SEMANA REPLETA DE ATRAÇÕES NO EIXO RIO E SÃO PAULO
O turfista brasileiro, nesta segunda semana de novembro, terá a oportunidade de vivenciar final de semana turfístico de grandes emoções. E os dois principais clubes hípicos do país, no eixo Rio– São Paulo, serão protagonistas dos maiores espetáculos, tendo como palcos, os hipódromos de Cidade Jardim, no sábado, e, Gávea, no domingo. No desfile de puros–sangues campeões a ser realizado do prado bandeirante, o tradicional Grande Prêmio Diana reunirá potrancas de 3 anos de alta qualidade, e os seus criadores e proprietários poderão sentir o frio na barriga, diante da expectativa de levar para casa, a taça mais importante da ala feminina de corredoras. E, na mesma tarde, será corrido o Grande Prêmio Derby Paulista. A relação histórica de puros–sangues ganhadores da prova, durante a sua trajetória, através dos anos, se confunde com a própria a história gloriosa do turfe de São Paulo. E, as provas coadjuvantes, desta tarde gloriosa, possuem expressivo nível técnico. Imperdível.
O domingo do turfista carioca também vai merecer a presença dos aficionados nas dependências do belo Hipódromo da Gávea. No Grande Prêmio Antônio Joaquim Peixoto de Castro Jr, Grupo 2, o craque On Line, do Stud Verde, vai enfrentar dois rivais de qualidade, Sugar Daddy, do Haras Doce Vale, e Quantify, do Stud Red Rafa. Campo reduzido, porém, qualificado. E, por isso, um páreo incapaz de proporcionar choro, para quem for derrotado. Não acontecerão prejuízos no percurso. No Grande Prêmio Gervásio Seabra, Grupo 2, em 1600 metros, na grama, vai reaparecer, London Moon, ilustre representante da criação do Haras Anderson, expoente de sua geração, refeito de desconfortável contratempo. Foi preparado com carinho pelo treinador, Adélcio Menegolo, e pronto para dar trabalho ao melhor milheiro do país, Ushuaia Ibiza, do Stud Habeas Corpus, e, também, aos craques, Oceano Azul, do Haras Figueira do Lago, e, ao consistente, Jackson Pollock, do Stud Verde, Quarteto de ferro. Páreos coadjuvantes interessantes, com os velocistas, no GP Adhemar e Roberto Gabizo de Faria, e a Prova Especial Alcides Morales.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Em período de nítida evolução, o potro, Apolo Dez, criado por Ulisses Lignon Carneiro, e defensor da tradicional farda do Stud São Francisco da Serra, de Luiz Antônio Ribeiro Pinto, deu a mais consistente e bela exibição da semana na raia carioca., na Prova Especial Glória de Campeão. Um show de poderio locomotor. Preparo espetacular de Júlio César Sampaio, o Alemão, no auge de sua carreira profissional, e sempre apresentando os seus pensionistas em estado atlético exuberante. Uma apresentação digna de destaque. O jovem Wilkley Xavier, a cada dia mais experiente, teve pouco trabalho no dorso do valoroso corredor, tremenda encrenca, para sempre, nos futuros compromissos.
JOQUEADA DA SEMANA
O jovem Maicon Mesquita começou a ter melhores oportunidades. E num esporte, em que os puros–sangues são sempre os protagonistas, estar no dorso de bons corredores é fundamental e indispensável, para colher bons frutos e resultados. Com a potranca Nice Dream, de criação do modelar Haras LLC, do turfman, Cláudio Ramos, e propriedade da tradicional e antiga farda, do Stud Monreve, esteve impecável e conquistou o Grande Prêmio Octávio Dupont. José Ferreira Reis, o lendário jóquei de Itajara, agora segue brilhando na profissão de treinador. Observador, discreto, mas sempre bem sucedido, tem dados boas oportunidades para o jovem valor.
PERSONAGEM
Não entendi. Um simpático visitante do Espaço do Leitor, aqui no Raia Leve, fez duras críticas ao Leandro Henrique por ele ter perdido com dois corredores favoritos. E, justamente, numa semana, em que ele começa a demonstrar, aos poucos, estar atingindo a sua melhor forma atlética. Depois de enfrentar diversos acidentes graves, durante toda a temporada, passar por cirurgias delicadas, e, assim mesmo, chegar bem colocado na estatística. Leandro enfrentou com resignação a dramática situação. Os cavalos que ele monta vendem muito jogo devido a confiança dos proprietários, treinadores, e, dos próprios turfistas, no seu talento, força incomum, e honestidade indiscutível no universo do turfe.
L. Henrique é um atleta. E a sequência de quedas, fisioterapias, e novas quedas, e novas sessões de fisioterapia, e mesas de cirurgia, prejudicaram o seu estado atlético. Porém, esta semana deixou claro, que já está próximo da sua melhor forma. O "Braço de Mola" vai voltar aos seus melhores dias. E, como todos os jóqueis de ponta, vai voltar a perder com outros favoritos. Por que nem sempre, os cavalos apostados pelo público vendem jogo compatível as suas chances reais. São apostados demais da conta, devido aos nomes no programa que estão em seus dorsos. Esta semana, por exemplo, alguns dos meus amigos me telefonaram sobre a possibilidade de cravar ou não, no Pick 7, Jungle King, na PE Glória de Campeão. Eu alertei, a todos eles, que era difícil derrotar Apolo Dez, mais novo, e com enorme vantagem de peso. "Coloca os dois, e dobra o bolo, se você tem medo do Leandro Henrique", falei para todos.
FRANCISCO LEANDRO
O jóquei brasileiro, Francisco Leandro, cearense de Sobral, segue fazendo história do turfe argentino. Ontem não havia assinado montarias em La Plata, mas foi requisitado para montar uma barbada no bosque da cidade universitária, como os argentinos chamam o belo local. Foi lá e ganhou o segundo páreo com Igual a Vós, do Stud Queridos Abuelos, criação do Haras Abolengo, e preparo de José Maria Andrada. Foi a vitória de número 459 da temporada. Hexacampeão da estatística portenha, F. Leandro depende de mais 19 vitórias, para completar 478, e bater o recorde sul–americano de vitórias, numa mesma temporada, do seu conterrâneo, Jorge Ricardo, 477, conquistado aqui na Gávea.
GLÓRIA ETERNA
Depois da conquista da Copa Libertadores da América, no sábado, pelo Fluminense, como todos sabem, uma das paixões da minha vida, acordei no domingo de alma lavada. E aí lembrei da minha infância. Senti vontade de ler a crônica do jogo com o Boca Juniors, na coluna do Nelson Rodrigues, intitulada "A sombra das chuteiras Imortais", no Cor de Rosa, como era chamado, naquela época, o Jornal dos Sports. Cai na real, em frações de segundos, e pensei. "Puxa vida. Estamos no mundo que não tem mais Nelson Rodrigues. Ele se foi. Puxa, como viver num mundo sem ele?", perguntei a mim mesmo. E aí, senti pena de uma geração que sofre tanto para fazer a redação do Enem. Para os meus próprios filhos sempre foi um pesadelo. Ainda bem que existe o Fluminense. Doce consolo para tantos tricolores que se foram, como o meu pai, Luiz Paulo, o meu avô, Moacyr e tantos outros. Como escreveu o imortal Nelson Rodrigues, dia 4 de novembro, em sua coluna lá do céu. "No último sábado, todos os tricolores vivos, saíram de suas casas, e, os mortos, como eu, saíram de suas tumbas, e foram ao Maracanã. Todos foram ver de perto os gols de German Cano e, de John Kennedy. Era imprescindível presenciar a conquista da Glória Eterna!"
