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Junho | 2016

O inesquecível Itajara, por Julio Ponte
29/06/2016 - 09h12min

Ontem completaram–se 29 anos que nosso eterno craque Itajara era tríplice–coroado! Para celebrar esta data vamos fazer aqui uma pequena retrospectiva da campanha deste que para mim e para muitos foi o maior de todos!

Nascido em 31 de outubro de 1983, Itajara era filho do francês Felício e da nacional Apple Honey. A campanha do Felício foi basicamente feita na França e Inglaterra entre 68 e 69. Abaixo listo suas principais atuações:  

1969 – 1°, Gr1, GRAND PRIX DE SAINT CLOUD – FR

1969 – 4°, Gr1, KING GEORGE VI AND QUEEN ELIZABETH STAKES – GB 

1969 – 1°, Gr2, PRIX JEAN DE CHAUDENAY – FR 

1969 – 2°, Gr3, PRIX HENRI FOY – FR 

1968 – 2°, Gr1, KING GEORGE VI AND QUEEN ELIZABETH STAKES – GB 

1968 – 2°, Gr1, PRIX LUPIN – FR 

1968 – 2°, Gr3, PRIX FONTAINEBLEAU – FR 

1968 – 2°, Gr3, PRIX DE CHANTILLY – FR

Já a mãe Apple Honey teve sua campanha toda no Hipódromo da Gávea entre 78 e 79, com 11 saídas e 5 vitórias e 6 colocações, com destaque para a vitória no GP Diana G1. Abaixo listo suas principais atuações: 

1979 – 1°, Gr1, GRANDE PREMIO DIANA 

1979 – 3°, Gr1, GRANDE PREMIO HENRIQUE POSSOLO 

1979 – 3°, Gr2, GRANDE PREMIO MARCIANO DE AGUIAR MOREIRA  

1978 – 2°, Gr2, GRANDE PREMIO FRANCISCO VILELLA DE PAULA MACHADO 

1978 – 2°, Lr, GRANDE PREMIO MANOEL MENDES CAMPOS 

O jóquei titular do Haras São José e Expedictus na época era o J.Pessanha. Mas na época da estréia do craque Itajara, por causa de uma fratura no fêmur, o mesmo não pode montá–lo, e a montaria “caiu no colo” do J.F.Reis. Mesmo depois da recuperação do Pessanha, a família Paula Machado decidiu manter o Reisinho como jóquei. O treinador do craque era Francisco Saraiva.

Em sua estréia no dia 19/10/1986 numa raia pesadíssima em um oitavo páreo em 1.100m, mesmo largando um pouco frio, Itajara na entrada da curva já emparelhava com o ponteiro. Ao entrar na reta pelo meio de raia venceu muito fácil sem ser exigido, marcando o tempo de 66s e 1/5. Assista AQUI.

Na atuação seguinte dia 23/11/1986 em um segundo páreo em 1300m na areia, novamente o craque não largou muito bem e na entrada da curva era apenas o terceiro colocado. No fim da grande curva novamente entrando a reta pelo meio de raia, o craque já entrava dominando fácil o páreo sem levar uma chicotada. Fugiu para o espelho para vencer por 6 corpos devolvendo o capital e assinalando 79s4/5 para a distância. Eu já sentindo que estava ali diante de um craque, guardei esse programa oficial. Assista AQUI a corrida.

Na terceira corrida em 13/12/1986, num páreo em 1.600m na areia que homenageava os 80 anos do Haras São José e Expedictus,  já enfrentando animais mais categorizados, Itajara largou ligeiro, aceitando briga na frente com Maraco, arenático voluntarioso da época. Na entrada da reta junto a cerca interna após “quebrar” o Maraco, Itajara foi alertado apenas 3 vezes para vencer fácil por 4 corpos e ¾ mais uma vez devolvendo o capital no tempo de 97s2/5. Segundo colocado foi Eddy–Wind com J.Ricardo “up”. Assista AQUI.  

A quarta corrida foi o Grande Prêmio Estado do Rio de Janeiro – primeira prova da Tríplice–Coroa – e marcava a estréia do craque em pista de grama. Realizada em 22/02/1987 na milha, a prova reunia bons milheiros da época como Casmurro, Rimmel, For Merit além de mais 6 adversários.  O craque Itajara voltou a largar “frio”. Casmurro do Haras Santa Ana do Rio Grande pulou ligeiro tirando 2 corpos na frente. Na entrada da curva Itajara já passava para segundo indo dar caça ao ponteiro. Ao entrar a reta, Itajara de golpe dominou Casmurro, e quando parecia que iríamos ver mais uma vitória esmagadora, surgiu For Merit por fora. Talvez tenham sido as duas únicas chicotadas que o craque precisou tomar durante toda sua campanha. Correspondendo, o craque aparou a atropelada do adversário vencendo por 1 corpo e ¾ rateando 1,30. Para compensar as chicotadas, o recorde da distância na época foi quebrado: 93s2/5. Assista AQUI.

Em 05/04/1987 nosso craque subia para os 2.000m para tentar a vitória no GP Francisco Eduardo de Paula Machado – Taça de Ouro de Potros – enfrentando mais 6 adversários. Após boa largada, Itajara tomou a ponta, mas ao entrar na reta oposta foi dominado pelo For Merit, que tentaria surpreender o craque correndo de maneira diferente da corrida anterior. As posições não se alteraram até a entrada da reta, quando Itajara “sem luta” dominou o ponteiro e fugiu vários corpos marcando o tempo de 122s3/5 na grama pesada. For Merit formou a dupla de novo mas agora a vários corpos, mostrando que a milha era sua distância. Assista AQUI.

Em 31/05/1987 no Grande Prêmio Cruzeiro do Sul, já com a fama de super–craque, Itajara enfrentava mais 12 adversários. O hipódromo estava lotado, e muitas pessoas que não eram turfistas estavam lá em virtude das notícias que circulavam em jornais e TV sobre as vitórias do craque, já que na época o turfe ainda ocupava um bom lugar nestes veículos de informação, diferente do dias de hoje.  Largando baliza 11, o craque viu Tiago com Albenzio Barroso “up” ir para a frente, e se posicionou na segunda colocação. Na altura do final da reta oposta, aconteceu aquela famosa frase que o Barroso disse para o Reizinho ao ver o Itajara ao seu lado com a boca aberta querendo rédeas: "Passa que eu quero não quero brigar”. E na hora que Itajara tomou a ponta e saiu tirando na curva, começou uma gritaria que eu nunca mais ouvi na Gávea. Todos presentes começaram a vibrar! Vibração esta que só parou depois de cruzar o disco. Simplesmente inesquecível! Só quem estava lá sabe o que eu estou falando. A vitória foi por 16 corpos e meio e o tempo de 147s3/5 na raia pesada. Sem dúvida esta foi a vitória mais marcante da campanha do craque. A atitude do mestre Albênzio Barroso foi compensada, já que Tiago conseguiu se segurar na segunda colocação. No dia seguinte Itajara dividia as manchetes dos principais jornais com a Seleção Brasileira de futebol, Aírton Senna, Nelson Piquet e Mike Tyson.  Assista AQUI.

Na última etapa da coroa, os 3.000m do GP Jockey Club Brasileiro realizado em 28/06/1987, exatamente há 29 anos atrás, os proprietários rivais não se arriscaram e apenas 3 animais foram inscritos para enfrentar o craque, sendo que Conchavo ainda fez forfait depois de inscrito. Entrando na raia contra apenas Condicional (Juvelal “up”) e Chalais (Ricardinho “up”), Itajara entrou na raia apenas para cumprir tabela, e na narração do saudoso Oscar Vareda vimos o craque abrir um “boqueirão” na reta final e se sagrar tríplice–coroado. Mais um momento inesquecível com o prado lotado que dificilmente iremos ver novamente no Hipódromo da Gávea. Mas após ovacionado pelo público rapidamente uma notícia preocupante se espalhou pelo jockey: o craque havia tido um contratempo grave no tendão do dianteiro esquerdo. Alguns dias depois de constatada a grave lesão a família Paula Machado anunciou a “aposentadoria” do craque. Assista AQUI.

No dia do Grande Prêmio Brasil de 1987 vencido por Bowling, um galope de despedida do craque comoveu a todos que estiveram presentes. Assista AQUI

O primeiro filho de Itajara nasceu em 06/08/1988. A mãe era Bella Sola e seu nome Jolitajara. O filho do craque correu 21 vezes no Rio e no Cristal e conseguiu 12 vitórias e 5 colocações. Seu melhor filho foi sem dúvida Siphon, nascido em 1991, que depois de sair do Brasil invicto em 4 apresentações cumpriu destacada campanha nos EUA. 

Infelizmente o craque foi vítima de uma doença comum e quase sempre fatal entre os puros sangues: a ataxia locomotora, mais conhecida como “bambeira”, onde o animal perde a firmeza, fica trôpego de trás e não consegue se levantar. 

Sabemos que comparações entre animais de épocas diferentes são coisas difíceis de fazer. Muitos dizem que Itajara não enfrentou os mais velhos, e que sua geração era fraca. Mas tenho a certeza de que quem presenciou como eu, pelo menos as duas últimas atuações do craque massacrando os rivais, não terá medo nenhum de afirmar o que sempre afirmei: Itajara foi o melhor cavalo que já passou em nossas pistas! 

por Julio Ponte


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