O expressivo e surpreendente movimento de apostas do simulcasting entre o Hipódromo da Gávea e do Tarumã, R$ 677.675,69, no Rio, e R$ 430.567,27, em Curitiba, num total de R$ 1.108.242,96, ontem à tarde, dia da realização do Grande Prêmio Paraná, deixou evidente o erro estratégico da mudança de sexta para a terça–feira da quarta reunião semanal carioca. A ideia de acabar com a deficitária reunião de sexta foi iniciativa correta e demorou até demais. Afinal é um dia ruim no trânsito da cidade. E os engarrafamentos impedem a chegada dos turfistas aos agentes credenciados e ao próprio hipódromo. Porém desperdiçar a oportunidade de faturar com o simulcasting com os paranaenses é inexplicável em tempos de crise.
A terça–feira é um dia insípido, sem tradição de corridas no Rio de Janeiro. A formação sistemática de apenas 34 a 36 páreos semanais não justifica a realização desta corrida. Existem duas opções melhores. A primeira seria promover apenas três reuniões no sábado, domingo e segunda–feira, com 11 ou 12 páreos por dia, e utilizar o mesmo número de provas. A segunda alternativa, e a melhor delas, dividir em quatro dias, como acontece agora, porém com estes oito ou nove páreos na quinta. O movimento de apostas ficaria reforçado pelo simulcasting com o Paraná. Mudar a corrida de sexta para terça foi a mesma coisa que trocar seis por meia dúzia. O deslocamento desta corrida para quinta–feira, além permitir um intervalo de 24 horas para o turfista respirar, beneficiaria aos treinadores e jóqueis, que normalmente têm compromissos de trabalhos matinais na serra as terças.
Alguns pilotos precisam ir até os centros de treinamento de madrugada para exercitar os cavalos e voltar ao Rio para montar. A maioria dos treinadores com puros–sangues alojados por lá prefere antecipar os aprontos dos cavalos inscritos devido ao desgaste da viagem. A corrida de terça atrapalha esta dinâmica. Esta corrida de amanhã à noite, com largada do primeiro páreo, às 18h, e encerramento, às 20h55m, não faz o menor sentido. Nem no aspecto econômico e nem no logístico. Mobilizar toda esta parafernália dos diversos setores do prado carioca necessários para promover o evento, gastar dinheiro com a iluminação da pista e pagar o pessoal escalado e etc. pode ser considerado um tiro no pé.
A programação semanal ter início às quintas–feiras, como aconteceu por longos anos, é uma tremenda barbada de cocheira. Os paranaenses adoram apostar nas corridas cariocas. Os dois clubes hípicos faturariam sem ter de pagar prêmios. E esta reciprocidade seria útil para ambos. Não precisa esperar duas décadas para mudar. Isto aconteceu nos últimos 20 anos com a tal corrida “happy hour” de sexta, que algum gênio inventou. Basta fazer a experiência logo. Errar é humano. Persistir no erro nem tanto...
por Paulo Gama