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Maio | 2014

Contagem regressiva para o Grande Prêmio Brasil
14/05/2014 - 11h35min

A menos de um mês da realização de mais um Grande Prêmio Brasil, os dirigentes do Jockey Club Brasileiro devem ficar atentos a alguns aspectos importantes para o sucesso do evento. Em primeiro lugar, será preciso um projeto de divulgação mais agressivo. Afinal, a maioria das pessoas vai estar ligada na Copa do Mundo, que tem início marcado para alguns dias depois da corrida. Além disso, a tradição da mais importante prova do turfe brasileiro ser disputada no 1º domingo de agosto pode confundir os turfistas eventuais, ou seja, aqueles que só comparecem ao hipódromo uma vez por ano para prestigiar o páreo. De nada adianta ficar restrito às chamadas na televisão interna do prado e nos agentes credenciados. Será preciso alcançar o grande público através dos canais abertos. Ou então, mais uma vez, poucas pessoas vão assistir ao espetáculo, por falta de informação. Trata–se de fato consumado. Sem mídia, não existe frequência expressiva. O último domingo comprova essa tese. Nem mesmo a presença do craque Bal A Bali mudou a rotina do hipódromo.

O site do JCB pode ser utilizado para informações indispensáveis como trânsito, local para estacionamento, preços dos cardápios dos restaurantes e lanchonetes, esclarecimento sobre traje esporte nas tribunas populares e passeio completo só na Social, valor mínimo e explicação sobre as modalidades de apostas etc. Durante longos anos, isso foi feito pelos jornais. Agora, com espaço minguado nos meios de comunicação de massa, temos de dar graças a Deus se alguém escrever escassas linhas sobre os páreos e os cavalos. Essas informações de serviço devem ser repassadas para as redações de jornais, rádios, televisões e sites. Talvez uma Assessoria de Imprensa contratada possa mandar matérias sistemáticas durante a semana, a fim de alimentar os órgãos de divulgação com assuntos específicos ligados à prova como entrevistas com jóqueis, treinadores e proprietários. É preciso lembrar que o turfe parece um bicho de sete cabeças para os leigos. E por isso, tudo tem de ser entregue mastigado. Palavras comuns para o turfista tais como apronto, treino de distância, aguerrimento, enturmação etc são misteriosos enigmas para quem nunca entrou num hipódromo.

A pista de grama merece atenção especial e a elaboração da programação também. No ano passado, tivemos menos páreos do que seria recomendado. O Grande Prêmio Brasil é um evento especial. E por isso não pode receber tratamento comum, como se fosse um dia de rotina. Em 2013, todas as pessoas presentes ao prado ficaram com gostinho de quero mais depois do último páreo. Vamos dar o maior número de páreos possível. Dividir em dois ou três, se for necessário, cada chamada. Nada de normas do engenheiro da pista. Tantos páreos, tantos cavalos e outras baboseiras. Isso é muito bom para preservar a grama durante o ano hípico. No dia do GP Brasil não há lugar para isso. Tem que arriscar, romper barreiras. É a hora de arrebentar. Depois, conserta–se a grama, as cercas e tudo o que for devastado, mas no dia da corrida o negócio é emoção, ousadia e entrega por parte dos organizadores. Tem que botar pra ferver. Essas regras chatas, medíocres e sistemáticas são para os dias comuns. Foram feitas para ser quebradas nos dias especiais. Em qualquer lugar do mundo é assim. Os dirigentes atuais não podem se comportar como meninos mimados, que ficaram muito tempo no cercadinho brincando com a vovó. Papinha na boca e chocalho na beira do berço. Turfe é o esporte dos reis. Tem de haver arrojo de quem promove o evento e disposição para correr riscos. A turma da diretoria precisa aprender a soltar pipa, jogar queimada e brincar de polícia e ladrão, em vez de jogar paciência com o vovô. Enfim, correr atrás do prejuízo.

Na raia não haverá problema. A presença de craques como Bal A Bali, Jaspion Silent, Catch a Flight, Arroz Branco, Billy Girl, Hendrix, Beauséjour, entre outros, garantirá o selo de qualidade. Fora das pistas, cabe aos dirigentes pensar alto, sonhar com coisas grandes e, acima de tudo, recuperar um enorme tempo perdido com vaidades pessoais e disputas políticas.

por Paulo Gama



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