Para acelerar o train da carreira (*)
Em nossa visita a Bagé, há duas semanas, estivemos também um dia no Haras Santa Ana do Rio Grande, agora terminado, com instalações excelentes e um pasto entre os melhores do local.
Vimos a tordilha Anilité, com um produto castanho ao pé, cujo pai é Locris. Se daí sair um bom produto, o Fragoso Pires não precisa procurar muito por um novo reprodutor. Locris e Anilité é para tirar o chapéu. A tordilha está cheia de Ghadeer.
No boxe do lado, também com um produto ao pé, a Rainha Eva. No local dos reprodutores, chama atenção a beleza de Mogambo, Crying to Run, o “velhinho” Egoísmo (vendendo saúde) e a maior esperança do haras, o chileno Rasputin II.
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Há muita animação com as Exatas em todas as carreiras, mas uma pena que tenha começado com páreos de poucas inscrições. Já melhorou, conforme se pode ver com a programação da semana: nove páreos nos três dias. Em breve vamos comemorar os 3 milhões de cruzados como movimento de apostas.
Também há muita animação para os próximos leilões, o que até me surpreendeu. Há muita gente procurando catálogos para os leilões de 16 de maio, em Porto Alegre, do Haras Fronteira, que aqui na Gávea é mesmo uma “coqueluche”. Sempre na estatística entre os quatro primeiros (às vezes, entre os três primeiros, como na atual temporada).
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Alguns criticaram o Edson Ferreira por não ter deixado o Gianpietro ir para cima de Paris Queen. Dizem que o cavalo escabeceando, como passou pela primeira vez pelo disco, estava se desgastando mais do que se fosse para cima da égua. Não opino, embora tenha observado a força que o jóquei fazia para não deixar o cavalo ir embora. Se fosse, talvez não ganhasse de Aracatu.
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Não entendemos por que os studs de hoje não fazem mais como o Seabra fazia antigamente. Sempre aparecia uma parelha, um disposto a acelerar o train da carreira. Tanto o Paula Machado, como o Santa Ana do Rio Grande e o Mondesir tinham cavalos para, durante pelo menos 1.000 metros, obrigar a Paris Queen a se “movimentar”. Só assim poderiam derrotá–la. Da maneira como corre a égua, daria duas e três voltas na frente dos outros. Tudo se decidindo numa partida de 800 metros.
Alguns proprietários e treinadores não gostam de correr égua misturada com cavalo, e preferem esperar o páreo das do seu sexo. Nada mais errado. Se compararmos turmas iguais, muitas vezes os tempos das éguas são melhores. Não fosse isso, Off the Way, Anilité e Paris Queen não estariam derrotando a três por dois os grandes “machões”.
Além disso, aceitando o páreo misto, estariam dando uma grande contribuição para a organização dos programas.
(*) Texto publicado originalmente na Revista JCB, na década de 1980, por Heitor de Lima e Silva, o Bolonha.
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