O TOQUE DE CLASSE DE ÂNGELO MÁRCIO SOUZA
A semana turfística foi marcada pela joqueada espetacular do bridão Ângelo Márcio Souza, no dorso de New In Town, do Haras Regina, no Grande Prêmio João Borges Filho. Para se ter a dimensão exata da performance do piloto basta imaginar a exibição de um mágico de renome internacional, diante de plateia superlotada. Todos os olhares voltados para o grande artista. A tentativa geral é de flagrar o truque do mestre. Ninguém consegue. As mãos são rápidas demais. Os movimentos iludem até aos mais atentos. O passe de mágica acontece. Os fãs se entreolham espantados e, depois de um raro segundo, aplaudem eufóricos a fantástica ilusão de ótica capaz de enganar a multidão e leva–la ao delírio.
Ângelo Márcio Souza não estava de fraque e nem de cartola. Porém, no dorso de New In Town ele desfilou todo o seu talento. Um talento que já lhe proporcionou ter no currículo quase todas as provas clássicas importantes do turfe nacional. Largou bem e posicionou o seu conduzido por dentro, na frente de apenas dois competidores. Percebeu que o ritmo da prova era construído por um companheiro de cocheira, Moreno, do Stud Correas, embora de outra farda. O titular do Haras Regina, Olympic Game Boy, corria na terceira colocação. Souza então esperou o máximo que pode a definição dos jóqueis rivais a sua frente.
Depois de fazer a curva por dentro, como manda a cartilha do todo grande jóquei na raia de grama, tratou de se fingir de morto como de hábito. Nos 400 metros finais, ao perceber a brecha, e com mais ação, lançou o seu conduzido por dentro do companheiro de farda, que jamais poderia obstruir o caminho. O outro rival, Moreno, do Stud Correias, também não teria forças para sair da cerca, depois de fazer o ritmo da prova. Tudo muito simples, intuitivo, e estrategicamente planejado em fração de segundos. O comentarista André Rodrigues, encantado com a joqueada, disse na televisão que A. M. Souza o fez lembrar Alex Mota. Eu confesso que na minha cabeça veio logo a imagem de Juvenal Machado da Silva. Enfim, dois monstros sagrados. Parabéns ao excepcional treinador, Roberto Solanês, que colocou os seus três pensionistas na pedra, numa demonstração inequívoca de competência.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Pela segunda semana consecutiva o treinador José Ferreira dos Reis, o popular Reizinho, reaparece com sucesso um dos seus pensionistas. Desta vez foi Super Rapha, da Coudelaria Família Monteiro. O castanho filho de Put It Back reapareceu com mais 16 quilos, ou seja, no peso da sua primeira vitória e atropelou para obter expressiva vitória. No auge da maturidade e com resultado digno de nota, Reizinho merece o bis desta coluna pela bela fase profissional que atravessa. Boa direção de Alexandre Correia, popularizado no prado como “Tampinha”.
JOQUEADA DA SEMANA
Assim como Evandro de Castro Lima e Clovis Bornay eram considerados “Hors Con Cours “nos desfiles de fantasia de carnaval vamos considerar a joqueada de Ângelo Márcio Souza neste patamar. Nas boas direções dadas no mundo real gostaria de destacar o cada vez mais líder Leandro Henrique. Em dois atos, ambos na segunda–feira. No dorso de Lô de Lorenzo, do Stud Casablanca, colocou o pensionista de Leopoldo Cury no colo e trouxe até o disco. E na última prova, com Vontade de Matar, do Stud Ponta Cayana, e preparo de Cristina Resende, fez justiça ao próprio nome do animal e alcançou sua namorada, Victoria Mota em cima do disco, sem dó nem piedade, no dorso do cavalo do coração da menina.
CERCA MÓVEL
Durante o período de estiagem e com a medida do penetrômetro muito baixa os dirigentes do Jockey Club Brasileiro deveriam estudar a possibilidade de diminuir um pouco a distância da cerca móvel. Em alguns páreos nesta semana, a posição da cerca, nove metros, favoreceu visivelmente alguns puros–sangues velozes e atrapalharam os atropeladores que custam muito a encostar. Se os jóqueis tiram os seus cavalos do ritmo natural para acompanhar o páreo mais perto logo comprometem a sua aceleração final.
