Se levarmos em consideração a pouca inspiração dos projetos de inscrições da Secretaria da Comissão de Corridas durante quase todo o ano hípico 2013/2014, temos de admitir um significativo progresso na programação divulgada para a semana do Grande Prêmio Brasil. Foram chamados 48 páreos, divididos em cinco reuniões, com oito provas na quinta–feira, nove na sexta–feira, dez no sábado, 11 no domingo e dez na segunda–feira. Alguns retoques técnicos e poderíamos ter chegado mais perto do ideal. Mas repito: diante do que foi feito anteriormente apareceu uma luz no fim do túnel em termos de chamada. Então, vale o incentivo, pois a turma da Secretaria ficou bem mais perto do fio da meada. O fio da meada é a realização do maior número de páreos possíveis e jamais entregar uma reunião de “mão beijada”.
A corrida de quinta–feira, com início às 17 horas, tem oito páreos e me pareceu muito bem elaborada. São páreos de nível técnico sofrível, separando o joio do trigo, ou seja, são páreos fundamentais para a formação de programas, mas que não fazem jus a estar alinhados com provas de alto gabarito. O número reduzido de provas permite uma adequação da programação geral, mas sem interferir no horário do leilão do Haras Santa Rita da Serra, com início por volta das 21 horas. A programação serve de aperitivo para o leilão e os turfistas acabam saindo do prado diretamente para o Tatersall.
A corrida de sexta–feira tem nível técnico bem superior à do dia anterior. A disputa dos Clássicos Delegações Turfísticas, Breno Caldas e Luiz Gurgel do Amaral Valente eleva a classe do programa. Poderia ser ainda melhor, caso as nove provas fossem aumentadas para 11 com a divisão do Breno Caldas, que saiu com 14 concorrentes, em dois páreos de sete. E também do Clássico Luiz Gurgel do Amaral Valente, com um de oito animais e outro de sete. Seria um incentivo louvável e justo aos proprietários.
As programações de sábado e de domingo estão sensacionais. A divisão da Prova Especial Mensageiro Alado em duas versões foi perfeita. No mesmo caso, a Prova Especial Quick Chance, no domingo. O mesmo poderia ter sido feito na Prova Especial Oscar Pacheco Borges, que saiu com 18 concorrentes. Poderia ter sido dividida em duas provas de nove. Assim, seriam 11 páreos no sábado em vez de dez. No restante, o nível das carreiras é excepcional, com páreos de potros e provas de bom gabarito.
O encerramento do festival, na segunda–feira, ficou valorizado pela Prova Especial Público Turfista, outra que poderia ser dividida, em dois páreos. Um de oito concorrentes e outro de nove, pois teve um total de 17 inscrições. Além disso, o Clássico Imprensa, em homenagem ao saudoso Haroldo Barbosa, o Pangaré. Os outros páreos são para animais de 3 e de 4 anos, pois os puros–sangues mais velhos ficaram concentrados na corrida extra de quinta–feira.
No cômputo geral, mandou bem a Comissão de Corridas. Entretanto, deve estudar a hipótese de dividir os páreos clássicos de campos mais numerosos, para que não ganhem caráter lotérico.
por Paulo Gama