No início do ano os americanos promovem os eventos mais importantes do cinema e da televisão. O primeiro é o Globo de Ouro, promovido pelos jornalistas estrangeiros que trabalham em Hollywood. Logo depois vem a grande festa do Oscar e todo aquele glamour e luxo é assistido por milhões de pessoas no mundo inteiro.
Desde que o cinema começou, mesmo nos tempos dos filmes mudos, o cavalo tem sido, ao menos, um coadjuvante de grande relevância nos filmes da tela grande e na televisão. E sua participação foi fundamental, nas películas dos tempos dos bárbaros, dos grandes épicos romanos e dos intermináveis filmes de cowboy. A grande injustiça é que nenhum deles recebeu qualquer prêmio.
Quantas crianças se deliciaram com o falante Mr.Ed, por sinal bem mais inteligente que o dono. Vamos tentar reparar algumas destas injustiças.
Começando pelos mais antigos.
Ainda nos tempos dos nossos avós, com televisão preto e branco, surgiram cavalos famosos, como Tony, que pertencia a Tom Mix. Cisco Kid sempre perseguia os bandidos no dorso do inseparável Diablo, assim como Hopalong Cassidy tinha o seu Topper. Um pouco depois surgiu Roy Rogers, com o alazão Trigger, que empinava solene, tentando aparecer mais do que o herói da série.
Lone Ranger aqui virou Zorro.
Outra série de grande sucesso, desde os tempos do rádio, nos Estados Unidos, foi Lone Ranger, que no Brasil foi batizado de Zorro. O mascarado tinha como incansável e fiel companheiro o tordiho Silver, que várias vezes conseguiu tirá–lo de grandes enrascadas. Já o coadjuvante Tonto, um índio bom de briga, montava um cavalo malhado, chamado Scout, que, embora muito bonito, não conseguiu atingir a fama de Silver. Preconceito da época.
O cinema imortaliza Seabiscuit.
Não resta a menor dúvida que a história real de Seabiscuit é emocionante e, levada ao cinema, despertou o mundo inteiro para a importância do cavalo, seja de corrida ou não. As pessoas passaram a olhar com mais carinho para este elegante animal, cuja origem gera controvérsias, mas que foi fundamental, em todos os sentidos, seja na paz, na guerra ou na evolução. No cinema, Seabiscuit ganhou honra de herói, uma espécie de Davi derrotando Golias. A vitória do mais fraco sobre o poderoso. Era um cavalo de corrida e sua história foi real, merecendo o glamour das telas.
Na antiguidade e na literatura, outros grandes cavalos.
Quem não se recorda de Bucéfalo, o cavalo de Alexandre, O Grande? Ou de Incitatus, do alucinado Calígula, que construiu um estábulo de mármore, com 18 servos para alimentá–lo e que quase virou cônsul do Império Romano? Há também o inesquecível Rocinante, um cavalo quase tão magro como Don Quixote, o anti–herói criado por Cervantes. Enfim, como em qualquer lista, alguns cavalos vão ficar de fora, mas, sem dúvida alguma, são eqüinos que entraram para a história e merecem reconhecimento.
Também houve heróis de verdade.
Poucos conhecem a história do cavalo Comanche, único sobrevivente na famosa batalha de Little Big Horn, quando as tropas do General Custer foram dizimadas pelos nativos liderados por Touro Sentado. O cavalo de Tróia, embora de madeira, foi fundamental na batalha entre gregos e troianos. Existem também os místicos, como o “Cavalo de São Jorge”, presente em todas as imagens do santo. Não se pode deixar de fora Pégasus, o cavalo alado (sonho de todo proprietário de PSIs).
Uma batalha histórica do cinema.
Voltando à participação dos cavalos no cinema, não há como não lembrar da famosa corrida de bigas em Ben–Hur, quando os árabes brancos, conduzidos por Judah Ben–Hur (brilhantemente interpretado por Charlton Heston), derrotam os cavalos negros dirigidos pelo vilão Messala (em outro show de atuação de Stephen Boyd). Enfim, o cavalo é magnífico. Seja ele de corrida ou não. E, injustamente, nunca recebeu o reconhecimento merecido.
por Marco Aurélio Ribeiro