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Agosto | 2020

Páreo Corrido, por Paulo Gama
18/08/2020 - 09h52min

NOVA GERAÇÃO CARIOCA TÊM LÍDERES INCONTESTÁVEIS

A nova geração de potros e potrancas teve definidos os seus dois líderes, no último domingo, quando foram disputados na Gávea, os Grandes Prêmios, Jockey Club Brasileiro, Grupo 1, para os potros, com o triunfo de Jackson Pollock, do Stud Verde, e o Grande Prêmio Francisco Vilela de Paula Machado, Grupo 2, para potrancas, dominado por If Looks Like, do Haras Santa Maria de Araras. Foram triunfos incontestáveis, em estilo dos mais promissores, por parte de ambos. A expectativa agora é pelos próximos compromissos. Jackson Pollock terá de confirmar a sua supremacia no futuro. Afinal, na geração de potros, até agora, tem havido certo equilíbrio entre os rivais. No caso de If Looks Like, pelas demonstrações de força, em suas últimas exibições, parece reinar absoluta na sua turma, por enquanto.

Jackson Pollock tinha sofrido enormes prejuízos no percurso na sua atuação anterior. Desta vez, o pensionista de Luís Esteves, criado no Haras Santa Rita da Serra, teve percurso privilegiado, graças a simplicidade e o feijão com arroz bem temperado do bridão, Marcelo Gonçalves. Depois da partida posicionou o seu pilotado no terceiro posto, junto aos paus, e assistiu a luta titânica entre Nero D’Avora, do Haras Figueira do Lago, faixa de Nepal, e de Lincoln Acteon, do Stud H&R. Os jóqueis dos seus teóricos rivais, o então líder Nepal, e Playa Los Ingleses, do Stud Best Friends, optaram por correr um pelo outro, e este detalhe foi fatal para ambos. Quando os ligeiros cansaram, Jackson Pollock dominou a prova sem luta. Estava inteiro e resistiu com sobras ao ataque do surpreendente Rei do Camarote, do Haras Doce Vale, na melhor atuação de sua curta campanha, e dos favoritos, Playa Los Ingleses e Nepal, terceiro e quarto colocados.

If Looks Like confirmou mais uma vez ser potranca de exceção. A presença de uma faixa, In The Wind, da mesma farda, sugestionou o seu piloto a ficar com ela, um pouco mais atrás, do que seria necessário. E este fator lhe causou embaraços. A tordilha treinada por Christiano Oliveira queria ir para cima das rivais. Mas, para obedecer a tática de corrida, M. Gonçalves acabou subindo com ela nas patas de algumas concorrentes, na primeira parte do percurso. Na reta final, por vir de longe, teve o seu caminho obstruído, nos 400 metros finais. Porém, o seu padrão de corrida, e a sua aceleração, são tão superiores, que ela abriu espaço para sua atropelada no peito e na raça. Com a maturidade da sequência de corridas deve ficar mais mansa.

GÁVEA

PERSONAGEM – Luís Esteves, mais uma vez, deve ser considerado o personagem da semana. Responsável pelo preparo de vários produtos da nova geração, de potros e potrancas, de propriedade de importantes proprietários, ele sempre ressaltou a qualidade de Jackson Pollock. Na derrota sofrida na atuação anterior, depois do páreo, estava inconformado com os prejuízos causados ao seu pupilo. A cada semana, a cada taça que vai receber no pódio, ele demonstra confiança nas inscrições e arrojo no treinamento. Os animais, por ele preparados, no galope de apresentação demonstram estar no último furo. Fruto de exercícios fortes, galopes puxados e o preparo atlético evidente.

Parece difícil imaginar, um dos seus pensionistas, perder uma prova por que faltou uma corrida de aguerrimento. Os seus cavalos entram na raia marchando, feito soldados, preparados e condicionados para combater numa guerra. Algo parecido com o treinamento dos argentinos e chilenos. Lá, os cavalos muitas vezes aprontam na véspera da corrida. E os aprontos são sempre fortes. Me lembro de uma vez, no Chile, durante a disputa do Latino–americano, em que Patio de Naranjos derrotou El Sembrador, fiquei impressionado com uma égua peruana, inscrita na prova. Ela aprontou 46s, nos 800 metros. No dia da corrida, fez forfait. Perguntei ao João Carlos Castilho, irmão do Álvaro Castilho, e radicado por lá há muitos anos, se aquilo não tinha sido um exagero. Ele sorriu e respondeu. "Aqui é assim meu caro. Em provas de alto nível, os caras preparam os cavalos para matar ou morrer. Se fracassar por que passou do ponto, todo mundo acha normal. Mas perder um páreo importante por que aliviou no treino e o cavalo não atuou no auge é considerado vergonha", explicou.

PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO – If Looks Like foi apresentada em forma exuberante por Christiano Oliveira. Parecia um quadro a óleo, no cânter de apresentação.  O jovem treinador amadurece a cada temporada, e, apesar da responsabilidade de treinar para coudelaria consagrada e importante, não demonstra qualquer tipo de insegurança. Mantém boa média de aproveitamento de suas inscrições, algumas bem audaciosas, como na semana passada, num clássico de velocidade, em que correu uma potranca contra as mais velhas e levou a melhor.

JOQUEADA DA SEMANA – Eficiente e destemido. Estas duas palavras resumem as principais qualidades de Marcelo Gonçalves, sem dúvida, num grande momento de sua carreira. Eficiente, por que confia plenamente nas suas qualidades, mas reconhece os seus limites. Por isso, jamais tenta fazer firulas no dorso de um cavalo. Prefere a simplicidade para correr. Destemido, por que tem coragem no percurso. Passa com os seus cavalos em espaços estreitos e monta animais baldosos e bravos. Razão pela qual é sempre requisitado por proprietários e treinadores, todos confiantes que ele dificilmente jogará uma barbada fora. Não se pode esperar dele joqueadas mirabolantes e geniais. Porém, no dorso de uma barbada, com era Jackson Pollock, ele não brinca em serviço e corre para o abraço. A sua suspenção de 30 dias, por indisciplina, aconteceu num péssimo momento. Faz parte do seu pacote. Por ser temperamental, tem dificuldade com a pressão do dia a dia, no meio turfístico.

VALDINEI VEM AÍ – O jóquei Valdinei Gil, recuperado da operação no joelho, com o ortopedista José Luís Runco, já voltou aos exercícios matinais, na Gávea, e, esta semana trabalhou alguns animais em Teresópolis, no Centro de Treinamento do Haras Santa Maria de Araras. O piloto me confirmou, ontem à noite, que pretende estar nas competições, na primeira semana de setembro. Acelerou as sessões de fisioterapia, não sente dores no local da cirurgia e espera estar no melhor da forma para montar na semana do Grande Prêmio Brasil, no dia 27 de setembro.

CIDADE JARDIM – O destaque da sabatina no hipódromo paulistano foi o Clássico Nelson de Almeida Prado, em 1.600 metros, na areia. Foi de tirar o fôlego o duelo entre Ouro da Serra e o tordilho Raf. Os dois animais vieram brigando, cabeça a cabeça, durante toda a reta final. Em cima do laço, Ouro da Serra, de propriedade de Márcia Guidorzi Buffalo, montado por Marcos Ribeiro, e treinado pelo experiente Vitório Fornassaro, livrou pequena vantagem. Um páreo espetacular! 

SIMULCASTING INTERNACIONAL – Foi uma semana de grandes atrações no Hipódromo de Saratoga, em Nova York. No sábado, o Saratoga Derby, em 1911 metros, na grama, com dotação de U$ 500 mil, foi conquistado por Domestic Spending, da Klaravich Stables, montado pelo fenômeno, Irad Ortiz Jr, e com preparo de fantástico treinador, Chad Brown.  Na tarde de domingo, a maior atração foi o Saratoga Oaks, em 1911 metros, na grama, com dotação de U$ 200 mil, com triunfo de Antonette, da Goldophin, montada por John Velasquez. 



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