Há 35 anos, Aporé, um dos baluartes da fantástica geração da letra “A” dos Haras São José & Expedictus, escrevia o primeiro capítulo da história de Juvenal Machado da Silva no Grande Prêmio Brasil. Preterido pelo titular da coudelaria, o jóquei chileno Gabriel Meneses, que optou por montar Amazon, Aporé não tomou conhecimento dos adversários e levantou, de ponta a ponta, a prova mais importante do turfe nacional. Era uma geração de vários protagonistas, entre eles, o tríplice coroado African Boy, Apple Honey, Anglicano, Aragonais, além dos dois já citados anteriormente. Tempos gloriosos. O alagoano Juvenal, ídolo dos turfistas brasileiros, ainda venceria a prova mais quatro vezes. Com Gourmet, do Haras Ipiranga, em 1982, com Grimaldi, de Delmar Biazoli Martins, em 1986, com Bowling, do Haras Santa Ana do Rio Grande, em 1987, e com Flying Finn, do Stud Numy, em 1990. Por onde anda Juvenal? E por que a diretoria do Jockey Club Brasileiro não o convida para entregar o troféu do triunfo na prova magna ao jóquei ganhador?
Juvenal Machado da Silva voltou às origens. Mora em sua terra natal, Delmiro Gouvêa, no sertão de Alagoas, muito próximo à divisa com a Bahia. Vive da lavoura, numa fazenda em que planta milho, feijão, soja e melancia. Divide o tempo das plantações com a atividade pecuária. Possui expressivo rebanho de bois, que às vezes ficam mais magros e sofrem um pouco com a seca da região. No ano passado, porém, os bois engordaram bastante devido à generosa temporada de chuva. Juvenal ainda acompanha as corridas pela televisão, mas sem a mesma assiduidade de outros tempos. Prefere ficar ligado no futebol, embora admita que o time de coração, o Flamengo, tenha lhe feito sofrer muito nos últimos tempos.
Na parede em cima da cama de seu quarto, um gigantesco pôster emoldurado com a foto de Flying Finn, segundo ele o cavalo do seu coração. Entretanto, nunca deixa de citar Grão de Bico como um dos melhores puros–sangues que já montou. Procura sempre se manter informado sobre Jorge Ricardo, seu eterno rival nas pistas. E lembra que viveu momentos de tensão ao saber que o rival do passado esteve doente de um linfoma, ficando feliz quando soube de sua total recuperação. “Nós sempre fomos rivais na raia, mas fora nos respeitamos muito. No ano passado, ele deu outro susto com a queda em que fraturou o cotovelo. Mas o homem parece imortal e sempre consegue dar a volta por cima”, elogia.
Ídolo maior de uma geração de jóqueis extraordinários que teve Albênzio Barroso, Ivan Quintana, Gabriel Meneses, Gonçalino Feijó de Almeida, Edson Ferreira, Adail Oliveira, Francisco Pereira Filho e Jorge Pinto, entre outros, Juvenal lamenta as imagens do prado carioca vazio e sente saudade dos momentos de glória. “Torço muito para que o turfe reviva seus melhores dias. Hoje estou longe dos amigos e dos fãs, mas nunca esqueço que foi lá que vivi alguns dos melhores e mais emocionantes dias da minha vida. Se for possível, um dia desses dou um pulo até a Gávea para matar as saudades de toda esta gente”, falou emocionado.
por Paulo Gama