A SEGUNDA ONDA DO TURFE COMEÇA EM AGOSTO
Os primeiros meses de atividade turfística no Brasil foram prejudicados de maneira significativa pelo Covid 19. Os dirigentes dos diferentes clubes hípicos fizeram as suas escolhas para enfrentar a pandemia. Em São Paulo, as corridas foram dadas no peito e na raça. No Rio de Janeiro, houve paralisação temporária e depois, de alguma hesitação, a decisão de também ir à luta. As demais entidades do país tiveram as suas posturas individuais. Porém, a verdade é que ninguém saiu ileso deste embate bastante desigual com a maior crise sanitária do século. A exemplo de toda a sociedade, a atividade turfística tem sido bastante castigada pelas circunstâncias. Agora é preciso torcer por uma melhora gradual e efetiva. Se isso acontecer, os ventos voltarão a soprar a favor.
Três das principais atrações do turfe nacional, os Grandes Prêmios Brasil, São Paulo e Paraná, foram adiados para novas datas. Em caso de portões abertos, epidemia sob controle e equilíbrio das finanças poderemos ter três belas festas. Por isso, devemos estar otimistas. Sem uma segunda onda de Corona Vírus, o turfe navegará em águas mais tranquilas impulsionado por estes três eventos tradicionais. No dia 27 de setembro teremos o Grande Prêmio Brasil. A preparatória para a prova central será disputada esta semana. O Jockey Club de São Paulo promoverá a sua prova mais tradicional em 24 de outubro. Ou seja, terá ainda mais tempo para se preparar. E o Grande Prêmio Paraná, no dia 6 de dezembro, marcará a inauguração da pista de grama no Hipódromo do Tarumã. Sem dúvida, um gol de placa.
GÁVEA
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO – Octane, potranca de criação e propriedade do Team Valor International, foi apresentada em forma exuberante por Venâncio Nahid e ganhou de ponta a ponta a Prova Especial Tirolesa, em 1.500 metros, na grama. Wesley Silva Cardoso esteve perfeito em seu dorso. Octane estava uma pintura no galope de apresentação e confirmou o seu magnifico estado atlético na pista. Parece estar em fase de franca evolução. Venâncio Nahid é craque!
JOQUEDA DA SEMANA – Wilkley Xavier estava inspirado no dorso de Olympic Kremlin, de criação e propriedade do Haras Regina, e bem preparado por Roberto Solanês. Deixou o seu conduzido ficar na última colocação, junto à cerca interna, na primeira parte do percurso. Depois se aproximou aos poucos. Ao perceber que o seu pilotado sobrava nas patas dos rivais, não pensou duas vezes e o arrancou por fora. Nos 400 metros finais, com sua expressiva aceleração, já era possível prever o seu triunfo na Prova Especial Alcides Morales.
PERSONAGEM – Venâncio Nahid teve semana bastante proveitosa. Além da soberba apresentação de Octane na prova clássica, trouxe outros dois pensionistas em forma física invejável. Poker Fechado, do Stud Ni Wanango, confirmou o favoritismo e apesar de bastante manhoso e dar muito trabalho a Waldomiro Blandi, obteve triunfo escamado nos metros finais. Pavarotti, do Stud Lo–Ve, do Helinho Magro, reapareceu em estado atlético esfuziante. Largou frio, na penúltima posição, e 150 metros depois já tomou a ponta e acabou com o páreo. Vai repetir na próxima.
CIDADE JARDIM – Ulrich Ralph, do Stud K&Q, bem conduzido por Carlos Lavor e com apresentação impecável de Luiz Roberto Feltran, ganhou a Prova Especial Câmara Municipal, disputada no sábado, em Cidade Jardim. Trata–se de um especialista no tiro curto, que promete dar bastante alegria nas provas de velocidade. Vale ressaltar também, a boa direção de Muriel Silva Machado, na quinta prova, no dorso de The Strip, do Stud Seab, e preparo de G.J. Santos. Atropelada fulminante. MGA de R$ 411.315,96 pode ser considerado apenas razoável.
TARUMÃ – O duelo entre Najar do Iguassú, do Haras Rio Iguassú e Barry More Court, do Haras Cima, no Clássico ABCPCC, em 1.400 metros, na areia, pode ser considerado o ponto alto da reunião paranaense. Pequena vantagem para o primeiro, numa carreira emocionante. O MGA fraco, de apenas R$ 168.317,24, não condiz com a boa qualidade do espetáculo. Bons cavalos, treinadores e jóqueis. Mereciam mais carinho e incentivo dos turfistas. O Hipódromo do Tarumã, muito bonito, está se ajeitando cada vez mais. E, até dezembro, com a inauguração da pista de grama, o competente turfe do Paraná vai arrebentar. Podem me cobrar.
HARAS FRONTEIRA – Ontem à tarde, no triunfo de La Plata, do Stud Best Friends, e criação do Haras Fronteira, lembrei–me com emoção do saudoso e querido turfista Mário Moglia, o "Mariozinho", como era chamado por todos. Ao ver o seu filho, Mano Moglia, na foto da vitória, imaginei a alegria e o orgulho do Mariozinho, lá do céu, vendo que o seu filho deu continuidade à sua paixão. Estive pela última vez com Mariozinho, na década de 90, numa excursão de proprietários a Bagé. Naquela oportunidade estavam Gonçalo Torrealba, do Stud TNT, Antônio Joaquim Peixoto de Castro, o Totão, entre outros. Mariozinho Moglia ficava eufórico ao receber os amigos. Alegre, extrovertido e carinhoso, ele não conseguia esconder o seu amor pelos puros–sangues, um bom churrasco e a criação.
Na próxima quinta–feira, o Haras Fronteira apresentará 13 potros, além de mais dois, de sociedade como Stud Embalagem, no leilão de potros, às 21h. Conversei com o Serginho, do Stud Best Friends, e ele teceu grandes elogios a qualidade dos animais, segundo ele, uma geração, fisicamente, muito bem–dotada. "Eu dou o meu aval a quem decidir investir. Os caras do Fronteira trabalham muito bem por lá. O veterinário do haras, Alex Bernardo Meneses, é profissional dos mais competentes, e todo o resto da turma de lá, também. Não vou citar todos, por que posso esquecer de alguém. Eu sou suspeito para falar, por que sempre tiro bons animais de criação do Haras Fronteira. Este ano, por exemplo, dois potros de minha propriedade estrearam ganhando, Playa Los Ingleses, segundo colocado em grupo II, e Money Belt", elogiou. O leilão de quinta terá também 10 produtos do Haras Anderson, 12 do Stud Eternamente Rio, um do Stud Eternamente Rio/Niju, três do São José do Bom Retiro, quatro do Estrela Nova, quatro do Ferragus, um do Cruz de Pedra/Embalagem.
ARGENTINA – O Hipódromo de Tucumã foi o primeiro a dar corridas no turfe argentino. Conversando, por telefone, ontem à tarde com Jorge Ricardo, ele se mostrou otimista com a possibilidade da liberação das corridas nos hipódromos de San Isidro, Palermo e La Plata, a partir da segunda quinzena de agosto. Ricardinho explicou que não veio ao Brasil montar neste período de pandemia, devido ao rigor das regras de prevenção do governo argentino, que exigia quarentena de 14 dias, na volta de cada viagem, que ele fizesse para fora do país para montar.
EDGAR PRADO – Oitavo colocado do ranking mundial de vitórias, em todos os tempos, o jóquei Edgar Prado, que soma 7.366 triunfos em sua carreira, obteve triunfo, na corrida de domingo, em Gulfstream Park. O consagrado piloto levou a melhor no sexto páreo, no dorso de Adios. Edgar Prado depende de 30 vitórias para igualar o sétimo ganhador do mundo, David Gal, já aposentado.
V. GIL – A cirurgia no joelho, para a retirada de sete pinos e uma placa de ferro, feita pelo ortopedista José Luís Runco, foi um sucesso. Valdinei Gil já começou a fisioterapia, na esperança de se recuperar a tempo de montar o Grande Prêmio Brasil. O popular "Dragão", admite que não será fácil. Porém, se sente muito feliz de ter ficado livre das dores, que o dificultavam demais para exercer a profissão.
SARATOGA – Mais uma vez o porto–riquenho Irad Ortiz Jr deu show nas corridas de Saratoga, em Nova York. Na quinta–feira ganhou cinco, em nove páreos disputados no hipódromo norte–americano. E, no sábado, no nono páreo, no dorso de Turbo Drive, da Tree Diamonds Farm, e treinamento de Micheal Maker, rateio de 16 por 1, ele deu uma joqueada antológica. Convido os turfistas a assistirem o replay. Não dá para descrever. É inacreditável. Coisa de gênio.
