Pelo turfe (*)
As diretorias dos principais hipódromos do Brasil, com Rio e São Paulo em primeiro plano, poderiam fazer um trabalho sério de esclarecimento aos deputados e senadores, e até aos vereadores, sobre o que realmente representa o turfe no Brasil. Uma importância tal qual a registrada em países estrangeiros como Estados Unidos, Inglaterra, frança, Nova Zelândia, Austrália, Japão e Argentina.
O político vive em função da demagogia e é sempre mais fácil fazer média com um pequeno grupo de eleitores – criando problemas e taxas para o turfe – do que procurar ajudar, pois isso não lhe renderá voto algum dos que desconhecem, como eles, a engrenagem do turfe. Preocupados com os movimentos de apostas, desconhecem que 30% já saem para taxas estaduais e federais. Estão sempre criando problemas na base da ignorância e da má–fé.
Aqui na Gávea os movimentos estão superando, em algumas oportunidades, os dois bilhões. Mas eles não sabem que, juntando todo o dinheiro dos que estão apostando nos cavalos, não chega nem à quarta parte do total. É o mesmo capital entrando e saindo várias vezes. Mas o pior é que as taxas retiradas são realmente do total de dois bilhões. Então, vocês já notam de saída como é complicado para eles entenderem o assunto.
Tivemos um presidente da República que gostava de cavalos, mas não soubemos aproveitar o fato. Imaginem se, um dia, o Jânio ou o Brizola chegar ao cargo maior de nosso Brasil: o que seria do turfe? Na melhor das hipóteses, iriam querer fazer um loteamento nos hipódromos, para impressionar o povo. Pura demagogia. O pior é que o terreno do Jockey Club de São Paulo está arrendado à prefeitura. E vocês já viram quem é o prefeito de lá...
Precisamos, ou melhor, nós não, mas os diretores das diversas sociedades de turfe do Brasil precisam gritar sem medo que temos direitos. O turfe não é uma batota. Eu grito e esperneio daqui desse meu cantinho. Enquanto deixarem...
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A Comissão de Corridas voltou atrás de uma punição dada ao Gilberto Lúcio. Sinal de progresso, porque em outras oportunidades outras comissões de corridas consideraram o perdão um sinal de fraqueza. Um perdão, uma retirada, às vezes, é sinal de vitória. Pena que, não aproveitando a onda, não perdoaram também o Guilhermo Ulloa. Aliás, talvez não seja adequado o termo “perdão”. Cancelar a penalidade, isso, sim.
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Agora até na raia leve está todo mundo indo para a cerca externa. Vamos acertar a pista, meus amigos. Logo, logo.
(*) Texto publicado originalmente na Revista JCB, na década de 1980, por Heitor de Lima e Silva, o Bolonha.
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