PRESENÇA QUERIDA E NOSTÁLGICA DE TOTÃO NO PÓDIO
Domingo à tarde, no Hipódromo da Gávea, durante a premiação no pódio, depois da realização do Grande Prêmio Luiz Fernando Cirne Lima, o presidente do Jockey Club Brasileiro, Luiz Alfredo Taunay, chamou Antônio Joaquim Pexoto de Castro, eternizado com o apelido de Totão, para entregar as taças aos vencedores. Para mim, e acredito que para muitos turfistas, foi um momento de grande emoção. Há muito tempo, Totão não dava as caras no hipódromo. E quanta falta ele faz. Logo ele, titular da tradicional Fazenda Mondesir, campo de criação que ajudou a escrever algumas das mais belas histórias do turfe nacional através dos seus puros–sangues criados em Bagé, no Rio Grande do Sul.
Por alguns breves minutos passou um filme na minha cabeça. O filme dos tempos gloriosos nas pistas da Fazenda Mondesir. Totão enalteceu com toda propriedade o patrono da prova, Luiz Fernando Cirne Lima, e entregou aos vencedores os seus respectivos prêmios, com aquela bela e inconfundível voz grave, de locutor de telejornal. Totão é pessoa para lá de especial. Teve sempre aquela magnífica atitude produtiva em relação a sua vida familiar, profissional e turfística. E para quem privou de inesquecíveis momentos ao seu lado, como foi o meu caso, jamais pode esquecer dele. Foram andanças por quase todos os hipódromos da América do Sul, além de memorável viagem a Paris para presenciar a atuação de Much Better, do Stud TNT, no Arco do Triunfo de 1994.
Totão é um indivíduo simpático e carismático, qualidades comuns nas criaturas especiais. Aquele tipo de sujeito que une os amigos e reaproxima os que se desentenderam. Irreverente, bonachão e encantador, ele apara qualquer tipo de aresta que possa estar impedindo o entendimento. Um dos seus maiores prazeres sempre foi reunir os seus amigos em Bagé, na Fazenda Mondesir, para ver os potros, fazer um churrasco, tomar um banho de piscina, tudo regado com generoso teor alcoólico. O ambiente onde ele se faz presente tem atmosfera leve, humor irónico, conversa descontraída e temática inteligente.
Emotivo, simples e solidário, Totão sempre consegue irradiar para os seus parceiros de convivência a alegria de viver, e também de saber viver. Os meus primeiros passos no turfe coincidiram com alguns extraordinários corredores de sua linda farda, branca, mangas azuis e boné encarnado, como Janus II, Sunset, Apollon, Bretagne e Cisplatine, entre tantos outros campeões. Sem demagogia, eu poderia escrever uma crônica sobre cada um deles, e dos momentos maravilhosos que proporcionaram aos turfistas brasileiros conduzidos por Gonçalino Feijó de Almeida, o lendário Goncinha. Um freio de excepcional qualidade. Apadrinhado desde os primeiros passos pelo olho clínico de Antônio Joaquim, o querido Totão.
Alguns anos depois, ele repetiria a fórmula de sucesso com Jorge Leme e Acedenir Gulart, contratados por ele, ainda recém–saídos das fraldas, na escolinha de aprendizes da Gávea. E o resultado de ambos, com a gloriosa farda da família Peixoto de Castro, também foi bastante satisfatório. Me comoveu rever o Totão, sempre intuitivo, observador e fraterno, no alto do pódio, no último domingo, onde esteve centenas de vezes para receber as taças conquistadas por seus puros–sangues. Foi um momento bastante nostálgico. Para a nova geração de turfistas tratava–se apenas de um senhor distinto, simpático e com uma voz estrondosa. Para mim, tão próximo dos 60 anos, estava diante de uma lenda do turfe. Esporte que tanto amo. Um homem admirável que nos reportou, por alguns raros segundos, para tempos gloriosos. Tardes ensolaradas de domingo, com céu azul e grama leve no prado carioca. Dias extraordinários. Infelizmente, estes dias agora fazem parte de um tempo passado. E, ao que parece, pelo andar da carruagem, eles não voltarão mais.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
A potranca Ray Grass, defensora da bela e tradicional farda do Stud Best Friends, foi apresentada em forma exuberante por Ildefonso Coelho Souza, no domingo à tarde. A alazã, filha de Cisne Branco, de criação do Haras Fronteira, apesar de ter tido percurso um tanto embaraçado, teve aceleração suficiente para alcançar o triunfo. Boa fase da coudelaria, com investimentos bastante inteligentes e ousados.
JOQUEADA DA SEMANA
Valdinei Gil, o popular “Dragão”, esteve impecável no dorso de Fire In The Straw, do Stud Embalagem. Correu a pensionista de Daniel Lopes no fundo do lote, muito tranquilo, se aproximou de forma gradativa, e fez partida bem curta, depois dos 400 metros finais. Passou com bela aceleração sobre as adversárias numa joqueada espetacular, de um piloto de alto nível técnico.
