(*) Garbosa Bruleur
Havia prometido que falaria de Nuvem nesta semana. Mas me deu saudade de Garbosa Bruleur e dela contarei o que sei e o que vi. Garbosa era uma alazã, tamanho médio, de formas maravilhosas, que estreou na Gávea logo nas primeiras eliminatórias de 800 metros. Filha de Tintoretto e Lolita, égua que também conheci, vinha de uma importação de éguas francesas feitas pelo Jockey Club. Aliás, éguas e cavalos, porque o mais caro do lote, Kelani, custou 71 conto de réis. Garbosa era Garbosa II, depois é que incluíram o Bruleur.
Montada pelo excelente Rigoni, Garbosa II atropelou forte, depois de correr em quarto e em terceiro, e ganhou fácil um páreo de 800 metros. Pelo que se viu, seria uma boa égua. Tão somente, mas não foi.
Garbosa foi craque. Craque mesmo. Para ela não havia cavalo. Derrotou, em muitas oportunidades, os machos que ousaram enfrentá–la. E seguiu invicta durante muito tempo, até perder para outro craque: Helíaco. Esperou um ano para se desforrar. Foi no São Paulo, em 3.000 metros que ela ganhou com autoridade, deixando o público paulista, geralmente frio, aos berros, torcendo por ela.
Mas até chegar a isso, ela derrotou parelhas fortes como Holkar e Hainan, Hulha–Hainan, uma geração do Haras São José, letra H, que era maravilhosa. Depois da primeira vitória, Garbosa só correu provas clássicas e ganhou seguidamente: Paul Maugé, Luiz Alves de Almeida, os grandes prêmios Henrique Possolo, Marciano de Aguiar Moreira, Francisco Villela de Paula Machado, Lineu de Paula Machado e Onze de Julho. Foi até São Paulo, onde ganhou, antes de disputar a melhor prova de lá, o Barão de Piragibe, o Governador do Estado e o Presidente do Jockey Club.
Tinha um fã clube dos maiores, e sua derrota para Helíaco foi recebida com muito choro. Na maioria das vezes era Rigoni quem a montava. Um dia, ganhou com Reduzino de Freitas. Correu até os 5 anos, quando foi levada para reprodução. Era de propriedade do Sr. Buarque de Macedo. Os que a conheceram guardaram ótimas recordações de sua forte atropelada. Garbosa só dominava os rivais pouco antes do atual totalizador. E era uma loucura!
Na reprodução, nossa craque levou uma canseira. Produziu, em oito anos consecutivos, ganhadores, alguns deles craques. Vou recordar: Nairosa Bruleur, Olinda Bruleur, Paulin, Lourinha (ex Quemi), Race Horse, Sísamo (ganhador de 12, três provas de Grupo e muitas colocações), Taunus, Garboleto, o melhor de seus filhos, ganhado do Derby paulista, do GP Consagração e do segundo Derby Sul–Americano (talvez para Emerson, Dr. Moacyr).
(*) Texto publicado originalmente na Revista JCB, na década de 1980, por Heitor de Lima e Silva, o Bolonha.
Apoio:
Stud Daltex
Stud Miss Kim
Stud Azul e Branco