Gávea sob o efeito de Ângelo Marcio Souza 21/08/2013 - 08h59min
LuizMelão

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O jóquei diferenciado consegue impor sua classe em qualquer hipódromo do planeta. O desenho da pista e o ritmo da corrida podem até mudar, mas quem nasceu para montar um cavalo de corrida não demora a se adaptar às novas circunstâncias. O turfe carioca já vive o efeito causado pela transferência do bridão Ângelo Marcio Souza, das pistas de Cidade Jardim para às da Gávea. Esta semana, ele deu um show na raia. Foram seis vitórias para todos os gostos. Correu na ponta, quando bem entendeu. Atuou no fundo do lote nas ocasiões em que a estratégia exigia. Demonstrou lucidez para acionar seus conduzidos na hora certa. Trocou o chicote de mão com a rapidez que só os verdadeiros turfistas percebem. Enfim, brilhou intensamente. E deixou todo mundo embasbacado. Dos oponentes aos proprietários, dos treinadores aos turfistas.
Ângelo Marcio Souza desembarcou num turfe carente de jóqueis acima da média. Com turfistas limitados à regularidade de Dalto Duarte, Vagner Borges e Henderson Fernandes, todos com bons contratos com poderosas coudelarias; órfãos dos sumiços e apagões de Marcos Mazini, um craque inconstante e desajustado; e conformados com os altos e baixos de Carlos Lavor e de Marcello Cardoso, dois excelentes pilotos, mas que deixam os fãs sempre com aquele gosto de “quero mais”. Ganhador do Grande Prêmio Brasil do ano passado, por muito pouco A.M.Souza não repetiu o feito este ano. Corre com o relógio na cabeça, o que pode ser notado pelas reservas dos seus conduzidos nos instantes finais das provas.
Tem contado com a ajuda do agente de montarias Rodrigo Lopes, filho do treinador José Antônio Lopes. Rodrigo é figura muito popular e querida no meio turfístico do Rio de Janeiro e conseguiu fazer o piloto deslanchar da noite para o dia. Com o retorno simultâneo de Acedenir Goulart, jóquei muito trabalhador, o espaço diminuiu para alguns pilotos do bloco intermediário. E se a turma não arregaçar as mangas e abrir os olhos, em pouco tempo vai sumir dos programas oficiais do Jockey Club Brasileiro. A outra solução seria fazer o caminho inverso de Gulart e Souza e requerer matrícula em Cidade Jardim, pois na Gávea o bicho já começou a pegar!
por Paulo Gama |