CRÔNICA DA GÁVEA
NEM CHORO, NEM VELA,
NEM FITA AMARELA !!!
Noel Rosa, o famoso compositor brasileiro de Vila Isabel, compôs há muitos anos um samba que ficou para sempre, cuja letra se não nos falha a memória, era assim:
?Quando eu morrer, não quero choro nem vela,
Quero uma fita amarela...?
Nós turfistas, e eu me incluo porque acompanho o turfe desde 1950, tivemos a satisfação de saber que o sr. Luiz Alfredo Taunay não irá concorrer às eleições que se aproximam, o que sem sombra de dúvida é um fator bem mais favorável para o candidato da oposição Claudio Ramos, pessoa que representa as aspirações de quem deseja um turfe progressista e de boa qualidade.
Em conversa com alguns treinadores do turfe carioca, sente–se que os mesmos ?levam fé? na candidatura desse autêntico turfista que é Claudio Ramos, cujas promessas, devem mudar para melhor a situação da entidade carioca, o que, sem dúvida, já é uma esperança para muitos profissionais e turfistas, entre os quais, proprietários de cavalos, treinadores e mesmo jóqueis, pois que a melhoria é esperança de todos e especialmente de quem vive desse nobre esporte.
Contudo, mesmo com a desistência do atual presidente e a indicação de seu substituto, a corrida para o primeiro posto do turfe do Rio de Janeiro não será fácil, isto porque, não é só o pessoal que possui cavalos de corridas que vai às urnas. Há na sociedade turfística do Rio de Janeiro, uma gama de sócios que não freqüentam a Gávea, que não possuem cavalos, mas desfrutam das mordomias do clube e isso eles não querem perder jamais.
É do conhecimento público, que a sede da entidade turfística tem um grande número de sócios que pouco, ou nada, estão ligando para a principal fonte de receita do clube, que são as corridas, com as apostas, da qual o clube retira 40% (em média), suprindo assim a insignificante renda que lhe é proporcionada por esses sócios, que não estão vinculados às corridas e que só querem usufruir das vantagens da condição de sócio.
A nosso ver, se houver uma possibilidade de desvincular uma da outra, ou seja, a renda das corridas seria exclusivamente para a entidade investir no setor de corridas, na Gávea, e a renda dos sócios da cidade ser aplicada apenas nas necessidades das demais sedes, por certo, teríamos como equação, a melhoria de prêmios, a melhor atenção na manutenção das raias (a rima não foi intencional), em resumo, a nosso sentir, a possibilidade de uma evolução muito melhor para o setor das corridas propriamente dito.
Sustento essa tese porque, cada vez mais, está ficando difícil para os pequenos proprietários manter seus cavalos. E, se fizermos um levantamento estatístico, veremos que os programas das corridas, são organizados em sua grande maioria, com os cavalos dos pequenos proprietários. De um modo geral o trato é de R$ 1.000,00 por cavalo. Há treinadores que cobram menos, mas duvido que tenham um resultado positivo a ponto de equilibrar receita e despesa do proprietário do cavalo. E em decorrência desse fato, surgem as variantes. Será que o cavalo é bem alimentado? Será que tem boa cama para dormir, porque um animal descansado tem outro desempenho?
Dizia o saudoso Barão de Itararé em seu jornal (O Malho), que ?a economia é a base da porcaria.? Esse ditado não está longe da realidade, isto porque, um amigo meu, que tinha cavalos com um treinador que lhe cobrava apenas R$ 700,00 por animal sob seus cuidados, durante um período de seis meses, com oito cavalos, não ganhou uma corrida sequer. Enquanto isso, um outro amigo, com um outro treinador que lhe cobra o trato na base de mil reais, não passa um mês sem ganhar corridas, cuidando apenas de quatro animais. No fundo, no fundo, qual o mais lucrativo?
Mas, como se diz na linguagem popular, ?Voltando a vaca fria?, muita gente vai cantar de alegria com o adeus do atual presidente e titular do Stud Grenoble, sr. Luiz Alfredo Taunay, mas ele não repetirá o refrão de Noel, porque, na realidade, os turfistas de um modo geral, consideram que S.S. ?já vai tarde...?.
Como não sou sócio do Jockey Club Brasileiro, não tenho direito a voto, mas, constitucionalmente, tenho direito inexorável de opinião, e por isso, digo aos meus amigos e leitores, especialmente àqueles que são sócios, que estou com Claudio Ramos e não abro. E mais, quem quiser ter a oportunidade de ver a melhoria do turfe, que se filie a chapa de Claudio Ramos, porque esse é realmente um turfista, conhece o ramo e, a priori, representa a salvação do turfe carioca.
Por certo, os que almejam o progresso do turfe e a melhoria desse esporte, não irão jamais entoar a cantiga de Noel Rosa, porque S.S. Sr. Luiz Alfredo não vai deixar saudades.
por José Perelmiter
transcrito do Jornal do Turfe