A aprendiz de joqueta, Victoria Mota, carinhosamente chamada de “Borboletinha”, no meio turfístico, é o grande desfalque da semana carioca. O apelido tem origem no fato dela ser filha do craque das rédeas, Alex Mota, um dos melhores jóqueis do país. Carismática, alegre, e, acima de tudo competente, Victória trouxe charme e leveza para o hipódromo carioca, com seu encanto pessoal. A Borboletinha cativa as crianças, que disputam espaço nas fotos após as suas vitórias. Em sua página, no Face book, recorde de fotos curtidas nas suas 25 vitórias conquistadas, em apenas um mês de carreira profissional.
Victoria foi suspensa devido a desclassificação do cavalo Kanti, do Stud Boa Ideia, que se atirou de encontro ao adversário nos momentos decisivos da carreira. Nada a reclamar. Aliás, a atitude da menina é sempre positiva. Não reclama dos colegas mais experientes. Nem mesmo dos chegas para lá, que recebe na raia. Leva tudo na esportiva. Inteligente, ela tem plena consciência do fato que vencer tantos páreos, num mundo dominado pelo machismo, desagrado os marmanjos. E, algumas vezes, até certas mulheres. Sobretudo aquelas que se sentem sem forças para superar o preconceito reinante no meio turfístico.
De uma coisa todos podem ter certeza. Victoria veio para ficar. É questão de tempo, os mais resistentes se renderem ao seu talento e determinação. Durante as corridas deste final de semana todos poderão perceber a falta que ela vai fazer. As crianças não terão tantos motivos para sorrir e correr em disparada em busca das fotos ao seu lado. Aquele sorriso radiante no galope de apresentação estará ausente. Este sorriso tem iluminado o ambiente sisudo do turfe carioca nas última semanas. O público da terceira idade, a maioria absoluta do prado, também baba com a espontaneidade e a irreverência da Borboletinha.
Se por um lado, Victoria tem infernizado a vida dos seus colegas de profissão com a sua técnica, garra e a descarga de quatro quilos. De outro, ninguém mais pode negar que o turfe carioca ficou bem mais reluzente e agradável com sua presença nas pistas. Portanto, vamos deixar Victoria voar. Liberdade para a borboleta!
por Paulo Gama