O alagoano, Juvenal Machado da Silva, nascido em Delmiro Gouveia, e para muitos turfistas, o melhor jóquei brasileiro de todos os tempos, começou a escrever sua história de recordista de vitórias no Grande Prêmio Brasil há 37 anos. Parece que foi ontem. Mas, todo este tempo se passou daquela vitória épica, de ponta a ponta, com o veloz e resistente Aporé, dos Haras São José e Expedictus. Era apenas o primeiro ato da obra prima de cinco episódios vitoriosos do extraordinário piloto. Gabriel Meneses, jóquei oficial da família Paula Machado, preferiu montar Amazon, fácil ganhador do GP 16 de Julho. Deixou caminho livre para o rubro–negro Juvenal levantar a sua imensa legião de fãs e levar ao delírio as arquibancadas da Gávea.
Três anos depois, em 1982, mais uma vez de ponta a ponta, Juvenal chegaria ao bicampeonato da mais importante prova do turfe nacional com Gourmet, do Haras Ipiranga. Apesar de ser um animal em franca evolução e derrotado na fotografia na prova preparatória em Cidade Jardim para Clackson, recordista nacional da distância, Gourmet foi abandonado nas apostas. Juvenal se aproveitou da presença do favorito e craque argentino, New Dandy, exímio atropelador, para fazer um ritmo de corrida lento, de pique–pique, o que iludiu o piloto argentino e todos os demais. Outra grande festa nas tribunas dos fãs do jóquei mais popular do turfe carioca.
Em 1986, com Grimaldi, de Delmar Biazoli Martins, Juvenal chagaria ao tricampeonato. E foi uma direção antológica num duelo de tirar o fôlego com Jorge Ricardo, que havia assumido há quatro anos a liderança da estatística, anteriormente dominada por Juvenal, de 1976 a 1982. Talvez, os dois titânicos rivais tenham proporcionado os 200 metros finais de maior emoção da história da prova. Bowling, do Haras Santa Ana do Rio Grande, por fora, avançou para dominar a carreira montado por Jorge Ricardo. Dominado, Juvenal, no dorso de Grimaldi, a 50 metros do disco, apelou para o seu último recurso, a pegada firme de canhota. Grimaldi então reagiu milagrosamente, e trocou de mão. Alcançou Bowling e em cima do disco livrou pescoço de vantagem. Apoteose dos fãs de Juvenal nas tribunas.
Um ano depois, em 1987, Juvenal chegaria ao tetracampeonato com requintes de crueldade do destino. Jorge Ricardo decidiu barrar o tordilho Bowling um mês antes da prova para conduzir Bat Masterson. Juvenal ficou com o cavalo que havia derrotado no ano anterior. E, por estas apaixonantes coincidências do destino, deu a merecida forra ao próprio Bowling. Bat Masterson correu pouco para frustração de Ricardinho. Foi mais uma reta final de arrepiar. Juvenal, depois de correr Bowling na última colocação, conseguiu alcançar o argentino Larabee, montado por Gonçalino Feijó de Almeida, o lendário Goncinha, nos metros finais.
Em 1990 haviam dois craques espetaculares no turfe brasileiro: Flying Finn, do Stud Numy, e Falcon Jet, do Haras Santa Ana do Rio Grande. Depois de duelar desde os primeiros clássicos da geração de dois anos, em agosto chegou o dia do maior duelo, no Grande Prêmio Brasil. Falcon Jet, com Jorge Ricardo e Flying Finn, com Juvenal. Mais uma vez a estrela de Juvenal estava de plantão. O alagoano conseguiu resistir, no dorso do “Lourinho”, como era chamado Flying Finn pelo saudoso Ernani Pires Ferreira, e derrotar por cabeça o temível Falcon Jet, que atropelou tarde. Juvenal chegou então ao incrível pentacampeonato do Grande Prêmio Brasil. A revanche entre os dois craques e os dois jóqueis aconteceria em 1992. O resultado foi diferente. Mas esta é uma outra história. Para ser contada mais adiante, na próxima semana. Antes do próximo Grande Prêmio Brasil, do dia 12 de junho de 2.016.
por Paulo Gama