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Agosto | 2020

Ricardinho vai montar na Gávea em setembro
20/08/2020 - 09h32min

João Cotta

Jorge Ricardo, ainda sem montaria no GP Brasil, será atração na Gávea em setembro

A passagem, Buenos Aires/São Paulo, já foi emitida. E nela consta a data de 6 de setembro de 2020. O nome do passageiro: Jorge Antônio Ricardo. O desembarque está marcado para às 11h45m, um domingo. Na ausência de voos diretos, da capital da Argentina para o Rio de Janeiro, esta foi a melhor opção encontrada pelo jóquei recordista mundial de vitórias.

Entusiasmado com possibilidade de montar durante todo o mês de setembro, no Hipódromo da Gávea, segundo ele mesmo sempre diz, "a minha casa", Ricardo já pediu ao filho mais velho, Jorge Antônio, que consiga uma ponte aérea em horário próximo ao desembarque. "Quem sabe ainda dá tempo de ir direto para o prado e participar dos últimos páreos", exultou. O certo é que já pretende montar na segunda e na terça–feira, dias 7 e 8 de setembro. Depois fica montado no Rio até a semana do Grande Prêmio Brasil, marcado para o dia 27, três dias antes do seu aniversário de 59 anos.

Impossibilitado de vir montar no Brasil durante a pandemia, devido a rigorosa quarentena do governo argentino, e a ausência de voos internacionais, Ricardo confirmou que está com bom peso, preparo físico em dia e muita saudade de fazer o que mais gosta que é montar. Adiantou que vai atuar na reabertura do turfe argentino, marcada para os dias 28 e 31 de agosto, no Hipódromo de Palermo, e no dia 5 de setembro, no mesmo local. A volta dos páreos de San Isidro e La Plata, segundo ele, ainda não têm data definida. Como sempre, ele evita falar na despedida das pistas, mas admite que esse pode ser o seu último Grande Prêmio Brasil. Ricardinho ainda não tem montaria para o páreo mais importante do turfe nacional. Porém, ele tem esperança de que até a semana da corrida possa aparecer uma oportunidade de tentar o tricampeonato da prova. Ele ganhou por duas vezes, com Falcon Jet, em 1992, e Much Better, em 1994. Segundo ele, os dois melhores puros–sangues que montou.

Após 44 anos de carreira profissional, e recordista mundial, com 12.992 páreos, Jorge Ricardo acredita que possa alcançar as 13 mil no prado carioca. "Seria uma enorme satisfação comemorar esta marca ao lado dos fãs, amigos e perto dos meus filhos", admite. O que ainda impressiona em Jorge Ricardo é a sua alegria em viver com tamanha intensidade o turfe, depois de tanto tempo. No seu currículo, além do recorde mundial, constam intermináveis conquistas, recordes e glórias, tais como:

Recordista sul–americano numa mesma temporada, com 477 vitórias. Recordista semanal de vitórias na Gávea, com 16. Recordista de vitórias numa mesma reunião, 7. Recordista de estatísticas conquistadas no hipódromo carioca, 24 anos consecutivos, de 1982 até 2006. Quatro títulos de estatística na Argentina, 2007, 2008, 2011 e 2012. Vencedor do Clássico Latino–americano, cinco vezes, vencedor do GP Carlos Pellegrini, três vezes, vencedor do GP Brasil, duas vezes, vencedor do GP São Paulo, duas vezes e vencedor do GP Cruzeiro do Sul, o Derby, cinco vezes.

Na Argentina, uma pesquisa realizada por especialistas em estatística concluiu, depois de estudar a rotina da carreira de Jorge Ricardo, que ele passou a maior parte de sua vida montado em cavalos de corrida. Segundo os estudiosos, Ricardinho desfrutou de mais horas de sua existência treinando ou competindo no dorso de puros–sangues, do que deitado para dormir e descansar, ou de pé, para caminhar ou correr. O fruto desta paixão avassaladora pela profissão deixa gigantesco legado de glórias para a posteridade. Um ciclo extraordinário, que começou em 1976, com o triunfo de Taim, treinado por seu pai, o saudoso Antônio Ricardo. E que agora, em 2020, 12.991 vitórias depois, parece se aproximar do fim. Afinal, como todos sabem, o tempo é inexorável...

Por Paulo Gama



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