400,00 para reforçar sua poupança. E disse: “Este é o aniversário atrasado. O Natal virá no próximo mês”.
Em seguida, me pediu: “Por favor compadre, vamos ao Tattersall. Por favor. Eu lhe peço. O doutor (Mariozinho) também quer você lá.” E após 3 anos sem entrar no JCRGS, lá fui eu. Parecia uma despedida anunciada. No leilão ele me agradeceu, dizendo que estava satisfeito com a minha atitude.
Lembro–me dos fatídicos 3 e 4 de março de 2001. Quem estava comigo, no Rio de Janeiro, quando minha mãe ligou para dizer que meu pai havia piorado? O Pipo e o Zilmar Guedes. Era dia 3. No início da madrugada (4), eu perdia meu pai. Foi a minha primeira grande perda!
Bagé, Rio, Curitiba, São Paulo, Montevidéu, Buenos Aires e Recife foram alguns dos lugares em que estivemos juntos. Ontem, dia 27, ao chegar ao Rio de Janeiro, retornando como sempre de forma antecipada – ele adorava fazer isso (seu vôo estava marcado para domingo, às 19 horas) –, o Pipo passou mal, falecendo a caminho do Hospital Silvestre. Foi enterrado hoje à tarde, no Cemitério São João Batista, sem que nenhum de seus amigos soubesse do triste episódio. Motivo: ruptura de aneurisma da aorta abdominal, segundo informou seu irmão Arnaldo.
Entre seus amigos órfãos, além de mim, estão o Mariozinho, “Balada”, Paulo Afonso, Mário C.T., Silvio Piotto, Daniel Young, Luiz Rocha, Leo, Azeitona, K, Becão, Reisinho, Sergio Rezende, Luiz Duarte, Sergio Petrochinsky etc, além do meu Alexandre, que no próximo dia 14 de março completará 6 anos sem a presença de seu padrinho e ídolo. Alexandre venerava o Pipo. Tinha orgulho do seu padrinho.
Meu domingo foi vazio. De muita tristeza. Aliás, chega de tristeza em 2007. O ano começou com nomes importantes do turfe se despedindo de nós.
O Pipo era um amigo especial. Um dia nos encontraremos lá em cima!
por Marcos Rizzon